sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Nana Caymmi - Resposta ao tempo



Resposta ao Tempo


Nana Caymmi
Composição : Aldir Blanc/Cristovão Bastos



Batidas na porta da frente
É o tempo
Eu bebo um pouquinho
Prá ter argumento

Mas fico sem jeito
Calado, ele ri


Ele zomba
Do quanto eu chorei
Porque sabe passar
E eu não sei


Num dia azul de verão
Sinto o vento
Há fôlhas no meu coração
É o tempo


Recordo um amor que perdi
Ele ri
Diz que somos iguais
Se eu notei
Pois não sabe ficar
E eu também não sei


E gira em volta de mim
Sussurra que apaga os caminhos
Que amores terminam no escuro
Sozinhos


Respondo que ele aprisiona
Eu liberto
Que ele adormece as paixões
Eu desperto


E o tempo se rói
Com inveja de mim
Me vigia querendo aprender
Como eu morro de amor
Prá tentar reviver


No fundo é uma eterna criança
Que não soube amadurecer
Eu posso, ele não vai poder
Me esquecer


Respondo que ele aprisiona
Eu liberto
Que ele adormece as paixões
Eu desperto
E o tempo se rói
Com inveja de mim
Me vigia querendo aprender
Como eu morro de amor
Prá tentar reviver

No fundo é uma eterna criança
Que não soube amadurecer
Eu posso, e ele não vai poder
Me esquecer

No fundo é uma eterna criança
Que não soube amadurecer
Eu posso, ele não vai poder
Me esquecer

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Happy Holidays

A Christmas Song


I'm a big fan of the season, I like this time of year
When everyone's out shopping and drinking lots of beer
When folks are taking holidays to visit mom and dad
Telling jokes and stories about good times they had
But when I leave the house to go most anywhere
I find myself accosted and now it's more than I can bear
So to the scum who run Clearchannel I must offer this rebuke
If I hear another Christmas song I think I'm gonna puke




Well I like going sledding, riding in a sleigh
In fact I might just take my kid to a good hill today
But if I hear those jingle bells ring one more fucking time
I might just lose my shit in Macy's and commit an awful crime
Next time I go out shopping it won't be a pretty sight
When I hear one more person crooning about Christmas being white
I wish I could make Sinatra eat his god damn uke
If I hear another Christmas song I think I'm gonna puke




I just love those furry reindeer and I'd like to see one fly
And I'd like to see a red-nosed one light up the night-time sky
But all five hundred versions of it make me feel so bleak
When I have to hear each one of them a thousand times a week
I don't care if it's a big band, rock & roll or what
Each time I hear that ballad I can feel it in my gut
I start getting queasy like I just swallowed Santa's tewk
If I hear another Christmas song I think I'm gonna puke




Now I'm sure Frosty was a good guy, he was made of snow
And I'm sure that the North Pole is a place I'd like to go
But if they play that song again on the radio
Then there's something that seems only fair for you all to know
Next time I go out to a restaurant or walk into a store
It's quite likely I will make a big mess upon the floor
It will be an accident but it will not be a fluke
'Cause if I hear another Christmas song I think I'm gonna puke





BOAS FESTAS

domingo, 18 de dezembro de 2011

Chiffchaffs - Felosas

Todos os anos a partir de Novembro e até Fevereiro as felosas são visita da varanda. São aves pequenas e delicadas que se alimentam de insectos e de nectar de flores como as do aloé.





Os fios eléctricos que atravessam o espaço servem de plataforma nas etapas de aproximação ao cadinho com mel e ao frasco de água açucarada.

domingo, 11 de dezembro de 2011

Da Alemanha, essa terra que sempre deu música ao mundo, recuperei uma marchinha singela. É uma marchinha antiga que alguns, por lá, e por outros cantinhos da Europa começam a trautear.

E diz assim:
(Na minha tradução de alemão de jardim infantil)

Tremem os ossos putrefactos,
Do Mundo face à Grande Guerra
Nós esmagámos o terror
Para nós é grada victória

Em frente vamos marchar
Quando tudo cair em cacos
Hoje fazemos-nos ouvir na Alemanha
Amanhã no Mundo inteiro

Se caído na batalha
Todo o Mundo em ruínas
O Diabo que o carregue
Construi-lo-emos de novo

Podem os velhos repreender-nos
Deixem-nos a eles gritar e soluçar
Se o Mundo se unir contra nós
Na mesma vamos triunfar.

(Outras estrofezinhas se seguem mas o mote está dado)
(Fica o original alemão e uma tradução em inglês)


Es zittern die morschen Knochen,
Der Welt vor dem großen Krieg,
Wir haben den Schrecken gebrochen,
Für uns war's ein großer Sieg.


Wir werden weiter marschieren
Wenn alles in Scherben fällt,
Denn heute da hört uns Deutschland
Und morgen die ganze Welt.


Und liegt vom Kampfe in Trümmern
Die ganze Welt zuhauf,
Das soll uns den Teufel kümmern,
Wir bauen sie wieder auf.


Und mögen die Alten auch schelten,
So laßt sie nur toben und schrei'n,
Und stemmen sich gegen uns Welten,
Wir werden doch Sieger sein.


Sie wollen das Lied nicht begreifen,
Sie denken an Knechtschaft und Krieg
Derweil unsre Äcker reifen,
Du Fahne der Freiheit, flieg!


Wir werden weiter marschieren,
Wenn alles in Scherben fällt;
Freiheit stand auf in Deutschland
Und morgen gehört ihr die Welt.








The rotten bones are trembling,

Of the World before the War.
We have smashed this terror,
For us a great victory.


We will continue to march,
Even if everything shatters;
Because today Germany hears us,
And tomorrow, the whole World.


And because of the Great War
The World lies in ruins,
But we don't care;
We build it up again.


And the elders may chide,
So just let them scream and cry,
And if the World decides to fight us,
We will still be the victors.

They don't want to understand this song,
They think of slavery and war.
Meanwhile our acres ripen,
Flag of freedom, fly!

We will continue march,
Even if everything shatters;
Freedom rose in Germany,
And tomorrow the world belongs to it.



BARCA

domingo, 4 de dezembro de 2011

SÓCRATES É COMO SE ESCREVE FUTEBOL COM LETRA GRANDE.

Eu nem gosto de futebol. Nem perco tempo a ver jogos da selecção seja lá ela de quem for, mas gosto de SÓCRATES BRASILEIRO SAMPAIO DE SOUZA VIEIRA DE OLIVEIRA.
Fernando Pessoa morreu também por estes dias de Novembro para Dezembro. A dor era idêntica, fez menos 10 anos neste mundo, mas a dor era idêntica.


Que bebam juntos e em paz.



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RUDOLF HAUSNER

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

GREVE GERAL - "A maior desgraça de uma nação pobre é que em vez de produzir riqueza produza ricos." (Mia Couto)

SAMUEL canta António Gedeão que talvez tenha nascido num dia 24 de Novembro.



Poema da Pedra Lioz





Álvaro Gois,
Rui Mamede,
filhos de António Brandão,
naturais de Catanhede,
pedreiros de profissão,
de sombrias cataduras
como bisontes lendários,
modelam ternas figuras
na lentidão dos calcários.


Ali, no esconso recanto,
só o túmulo, e mais nada,
suspenso no roxo pranto
de uma fresta geminada.
Mas no silêncio da nave,
como um cinzel que batuca,
soa sempre um truca…truca…
lento, pausado, suave,
truca, truca, truca, truca,
sob a abóbada românica,
como um cinzel que batuca
numa insistência satânica:
truca, truca, truca, truca,
truca, truca, truca, truca.


Álvaro Gois,
Rui Mamede,
filhos de António Brandão,
naturais de Cantanhede,
ambos vivos ali estão,
truca, truca, truca, truca,
vestidos de surobeco
e acocorados no chão,
truca, truca, truca, truca.


No friso, largo de um palmo,
que dá volta a toda a arca,
um cristo, de gesto calmo,
assiste ao chegar da barca.

Homens de vária feição,
barrigudos e contentes,
mostram, no riso dos dentes
o gozo da salvação.

Anjinhos de longas vestes,
e cabelo aos caracóis,
tocam pífaro celestes,
entre cometas e sóis.

Mulheres e homens, sem paz,
esgaseados de remorsos,
desistem de fazer esforços,
entregam-se a Satanás.


Fixando a pedra, mirando-a,
quanto mais o olhar se educa,
mais se estende o truca…truca…
que enche a nave, transbordando-a,
truca, truca, truca, truca
truca, truca, truca, truca.


No desmedido caixão,
grande senhor ali jaz.
Pupilo de Satanás?
Alma pura, de eleição?
Dom Afonso ou Dom João?
Para o caso tanto faz.








António Gedeão

sábado, 5 de novembro de 2011

WINE SONGS FROM PORTUGAL - After a little glass of wine Germans love everything in Greece but the Greek people.



O original e o sucedâneo.
Talvez uma surpresa para muitos que julgaram a canção como exemplar do típico, pitoresco e genuíno Portugal. Mas quem confunde o som de um cavaquinho com o trinado de um bandolim (feito com guitarra eléctrica) à maneira de um bouzouki, só bebe vinho com gasosa, e facilmente fica embriagado.


ELES COMEM TUDO




ASSUNÇÃO ESTEVES - Presidente da Assembleia da República, a figura que em segundo lugar representa o Estado Português





Reformou-se aos 42 anos de idade...cansada...muito cansada...



Quadro do partido laranja, e pelo seu partido escolhida para o cargo mais alto da representação do Estado, a seguir ao presidente da República. Aqui se denuncia uma ética política, aqui se denuncia um açambarcamento faccioso, aqui se denuncia uma mentalidade de rapina.

Uns têm que trabalhar até aos 65 anos com reformas cortadas em 20%, mesmo que tenham descontado para a reforma durante 40 anos ou mais. São os trabalhadores portugueses, o grosso da população, a classe mais débil, a mais necessitada, a que deveria de ter mais apoios do Estado. Aquela que tudo produz!

Esta personagem importante do Grupo que governa Portugal, reformou-se aos 42 anos, com 2.445€/mês, após 10 anos de trabalho.


Os portugueses todos, têm de ganhar a consciência que esta gente nos destruirá.








PAUL ELOUARD - "É preciso voltar a despertar veredas, a descerrar caminhos, a extravasar as praças e a gritar o teu nome - LIBERDADE"

WINE SONGS FROM PORTUGAL -" Foi você que pediu um estalo na cara?"

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

WINE SONGS FROM PORTUGAL - Conjunto António Mafra canta "Sopas de vinho não embebedam"






Sopas de vinho não embebedam

Se não há vento nem chuva
Se as botas não escorregam
Que diabo é que me empurra


Tem juizinho
Nos passos que dás
Sopas de vinho
Dão-te mais gás


Boa noite candeeiro
Não me deixes às escuras
És o fiel companheiro
Nas noites que me seguras


Se o passeio estava liso
Se a rua não anda em obras
Que tenho eu no juízo
Que meus pés só sentem covas

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

terça-feira, 25 de outubro de 2011

Cágado - Cagado

-Cágado! -Cagado!
-Cágado! -Cagado!
-Cágado! -Cagado!


























-Tartaruga?! -...Tartaruga terrestre!





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quinta-feira, 20 de outubro de 2011

A falta de vergonha faz a carantonha.

O Jornalista da Carantonha vira-se para o Patrão Chefe Engenheiro, de nome estrangeiro, um Van qualquer e conta-lhe:
-“O professor Cantigas informou-me que temos três milhões e meio de pensionistas!”
-“Psche…” – Faz o outro com uma careta em sinal de desaprovação e repugnância.
-“O que vamos fazer a esta gente” diz o Carantonha.
-“Temos de cortar as pensões!” responde o Patrão Chefe Engenheiro.


Talvez por eu não simpatizar com este Jornalista Carantonha devido a ter topado os dentes de lobo debaixo da pele de cordeiro, talvez, eu não lhe tenha prestado atenção devida bem como de igual modo ao tal Patrão Chefe Engenheiro; mas não me lembro de ter ouvido, a algum deles, preocupação com os dois milhões de pobres ou com os dois milhões de idosos que Portugal tem.


E porque não se preocupam em saber se é suficiente o que recebem esses pensionistas nomeadamente os que o são por invalidez. Nem se preocupam em identificar os altos funcionários que requerem pensões ao Estado e de forma abusiva ao fim de poucos anos de trabalho alguns deles acumulando várias pensões e dividendos, alguns até fazendo comentário político em que chegam a dizer que não vale a pena cortar as pensões aos pensionistas ricos porque são poucos devendo-se preferir cortar aos pobres porque são muitos.


A falta de vergonha faz a carantonha.

Neste mundo às avessas abriu a caça aos pássaros do Sul.

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

terça-feira, 18 de outubro de 2011

FILARMÓNICA FRAUDE - SÓ MARINHEIROS E ESCRAVOS SE AFUNDAM COM A NAU

FAUSTO BORDALO DIAS

O Álvaro é um colosso, quando abre a boca parece que está grosso.

O Álvaro diz que vai acabar a subsídio dependência. Estranhas palavras para quem para fazer crescer a economia queria convencer reformados europeus do Norte da Europa com pensões elevadas a vir para Portugal de forma a captar os seus rendimentos a que ele chamou "reforma ao sol". Diz o Álvaro que acabou o subsídio a empresas que queiram promover a competitividade e que só com reformas estruturais é que se poderá fazer o desenvolvimento económico. A grande medida e a estrutura que ele tem em mente é a bitola europeia aplicada à via-férrea nacional, quer dizer a largura entre carris terá de ser igual à medida europeia para que uma mercadoria colocada num vagão possa seguir até ao seu destino sem ter que mudar para outro vagão.

Foi uma ideia brilhante de um espírito de elevado discernimento como é que ninguém pensou nisto? ?

O que o Álvaro não disse é o que se vai meter dentro dos vagões. As urnas com os restos mortais dos reformados que após viverem entre nós decidem repousar o descanso eterno na sua terra natal?

Há um problema; como ele disse que acabaram as obras faraónicas, quem vai fazer a construção da nova via? Não há subsídios para ninguém e como o governo em exercício quer privatizar tudo o que é empresa pública será que ele que quer acabar com os lóbis, vai promover o lóbi da ferrovia em detrimento do lóbi dos transportadores em camião?

O Álvaro é realmente um fato! Ou melhor, por causa do acordo ortográfico direi que o Álvaro é mesmo um terno! Como diz o outro: só me saem duques, duques e ternos acrescento eu.

RAPINA NO PEITO ILUSTRE LUSITANO

domingo, 16 de outubro de 2011

Judeu e Bode Expiatório me confesso. Seja a minha costela judaica verdadeira no sangue, ou apenas na minha múltipla matriz cultural, o que é facto é que dela me orgulho. A minha indignação hoje tem a ver com bodes expiatórios. Noutro tempo e em muitos lugares os Judeus foram os bodes expiatórios, hoje parece que chamam aos povos do Sul da Europa o que já chamaram antes aos Judeus.

Jorge Dalaras é um artista grego, músico e cantor, que atingiu no seu país uma dimensão semelhante á de um heroi nacional.
 Aqui nesta interpretação ele canta uma canção judaica antiga em Ladino, uma língua dos Judeus Ibéricos chamados Sefarditas.
 Sem dúvida que esta é uma canção de amor dedicada a uma amada difícil ou inatingível que se esconde atrás de uma porta fechada, no entanto eu entendo esta canção também como o pedido de alguém ao outro seu semelhante que por preconceito ou diferença cultural tem a porta da sua alma fechada.





Gosto muito desta canção e por isso incluo outra versão com melhor sonoridade.


A tumultuosa Constituição Portuguesa, diz no seu Artigo Vigésimo Primeiro:

Artigo 21.º



Direito de resistência


Todos têm o direito de resistir a qualquer ordem que ofenda os seus direitos, liberdades e garantias e de repelir pela força qualquer agressão, quando não seja possível recorrer à autoridade pública.




Será que por isto é que queriam tirar um coelho da cartola e mudar a constituição???

CUIDADO COM OS HOMENS DE FATO ESCURO E GRAVATA BEM APERALTADOS QUE DIZEM QUERER AJUDAR-VOS.

HISTÓRIAS DE CARTEIRISTAS



Era já noite fechada e o autocarro levava poucos passageiros; um sujeito de fato escuro e gravata, bem aperaltado, aproximou-se da porta de saída e debruçando-se sobre o único ocupante dos bancos duplos reservados a deficientes, grávidas e acompanhantes de crianças de colo perguntou-lhe:

-Então como correu o dia?


-Fraquinho – respondeu o outro. – E o teu?


O do fato sorriu, endireitou-se, esticou as costas num espreguiçar felino e enquanto premia com o dedo o botão da campainha de pedido de paragem replicou:


-Estava a correr mal, mas depois surgiu uma daquelas oportunidades que não se podem desperdiçar. Ao princípio eu nem queria…


O que estava sentado virou-se no banco e prestou atenção ao do fato.


O do fato ergueu a cabeça, olhou para a vante do autocarro, mediu a distância da avenida iluminada, avaliou a velocidade do autocarro e contou o tempo que lhe restava para terminar a sua narrativa:


- …calhou-me um pai de família com uma menina ao colo carregado com uma pasta e os sacos de compras. Eu só queria ajudá-lo que também tenho filhos; deixe-me ajudá-lo disse-lhe eu, dê cá a menina que eu seguro nela enquanto o senhor desce e pousa os sacos; eu nem queria tás a ver, também tenho filhos, mas o homem abriu-me os braços e ela ali dentro do bolso a olhar para mim e a concha do casaco a pedir-me, vem que eu guardo-te, tás a ver… nã, eu sou pai, também tenho filhos, mas não posso deitar fora as oportunidades né?


O autocarro parou e abriu a porta.


-E tava carregado não? – Perguntou o que estava sentado com medo que o outro ficasse por ali na sua facécia.


O do fato desceu os degraus da porta de saída e já com a porta automática a fechar gritou para o que continuava sentado


-Carregado?! O homem devia ter acabado de receber a taluda.

sábado, 8 de outubro de 2011

Vês a rolha?? ... Abre a boca!!

"BLOG REMOVIDO"

No outro dia após abrir qualquer janela do blog, comecei a receber mensagens em que era avisado que tinham sido bloqueados conteúdos para "minha" protecção.

De um momento para o outro o blog foi removido. Na tentativa da sua reposição em que o único interlocutor foram janelas de inventário, caixas de perguntas mais frequentes, e listagens de confirmação lá me foi pedido o número de telemóvel – o celular -, de forma a eu poder receber uma senha de confirmação da minha identidade. E assim fiz e o blog foi reposto sem mais.

Perderam-se dos destinatários os comentários que eu tinha feito nesse dia a outros blogs que sigo. Perderam-se do olhar público mas não da intenção.

A minha paranóia normal associou logo as referências feitas ao David Rovics e à Líbia enfim libertada, mas não livre de novo compromisso com o Ocidente consumidor de combustíveis fósseis. Lembrei-me também dos comentários das hierarquias superiores das polícias e dos tumultos que as redes sociais podiam gerar… Mas depois caí na realidade. Afinal o meu bloguesito modestíssimo, é incapaz de gerar agitação. De qualquer forma, foi uma maneira estranha de pedir o meu número de telefone, lá isso foi.

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Dia 1 de Outubro às15:00H no Saldanha em Lisboa, Todos à Manifestação: Viva o Emprego; Viva o Subsídio de Natal; Fora com os Ladrões; Quem rouba o emprego rouba o Menino Jesus; Quem rouba o Subsídio de Natal rouba Jesus e o Presépio inteiro.

DAVID ROVICS - Primeiro bombardeiam, depois emprestam dinheiro para a reconstrução. Em Portugal não foi preciso bombardear, limitaram-se a corromper uns tantos políticos da situação. Centros Culturais em Belém, na Madeira ou onde seja; autoestradas até à terrinha de onde os "inlustres" são oriundos; mais auto-estradas; exposições internacionais em 98 e noutros anos; muitas pontes, e mais pontes e viadutos; mais auto-estradas; campos de futebol, mais campos de futebol; e palácios, muitos palácios: nas capitais de distrito sedes de concelho e em todo lado onde houver amigos a quem dar a ganhar; e é continuar em barragens e auto-estradas, e portos, e comboios muitos comboios de toda a velocidade, e aeroportos, e armas muitas armas, helicópteros aviões submarinos o catálogo inteiro...

DAVID ROVICS

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

ALMA NACIONAL

Alma Nacional foi o nome de uma revista republicana, publicada entre 10 de Fevereiro e 29 de Setembro de 1910 ; imediatamente antes da proclamação da Républica a 5 de Outubro de 1910 (4 de Outubro em Loures). Os textos são de grande qualidade entre os autores encontram-se Aquilino Ribeiro, Guerra Junqueiro, Raúl Proença, Thomás da Fonseca, António Ferrão,Theophilo Braga e o director António José D'Almeida; mas o que mais impressiona é a actualidade que continuam tendo. Parece que muita coisa determinante do nosso atavismo e deste marasmo que nos embrutece não se alterou, porventura tornou-se mais sofisticada numa roupagem de modernidade bacôca.

A edição fac-símile desta revista pode ser hoje comprada na Editora Paradela de Abreu Editores  editores@npa.pt

DAVID ROVICS

domingo, 18 de setembro de 2011

QUANDO MORRE UM APICULTOR

Quando morre um apicultor é obrigação da sua família próxima avisar as abelhas que o apicultor morreu. Para tal é comum usar uma fita negra comprida. Tal fita fica presa na colmeia do enxame mais antigo, ou em sítio central ao conjunto dos cortiços.


As abelhas são dos poucos insectos com os quais nos relacionamos. Habitualmente consideramos os insectos bichos e tendemos a esmagá-los rapidamente sem contemplações.

Cigarras, grilos, pirilampos, joaninhas, borboletas e abelhas são tolerados enquanto símbolos mas preferimos que existam a distância segura.

Os apicultores antigos sabem que se um enxame não for avisado da morte do seu tratador provavelmente morrerá.
Não existem explicações científicas, pelo menos que eu conheça, mas contaram-me que pragmáticos cientistas após alguns insucessos da sua teimosia científica decidiram colocar a fita preta nos enxames que depois adquiriram por falecimento do apicultor. É que anteriormente apesar de melhorarem as condições fitossanitárias, de terem providenciado mais alimento, de terem dado mais protecção às abelhas o vínculo criado com o apicultor original mostrou-se incorruptível e uma falta de vitalidade abatia-se sobre as colmeias após o seu desaparecimento. Sem explicação as abelhas morriam. Os casos mais bem sucedidos em que não houve extinção do enxame falaram-me em perdas de dois terços.

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

VICTOR JARA - Vientos del pueblo

VÍCTOR JARA (September 28, 1932 – September 16, 1973) Wikipedia Data

Víctor Lidio Jara Martínez (Spanish pronunciation: [ˈbiktor ˈliðjo ˈxaɾa marˈtines]) (September 28, 1932 – September 16, 1973[1]) was a Chilean teacher, theatre director, poet, singer-songwriter, political activist and member of the Communist Party of Chile. A distinguished theatre director, he devoted himself to the development of Chilean theatre, directing a broad array of works from locally produced Chilean plays, to the classics of the world stage, to the experimental work of Ann Jellicoe. Simultaneously he developed in the field of music and played a pivotal role among neo-folkloric artists who established the Nueva Canción Chilena (New Chilean Song) movement which led to a revolution in the popular music of his country under the Salvador Allende government. Shortly after the Chilean coup of 11 September 1973, he was arrested, tortured and ultimately shot to death with 44 bullet shots by machine gun fire. His body was later thrown out into the street of a shanty town in Santiago.[2] The contrast between the themes of his songs, on love, peace and social justice and the brutal way in which he was murdered transformed Jara into a symbol of struggle for human rights and justice across Latin America.


Víctor Jara was born in the locality of Lonquén, near the city of Santiago, to poor peasants Manuel Jara and Amanda Martínez. Jara's father, Manuel, was illiterate and wanted his children to work as soon as they could rather than get an education, so by the age of 6, Jara was already working on the land. Manuel Jara was unable to extract a livelihood from the earnings as a peasant in the Ruiz-Tagle estate nor was he able to find stable work to support his large family. He took to drinking and became violent. His relationship with his wife deteriorated, and Manuel left the family when Víctor was still a child to look for work elsewhere. Amanda persevered in raising Víctor and his siblings by herself, insisting that all of them should receive a good education. Amanda, a mestiza with deep Araucanian roots in the south of Chile, was not illiterate, she was autodidactic; played the guitar, the piano and was a singer in her town, singing traditional folk songs at local functions like wedding and funerals for the locals.[3]

Jara's mother died when he was 15, leaving him to make his own way thereafter. He began to study to be an accountant, but soon moved into a seminary instead, studying to become a priest. After a couple of years, however, he became disillusioned with the Church and left the seminary. Subsequently he spent several years in the army before returning to his home town to pursue interests in folk music and theater.

Jara was deeply influenced by the folklore of Chile and other Latin American countries; he was particularly influenced by artists like Violeta Parra, Atahualpa Yupanqui, and the poet Pablo Neruda. Jara began his foray into folklore in the mid-1950s when he began singing with the group Cuncumen. He moved more decisively into music in the 1960s getting the opportunity to sing at Santiago's La Peña de Los Parra, owned by Ángel Parra. Through them Jara became greatly involved in the Nueva Canción movement of Latin American folk music. He published his first recording in 1966 and, by 1970, had left his theater work in favor of a career in music. His songs were drawn from a combination of traditional folk music and left-wing political activism. From this period, some of his most renowned songs are Plegaria a un Labrador ("Prayer to a Worker") and Te Recuerdo Amanda ("I Remember You Amanda"). He supported the Unidad Popular ("Popular Unity") coalition candidate Salvador Allende for the presidency of Chile, taking part in campaigning, volunteer political work, and playing free concerts.

Allende's campaign was successful and, in 1970, he was elected president of Chile. However, the Chilean right wing, who opposed Allende's socialist politics, staged a coup with the help of the Chilean military on September 11, 1973, in the course of which Allende was killed (See Death of Salvador Allende). At the moment of the coup, Jara was on the way to the Technical University (today Universidad de Santiago), where he was a teacher. That night he slept at the university along with other teachers and students, and sang to raise morale.

On the morning of September 12, Jara was taken, along with thousands of others, as a prisoner to the Chile Stadium (renamed the Estadio Víctor Jara in September 2003[4] ). In the hours and days that followed, many of those detained in the stadium were tortured and killed there by the military forces. Jara was repeatedly beaten and tortured; the bones in his hands were broken as were his ribs.[5] Fellow political prisoners have testified that his captors mockingly suggested that he play guitar for them as he lay on the ground with broken hands. Defiantly, he sang part of "Venceremos" (We Will Win), a song supporting the Popular Unity coalition.[5] After further beatings, he was machine-gunned on September 16, his body dumped on a road on the outskirts of Santiago and then taken to a city morgue where they found 44 bullet shots on his body.

Jara's wife Joan was allowed to come and retrieve his body from the site and was able to confirm the physical damage he had endured. After holding a funeral for her husband, Joan Jara fled the country in secret.

Joan Turner Jara currently lives in Chile and runs the Víctor Jara Foundation. The Chile Stadium, also known as the Víctor Jara Stadium, is often confused with the Estadio Nacional (National Stadium).

Before his death, Jara wrote a poem about the conditions of the prisoners in the stadium, the poem was written on a paper that was hidden inside a shoe of a friend. The poem was never named, but is commonly known as Estadio Chile.

In June 2008, Chilean judge Juan Eduardo Fuentes re-opened the investigation into Jara's death. Judge Fuentes said he would examine 40 new pieces of evidence provided by the singer's family.[6] On May 28, 2009, José Adolfo Paredes Márquez, a 54-year-old former Army conscript was arrested the previous week in San Sebastian, Chile, and was formally charged with Jara's murder. Following Paredes' arrest, on June 1, 2009, the police investigation identified the name of the officer who first shot Víctor Jara in the head. The officer played Russian roulette with Jara, by placing a single round in his revolver, spinning the cylinder, placing the muzzle against Jara's head and pulling the trigger. The officer repeated this a couple of times, until a shot fired and Víctor fell to the ground. The officer then ordered two conscripts (one of them Paredes) to finish the job, by firing into Jara's body.[7][8][9] A judge ordered Jara's body to be exhumed in an effort to determine more information regarding his death.[10]

On December 3, 2009, a massive funeral took place in the "Galpón de Víctor Jara" across from "Plaza Brazil". Jara's remains were honoured by thousands. His remains were re-buried in the same place he was buried in 1973

Although the military regime managed to burn the vast majority of master recordings of Jara's music, Joan Jara managed to sneak recordings out of Chile, which were later copied and distributed worldwide. Joan Jara later wrote an account of Víctor Jara's life and music, titled Víctor: An Unfinished Song.

On September 22, 1973, the Soviet/Russian astronomer Nikolai Stepanovich Chernykh named a newly found asteroid 2644 Víctor Jara, in honor of Víctor Jara's life and artistic work.

American folksinger Phil Ochs, who met and performed with Jara during a tour of South America, organized a benefit concert in his memory in New York in 1974. Titled "An Evening With Salvador Allende", the concert featured Bob Dylan, Pete Seeger, Arlo Guthrie and Ochs.

An East German biographical movie called El Cantor (the Singer) was made in 1978. It was directed by Jara's friend Dean Reed, who also played the part of Jara.

Dutch-Swedish singer-songwriter Cornelis Vreeswijk recorded "Blues för Victor Jara" on his album Bananer - bland annat in 1980.

In the late 1990s British actress Emma Thompson started to work on a screenplay, which she planned to use as the basis for a movie about Víctor Jara. Thompson, a human rights activist and fan of Jara, considered the political murder of the Chilean artist as a symbol of human rights violation in Chile. She believed a movie about Jara's life and death would make more people aware of the Chilean tragedy.[12] The movie would feature Antonio Banderas – another fan of Víctor Jara – as Jara himself where he would sing some of his songs and Emma Thompson as Víctor Jara's British wife Joan Jara.[13] The project has not yet been made into a film.

The Soviet musician Alexander Gradsky created the rock opera Stadium (Стадион, Stadion) in 1985 based on the events surrounding Jara's death.[14]

The Southwestern American band Calexico open their 2008 album Carried to Dust with the song "Victor Jara's Hands".

Portuguese folk band Brigada Víctor Jara is named after him.

Songs mentioning Víctor Jara

• The Chilean group Inti-Illimani dedicated the song "Canto de las estrellas" to Víctor Jara.

• In 1975, Norwegian folksinger Lillebjørn Nilsen included a tribute song entitled "Victor Jara" on his album Byen Med Det Store Hjertet. The same year the Swedish band Hoola Bandoola Band included their song "Victor Jara" on their album Fri information.

• Belgian singer Julos Beaucarne relates the death of Víctor Jara in his song "Lettre à Kissinger".

• French singer Pierre Chêne also wrote a song about Jara's death entitled "Qui Donc Est Un Homme?"

• In 1976, Arlo Guthrie included a biographical song entitled "Victor Jara" on his album Amigo.[15] The words were written by Adrian Mitchell and Arlo Guthrie wrote the music.[16]

• On Barnstormer's album Zero Tolerance, Attila the Stockbroker mentions Jara in the song "Death of a Salesman", written just after the 11 September attack on the World Trade Center. "You were there in Chile, 11 September '73. 28 years to the day - what a dreadful irony. Victor Jara singing 'midst the tortured and the dead. White House glasses clinking as Allende's comrades bled."

• Former German folk duo Zupfgeigenhansel (Thomas Friz and Erich Schmeckenbecher) featured a live performance of their song "Victor Jara" as a last track on their 1978 LP Volkslieder III.

• The Clash sing about Jara in the song "Washington Bullets" on their 1980 album Sandinista!. Joe Strummer sings: "As every cell in Chile will tell, the cries of the tortured men. Remember Allende in the days before, before the army came. Please remember Victor Jara, in the Santiago Stadium. Es Verdad, those Washington Bullets again."

• In 1987, U2 included the track "One Tree Hill" on their album, The Joshua Tree where Bono sings: "And in the world a heart of darkness, a fire zone. Where poets speak their heart, then bleed for it. Jara sang, his song a weapon, in the hands of love. Though his blood still cries from the ground."

• Jackson Browne recorded "My Personal Revenge" on his CD "World in Motion" in 1989 as a tribute to Víctor Jara. The lyrics include "My personal revenge will be to give you... these hands that once you so mistreated."

• Holly Near's "Sing to me the Dream" is a tribute to Víctor Jara.

• Chuck Brodsky wrote and recorded "The Hands of Victor Jara." [17] This 1996 tribute includes these words:

The blood of Victor Jara

Will never wash away

It just keeps on turning

A little redder every day

As anger turns to hatred

And hatred turns to guns

Children lose their fathers

And mothers lose their sons

• Irish folk artist Christy Moore recorded the song 'Victor Jara' on his 'Live at the Point' album

• Rory McLeod's title song on his album "Angry Love" is about Jara.[18]

• Ismael Serrano, a Spanish singer included Jara's name and the name of the song "Te Recuerdo Amanda" in his "Vine del Norte" song from album La Memoria de los Peces, released in 1998.http://www.ismaelserrano.com/discografia/lamemoriadelospeces.htm

• Marty Willson-Piper, who plays guitar for The Church, included "Song for Victor Jara" on his 2009 solo album, Nightjar.

• The Argentine rock group, Los Fabulosos Cadillacs, remember Víctor Jara in their hit song, "Matador", with the lyrics "Que suenan, son balas me alcanzan, me atrapan, resiste, 'Víctor Jara' no calla... Matador!! Matador!!"

• Heaven Shall Burn made a song about him and his legacy called "The Weapon They Fear".

• Spanish ska group Ska-P dedicated a song called "Juan Sin Tierra" to Jara (the song was originally written by Jorge Saldaña, and previously recorded by Jara), with the chorus going:

"No olvidamos el valor de Víctor Jara/

dando la cara siempre a la represión/

le cortaron sus dedos y su lengua/

y hasta la muerte gritó revolución."

"We won't forget Victor Jara's courage/

always fighting oppression/

They cut off his fingers and his tongue/

And right up to his death he shouted 'Revolution'."

• Tucson, AZ-based Calexico include a song called Víctor Jara's Hands on their 2008 album Carried to Dust.

• Cuban rap group Eskuadron Patriota mentions Jara in their song "Decadencia". The song goes: "Como Víctor Jara diciendole a su pueblo: La libertad esta cerca"

• The Peruvian ska band Psicosis mentions Jara in their song "Esto es Ska". The chorus goes "Lo dijo Víctor Jara no nos puedes callar".

• Soviet, Byelorussian composer Igor Lutchenok wrote a song "In memory of Victor Jara" on lyrics of Boris Brusnikov which first time was performed in 1974 by Byelorussian singer Victor Vuyachich and afterwards this song was performed by Byelorussian folk-rock group "Pesniary" in the arrangement of Vladimir Mulyavin. Please visit http://krasnoetv.ru/node/6853 http://krasnoetv.ru/node/6855 to listen to the song.

• The Glasgow/Irish folk group The Wakes included a song about Víctor Jara on their album These Hands in 2008.

• The San Francisco post-rock band From Monument to Masses samples excerpts from a reading of Jara's poetry on the track "Deafening," a song from their 2005 remix album Schools of Thought Contend.

• German singer Hannes Wader published his song "Victor Jara" on his album Wünsche in 2001.

• Scottish singer/songwriter Bert Jansch had written his "Let Me Sing" about him.

• Venezuelan singer/songwriter Alí Primera wrote his "Canción para los valientes" ( Song to the courageous ones ) about Victor Jara. The song was included in the album of the same name in 1976.

• British musician Marek Black's 2009 CD "I Am A Train" features the song "The Hands of Victor Jara" written by Marek Black

• Scottish Group, Simple Minds, Released an album with the title track called "Street Fighting Years" dedicated to Victor Jara in 1989

• Welsh folk singer/songwriter Dafydd Iwan wrote a song called "Can Victor Jara" (Victor Jara's song) that was released on his 1979 album "Bod yn rhydd" (Being free). Here are the original Welsh lyrics.

• In 2011, London-based band Melodica, Melody and Me released a track titled "Ode to Victor Jara" as the B-Side to their limited release vinyl single "Come Outside".

• American singer-songwriter Rod MacDonald wrote "The Death Of Victor Jara" in 1991, with the refrain "the hands of the poet still forever wave." The song is on his "And Then He Woke Up" cd (Gadfly Records); a May 2011 performance in Norderstedt, Germany is at http://www.youtube.com/watch?v=y35it7hWZ5A. MacDonald met Phil Ochs on the eve of the 1973 concert, and sang for him a song he had just written about the Chilean coup. MacDonald has often introduced "The Death Of Victor Jara" by saying "I wish I could have played it for Phil."

American folk icon, the singer-songwriter and performer, Jack Hardy (1947–2011), mentioned Victor Jara in "I Ought to Know," a song recorded on the album Omens in 2000. (song lyrics: http://jackhardy.com/JHIOughtToKnow.html, and live performance http://www.youtube.com/watch?v=xT16T-Ms3Is)

VICTOR JARA - Manifesto

OS JUSTOS ENTRE AS NAÇÕES - Carlos Almeida Afonseca de Sampayo Garrido

DIVULGO COMO ENCONTREI UM COMUNICADO DA EMBAIXADA DE ISRAEL EM PORTUGAL PELO SEU EMBAIXADOR.
Israel em Portugal
OS JUSTOS ENTRE AS NAÇÕES - Carlos Almeida Afonseca de Sampayo Garrido

.por Israel em Portugal, quarta, 4 de maio de 2011 às 07:06.

Cara Família Sampayo Garrido,

Gostaria de começar por ler a tradução Portuguesa do texto que compõe o Certificado de Honra do Yad Vashem – a Autoridade Memorial pelas Vítimas e Heróis do Holocausto:

Este documento certifica que, na sessão do dia 2 de Fevereiro de 2010, a Comissão para a Nomeação dos Justos, criada pelo Yad Vashem e com base em provas fundamentadas apresentadas perante si, decidiu homenagear Carlos Sampayo Garrido, que, durante o Holocausto na Europa, arriscou a própria vida para salvar Judeus perseguidos.

A Comissão concede-lhe, pois, a medalha dos Justos entre as Nações.
O seu nome ficará para sempre gravado na parede de honra patente no Jardim dos Justos do Museu do Holocausto – Yad Vashem - em Jerusalém.

Jerusalém, Israel, ao vigésimo quinto dia do mês de Sivan de 5770; Sete de Junho de 2010.

Baseados em testemunhos apresentados por alguns sobreviventes e em documentos (alguns do Arquivo do Ministério dos Negócios Estrangeiros Português) analisados pela Comissão para a Nomeação dos Justos, ficámos a saber que:

Em Abril de 1944, logo após a subida ao poder de um novo Governo fascista na Hungria, foi ordenado pelo Governo Português o regresso a Lisboa do Embaixador Sampayo Garrido, mantendo como Encarregado de Negócios em Budapeste o então número dois da Missão. Num telegrama datado de 4 de Abril, Garrido informara Lisboa dos terríveis perigos a que estavam sujeitos os Judeus Húngaros sob cerrada perseguição dos alemães nazis e seus colaboradores húngaros anti-semitas.

As duras medidas contra os Judeus haviam-se intensificado no seguimento dos bombardeamentos Aliados sobre Budapeste a 3 e 4 de Abril de 1944, quando o Governo Húngaro aconselhou as Embaixadas estrangeiras a abandonar Budapeste e a alugar casas fora da cidade. Sampayo Garrido alugou então uma residência para si a sessenta quilómetros de Budapeste, aí acolhendo imediatamente dezenas de pessoas, maioritariamente Judeus, mas também opositores ao regime.

No final de 1944, a polícia política Húngara irrompeu pela casa, prendendo os convidados do diplomata, que iria protestar veementemente contra este processo, insistindo na imunidade da residência. Como resultado do sucedido, prontamente comunicado a Lisboa, Sampayo Garrido conseguiu a libertação dos seus protegidos, trabalhando intensamente para lhes conseguir os passaportes Portugueses que lhes permitiriam a passagem para a Suiça – baseado no precedente do sueco e também diplomata, Raoul Wallenberg - até ter de sair definitivamente do país por ser considerado persona non grata.

Não quero deixar de referir que um processo semelhante foi adoptado mais tarde pelo seu substituto, Alberto Carlos de Liz-Teixeira Branquinho, em relação ao qual já começámos a trabalhar para que lhe seja também e merecidamente atribuído o título de Justo entre as Nações.

Sinto-me orgulhoso, em nome do meu Povo e em nome do meu País, de poder entregar este Certificado aos descendentes de um verdadeiro herói Português e espero que todos possam visitar Jerusalém e ver o nome de Sampayo Garrido eternamente gravado na parede memorial da Avenida dos Justos no Yad Vashem.

O Estado de Israel, que eu represento, saúda a memória do Embaixador Carlos Almeida Afonseca de Sampayo Garrido, um Justo entre as Nações.

Embaixador de Israel
Ehud Gol



.

Mary Travers a 16 de Setembro de 2009 foi quando ela partiu.

terça-feira, 13 de setembro de 2011

ESCRAVATURA NO REINO UNIDO




NO REINO UNIDO EM PLENA ESTÂNCIA TURÍSTICA 24 PESSOAS FORAM LIBERTADAS DE CONDIÇÕES EXTREMAS DE ESCRAVATURA. VIVIAM EM BAIAS PARA EQUINOS, EM ATRELADOS PARA TRANSPORTE DE CÃES E CASOTAS PRECÁRIAS E INSALUBRES DE TIPO SEMELHANTE. ENTRE AS PESSOAS ESCRAVIZADAS DE VÁRIAS NACIONALIDADES ENCONTRAVAM-SE TAMBÉM BRITÂNICOS. ESTES ESCRAVOS ERAM ALICIADOS EM ALBERGUES PARA PESSOAS SEM RECURSOS FINANCEIROS; OFERECIAM-LHES CERCA DE 20 EUROS POR DIA, MAS NO FINAL APENAS RECEBERAM ENCARCERAMENTO E MAUS TRATOS FÍSICOS E PSICOLÓGICOS.

MAIS GRAVE AINDA É QUE SE PENSA QUE A SITUAÇÃO EXISTE HÁ MAIS DE 15 ANOS A JULGAR PELO TESTEMUNHO DA PESSOA QUE HÁ MAIS TEMPO SE ENCONTRAVA ENCARCERADA.

O PIOR DE TUDO É QUE A SITUAÇÃO FOI SEGURAMENTE DENUNCIADA À POLÍCIA BRITÂNICA EM 2008, MAS SÓ AGORA TRÊS ANOS DEPOIS É QUE AS AUTORIDADES INTERVIERAM NESTA INADMISSÍVEL E VERGONHOSA SITUAÇÃO.

sábado, 10 de setembro de 2011

A Ética é uma Fronteira.

Memórias de uma aula de Zeca Afonso em Setúbal - Começar a endireitar esta país no sentido da honestidade. (publicação que MANUELA DA FONSECA fez no "Triplo II", utilizando um relato autobiográfico de HÉLIDA CARVALHO DOS SANTOS)

Posted on 09/09/2011 by [ Edição @ Triplo II ]



Memórias de uma aula de Zeca Afonso em Setúbal


Começar a endireitar este país no sentido da honestidade

Nós temos sempre que mostrar o que somos, temos que ser dignos connosco para sermos dignos com os outros. Por isso, acho que não devem copiar. Há que criar princípios de honestidade e isso começa em vocês, os futuros homens e mulheres de Portugal. Não concordam?

Nótula
Sou Amiga da Hélida [Carvalho Santos] desde a adolescência, marcada, para sempre, pelo nosso percurso no Liceu Nacional de Setúbal e, no comboio, a caminho do mesmo. Já nos conhecíamos há anos mas esse foi o tempo do início de uma relação que perdura e perdurará.
Sei, desde então, dos seus belos escritos, testemunhados pela correspondência comigo, muita dela guardada, com gosto, em pasta informática. Pouco mais li, ao longo destes anos, se exceptuar os textos, oportunos e bonitos, publicados no jornal de um grande clube desportivo.
Imaginava uma grande quantidade por editar porque ela me dizia guardá-los, numa arca, para deixar, como herança, à filha e neta, grandes amores.
Consegui que me enviasse esta preciosidade da qual nada comento.


Manuela Fonseca *
* Colunista do Jornal Rostos



Memórias de uma aula de Zeca Afonso em Setúbal

Barreiro, 4 de Outubro de 1967
(Quarta-feira)

Segundo dia de aulas. Continua o desassossego, com o pessoal a trocar beijos, abraços e confidências, depois desta longa separação que foram 3 meses e meio de férias. Estávamos todos fartos do verão, com saudades uns dos outros. A sala é a mesma do ano passado, no 1º andar e cheirava a nova, tudo encerado e polido, apesar do material já ser mais do que velho. Somos o 7.º A e como não chumbou nem veio ninguém de novo, a pauta é exactamente igual à do ano passado. Eu sou o n.º 34, e fico sentada na segunda fila, do lado da janela, cá atrás, que é o lugar dos mais altos.

Hoje tivemos, pela primeira vez, Organização Política e apareceu-nos um professor novo, acho que é a primeira vez que dá aulas em Setúbal, dizem que veio corrido de um liceu de Coimbra, por causa da política. Já ontem se falava à boca cheia dele, havia malta muito excitada e contente porque dizem que ele é um fadista afamado. Tenho realmente uma vaga ideia de ouvir o meu tio Diamantino falar dele, mas já não sei se foi por causa da cantoria se por causa da política. A Inês contou que ouviu o pai comentar, em casa, que o homem é todo revolucionário, arranja sarilhos por todo o lado onde passa. Ela diz que ele já esteve preso por causa da política, é capaz de ser comunista. Diferente dos outros professores, é de certeza. Quando entrou na sala, já tinha dado o segundo toque, estava quase no limite da falta. Entrou por ali a dentro, todo despenteado, com uma gabardine na mão e enquanto a atirava para cima da secretária, perguntou-nos:
– Vocês são o 7.º A, não são? Desculpem o atraso mas enganei-me e fui parar a outra sala. Não faz mal. Se vocês chegarem atrasados também não vos vou chatear
Tinha um ar simpático, ligeiro, um visual que não se enquadrava nada com a imagem de todos os outros professores. Deu para perceber que as primeiras palavras, aliadas à postura solta e descontraída, começavam a cativar toda a gente. A Carolina virou-se para trás e disse-me que já o tinha visto na televisão, a cantar Fado de Coimbra. Realmente o rosto não me era estranho. É alto, feições correctas, embora os dentes não sejam um modelo de perfeição e é bem parecido, digamos que um homem interessante para se olhar. O Artur soprou-me que ele deve ter uns 36 anos e acho que sim, nota-se que já é velho. Depois das primeiras palavras, sentou-se na secretária, abriu o livro de ponto, rabiscou o que tinha a escrever e ficou uns cinco minutos, em silêncio, a olhar o pátio vazio, através das janelas da sala, impecavelmente limpas.

Enquanto ele estava nesta espécie de marasmo nós começámos a bichanar uns com os outros, cada um emitindo a sua opinião, fazendo conjecturas. Às tantas, o bichanar foi subindo de tom e já era uma algazarra tão grande que parece tê-lo acordado. Outro qualquer professor já nos teria pregado um raspanete, coberto de ameaças, mas ele não disse nada, como se não tivesse ouvido ou, melhor, não se importasse. Aliás, aposto que nem nos ouviu. O ar dele, enquanto esteve ausente, era tão distante que mais parecia ter-se, efectivamente, evadido da sala. Quando recomeçou a falar connosco, em pé, em cima do estrado, já tinha ganho o primeiro round de simpatia. Depois, veio o mais surpreendente:
– Bem, eu sou o vosso novo professor de Organização Política, mas devo dizer-vos que não percebo nada disto. Vocês já deram isto o ano passado, não foi? Então sabem, de certeza, mais que eu.


Gargalhada geral.


– Podem rir porque é verdade. Eu não percebo nada disto, as minhas disciplinas, aquelas em que me formei, são História e Filosofia, não tenho culpa que me tivessem posto aqui, tipo castigo, para dar uma matéria que não conheço, nem me interessa. Podia estudar para vir aqui desbobinar, tipo papagaio, mas não estou para isso. Não entro em palhaçadas.


Voltámos a rir, numa sonora gargalhada, tipo coro afinado, mas ele ficou impávido e sereno. Continuava a mostrar um semblante discreto, calmo, simpático.

– Pois é, não vou sobrecarregar a minha massa cinzenta com coisas absolutamente inúteis e falsas. Tudo isto é uma fantochada sem interesse. Não vou perder um minuto do meu estudo com esta porcaria.


Começámos a olhar uns para outros, espantados; nunca na vida nos tinha passado pela frente um professor com tamanha ousadia.


– Eu estudaria, isso sim, uma Organização Política que funcionasse, como noutros países acontece, não é esta fantochada que não passa de pura teoria. Na prática não existe, é uma Constituição carregada de falsidade. Portugal vive numa democracia de fachada, este regime que nos governa é uma ditadura desumana e cruel.
Não se ouvia uma mosca na sala. Os rostos tinham deixado cair o sorriso e estavam agora absolutamente atónitos, vidrados no rosto e nas palavras daquele homem ímpar. O que ele nos estava a dizer é o que ouvimos comentar, todos os dias, aos nossos pais, mas sempre com as devidas recomendações para não o repetirmos na rua porque nunca se sabe quem ouve. A Pide persegue toda a gente como uma nuvem de fumo branco, que se sente mas não se apalpa.

– Repito: eu não percebo nada desta disciplina que vos venho leccionar, nem quero perceber. Estou-me nas tintas para esta porcaria. Mas, atenção, vocês é outra coisa. Vocês vão ter que estudar porque, no final do ano, vão ter que fazer exame para concluírem o vosso 7.º ano e poderem entrar na Faculdade. Isso, vocês tem que fazer. Estudar. Para serem homens e mulheres cultos para puderem combater, cada um onde estiver, esta ditadura infame que está a destruir a vossa pátria e a dos vossos filhos. Vocês são o amanhã e são vocês que têm que lutar por um novo país.


Não vão precisar de mim para estudar esta materiazinha de chacha, basta estudarem umas horas e empinam isto num instante. Isto não vale nada. Eu venho dar aulas, preciso de vir, preciso de ganhar a vida, mas as minhas aulas vão ser aulas de cultura e política geral. Vão ficar a saber que há países onde existem regimes diferentes deste, que nos oprime, países onde há liberdade de pensamento e de expressão, educação para todos, cuidados de saúde que não são apenas para os privilegiados, enfim, outras coisas que a seu tempo vos ensinarei. Percebem? Nós temos que aprender a não ser autómatos, a pensar pela nossa cabeça. O Salazar quer fazer de vocês, a juventude deste país, carneiros, mas eu não vou deixar que os meus alunos o sejam. Vou abrir-lhes a porta do conhecimento, da cultura e da verdade. Vou ensinar-lhes que, além fronteiras, há outros mundos e outras hipóteses de vida, que não se configuram a esta ditadura de miséria social e cultural.


Outra coisa: vou ter que vos dar um ponto por período porque vocês têm que ter notas para ir a exame. O ponto que farei será com perguntas do vosso livro que terão que ter a paciência de estudar. A matéria é uma falsidade do princípio ao fim, mas não há volta a dar, para atingirem os vossos mais altos objectivos. Têm que estudar. Se quiserem copiar é com vocês, não vou andar, feita toupeira, a fiscalizá-los, se quiserem trazer o livro e copiar, é uma decisão vossa, no entanto acho que devem começar a endireitar este país no sentido da honestidade, sim porque o nosso país é um país de bufos, de corruptos e de vigaristas. Não falo de vocês, jovens, falo dos homens da minha idade e mais velhos, em qualquer quadrante da sociedade. Nós temos sempre que mostrar o que somos, temos que ser dignos connosco para sermos dignos com os outros. Por isso, acho que não devem copiar. Há que criar princípios de honestidade e isso começa em vocês, os futuros homens e mulheres de Portugal. Não concordam?


Bem, por hoje é tudo, podem sair. Vemo-nos na próxima aula.


Espantoso. Quando ele terminou estava tudo lívido, sem palavras. Que fenómeno é este que aterrou em Setúbal?


Já me esquecia de escrever. Esta ave rara, o nosso professor de Organização Política, chama-se Zeca Afonso.

Hélida Carvalho Santos