No nevoeiro./ In the fog.
Quando o Sol ficou descoberto./ Sun shining in.
O fado que hoje conhecemos cantado por tanta gente mais nova não seria possível sem a refundação que um grande compositor levou a cabo durante a década de sessenta e setenta do século passado. Chamou-se e chama-se Alain Oulman pelo menos enquanto continuarmos a cantar as suas músicas pelas ruas.
O filme que é um documentário precioso, mostra como Alain Oulman soube perceber uma intérprete como Amália, e entender como ela poderia cantar fados com maior amplitude melódica e de maior complexidade harmónica. Como seria possível com a melodia certa fazê-la cantar grandes poemas, de grandes poetas. No filme, Amália diz que estava à espera daqueles fados.
Alain Oulman podia ter sido só o compositor que conhecemos e não teria sido pouco, mas foi compositor enquanto trabalhava diáriamente gerindo os negócios da sua família, e não só. Foi dramaturgo, encenador, director de actores...e tantas outras coisas até acabar por ser editor na "Calmann-Levy" pertença de um tio seu. Foi editor de Catherine Clement, Patricia Highsmith, Amos Oz. Um editor como poucos foram, de maneira gentil e sem forçar ou impôr a sua vontade, a verdade é que foi capaz de criar as condições para que os seus escritores dessem o melhor de si próprios.-------------------------------------------------------------------
Nicholas Oulman é filho de Alain Oulman, a produção do filme não lhe foi facilitada por isso, não teve apoios nem das estações de televisão nem das entidades estatais que gerem fundos para possibilitar a realização cinematográfica. Argumentavam que não tinha currículo. Na verdade Nicholas, em Portugal e no estrangeiro, sempre trabalhou em cinema em curtas metragens realizando, coproduzindo etc. Finalmente Paulo Sousa foi o produtor principal que assegurou a possibilidade do filme ter sido feito.------------------------------------------------------------------------
O filme é belíssimo, começa com a imagem deslizando ao longo do interior do piano que Alain tinha na sua casa de Paris e que hoje se encontra no Museu do Fado. Familiares e vários entrevistados vão-nos contando o que guardam de Alain e daqueles dias difíceis. Os testemunhos dão-nos a imagem indirecta de Alain. As fotos em detrimento da imagem em movimento aumentam a necessidade de ver aquela pessoa de que ás vezes se ouve a voz, por fim Alain aparece. Ao piano vai tocando para Amália uma música que compôs e canta na sua voz profunda quase em surdina. Canta um poema de Cecília Meireles: "Soledad". A música é lindíssima. Amália canta também recebendo o poema e a música entendendo cada nota, cada sílaba. O poema parece feito à medida daquela música de tal forma com ela se casa. Entre compositor e cantora percebe-se uma admiração mútua, uma reverência e respeito perto da veneração. Sendo pares e geniais ambos preferem dar a primazia ao outro... ... ... ... ... ... ... O filme acaba. Enquanto passa a ficha técnica, continuamos o ouvir as vozes de Alain Oulman e Amália Rodrigues cantarolando e trauteando a música. Sem as suas presenças que as imagens tornavam quase físicas começamos a sentir a profunda saudade da sua ausência. Uma dor fina sobe do peito aos olhos, e estes ficam molhados. Nicholas Oulman conseguiu nas imagens do seu filme materializar a Saudade, e o Fado.
Nicholas Oulman esteve na apresentação do filme e pareceu-me um ser especial, modesto e delicado, que recusa o vedetismo fácil. A sua presença física e a sua atitude faz lembrar o seu pai, mas também Amália.
O poema de Cecília Meireles nunca foi gravado por Amália. Parece que direitos autorais não deixaram até hoje que o poema se recolha naquela melodia de beleza indescritível. Era uma justiça que faríamos à memória da poeta, do compositor e de Amália. Era uma forma de tributo ao filme e a Nicholas Oulman.
A Casa Museu Dr. Anastácio Gonçalves é uma Jóia escastrada no meio de Lisboa do início do séc.XX.
Ali junto à maternidade Alfredo da Costa onde eu e meia-Lisboa nascemos, a maternidade é o edifício amarelo que se vê ao fundo.
Foi casa Atelier de José Malhoa.
Daí se entende a grande janela que o arquitecto Manoel Joaquim Norte Júnior traçou.
António Anastácio Gonçalves foi Médico Oftalmologista e dos bons. Terá sido Médico Oftalmologista de Calouste Gulbenkian que viveu perto dali a 200m no seu hotel. Este hotel que se transformou no hotel de uma só pessoa e por isso a sua casa foi demolido. Infelizmente nós portugueses não o soubemos conservar em agradecimento. Mas isso é outra história. Anastácio Gonçalves à sua escala foi um coleccionador tão importante como Calouste Gulbenkian. A paixão pelas suas peças fossem elas pinturas portuguesas ou porcelanas do Oriente era a mesma de Gulbenkian. Talvez assim se perceba a amizade e até cumplicidade entre eles.
Mas o que interessa agora é que vão ver a magnífica exposição, em que toda a casa e os seus bons fantasmas foram absorvidos e reinterpretados pelos promissores artistas.
A exposição ficará até ao próximo 31 de Janeiro de 2010. Nesta exposição estão à venda os restantes exemplares de uma tiragem pequena de um "livro de artista" (artistas),que traz gravuras numeradas e assinadas pelos participantes na exposição. O livro em si é uma preciosidade como objecto. O conteúdo é bom e vale como obra de arte múltipla por si só ou destacável nas suas folhas individuais. (....Sobre este assunto aqui ao lado podem consultar o blog "Cadernos afetivos" da Artista e Mestre Márcia Regina de Sousa que sobre o assunto investiga, colecciona e produz. .....)
As instituições em geral, não só os museus, bem podiam seguir o exemplo da Casa Museu Dr.Anastácio Gonçalves e da FBAUL, convidar jovens artistas, mas também os velhos artistas para desenvolverem trabalho tal como o que aqui se fez e exibe.
A todos o meu agradecimento.
Now I've received a very nice and transparent intervention. A very accurate metaphor for the German spirit of ruled discipline: a train schedule. This paper has a stamped date that remounts to the year of 1883. That year despite violent opposition, Bismarck’s laws were passed providing for sickness, accident, and old age insurance; limiting woman and child labor; and establishing maximum working hours.No, he was not a socialist but that was the way to prevent the growing rebellion of the working class. (I think President Obama is suffering now the same opposition.) His new economic policy also resulted in the rapid expansion of German commerce and industry and the acquisition of overseas colonies and spheres of influence after the 1884/1885's Berlin Conference. At that Conference Portugal emerged as a defeated nation on it's colonial intensions of expanding the territory of Angola, connecting it to Mozambique.........................................
Agora recebi uma intervenção sua muito transparente e muito engraçada sobre o tema.
Uma metáfora incisiva sobre o espírito alemão de regrada disciplina: um horário de trem ou comboio. O documento tem carimbada uma data do ano de 1883, esse foi o ano em que apesar da violenta oposição, Bismarck conseguiu fazer aprovar as primeiras leis para protecção dos operários em caso de doença, acidente ou idade avançada; para regulamentação do trabalho das crianças e das mulheres; e estabelendo um limite máximo para o horário de trabalho. Não ele não era socialista mas essa foi a maneira de evitar o descontentamento crescente das classes trabalhadoras. (Penso que o Presidente Obama está a sofrer agora a mesma oposição.)
A sua política fez expandir rápidamente a indústria e o comércio que com a aquisição de colónias ultramarinas após a Conferência de Berlim de 1884/1885 alargaram a esfera alemã de influência. Nesta Conferência, Portugal sai como país derrotado nas suas intenções de expansão territorial ligando Angola a Moçambique.
The postcard is from the Touriseum witch is, as far as I can understand, a museum dedicated to tourism, and tourism that's perhaps another perspective of Bismarck, a Britannic cartoon call Bismarck "The irreprehensible tourist.....
O postal é do Touriseum, que pelo que posso perceber é um museu temático dedicado ao turismo, e o turismo é outra prespectiva de encarar Bismarck que foi apodado como "O Turista irrepreensível" pelos caricaturistas Britânicos da época.
Depois das eleições para o Parlamento da Europa e para o Parlamento da Républica, os cartazes anunciam as eleições para as Autarquias no próximo dia 11 de Outubro.
Na exposição que veio dos EUA, vieram peças de todo o mundo às quais se juntaram as do Museu de Arte Antiga e que só aqui se podem ver pois não podem sair do país.
Revi imagens e objectos que me são tão familiares como se fossem meus.
Vi uma aguarela de um leão pintada por Dürer. Vi Maria mãe de Jesus esculpida em marfim com o mesmo rosto de Buda. Vi uma ilustração dos Portugueses de Ormuz que comiam dentro de um tanque com água para se manterem frescos em terra tão "calmosa". Fiquei com uma admiração maior do trabalho fínissimo no requinte e na delicadeza desses artistas muitos deles anónimos. Entre os do Oriente portugueses nascidos e falecidos lá. Grandes artistas de todas as artes, e que pelo seu trabalho a todas tornaram belas, fossem eles escultores, entalhadores, gravadores, ourives, marceneiros, oleiros, ceramistas, fundidores, tecelões, pintores etc. etc.
Almada velha a partir do Jardim das Janelas Verdes