terça-feira, 27 de outubro de 2015

Conceição Matos e Domingos Abrantes - Testemunhos de quem lutou pela liberdade.

Narrativas na primeira pessoa de quem lutou e sofreu para vivermos numa sociedade melhor. Talvez nos detalhes do que era a repressão, quem não viveu esse tempo, possa imaginar o perigo de viver numa sociedade em que não há liberdade.




Luaty Beirão terminou Greve da Fome.

Fico agradecido.

sábado, 24 de outubro de 2015

A Luaty Beirão



Nunca antes tinha ouvido falar de ti
Saíste para o deserto
Como os anacoretas
Levaste contigo as palavras
Serenidade e temeridade 
                          

Comentaram que no teu nome
Existe um ípsilon antigo
De abysmo profundo
Entre fragas medonhas

Disseram que tens 33 anos,
Aquela idade em que é possível
Perder tudo e ganhar
A imaterialidade da qual se julga
Serem feitos os Ideais
-essas mentiras que nos mantêm vivos
quando a verdade nos mata
e na realidade falecemos aos outros

O teu jejum aproxima-se
Daquele ponto sem retorno
A que uns chamam santidade
Por nele reconhecerem a transcendência
E a iluminação que servindo ao próprio
Serve de farol aos outros
Para que não se percam

A Morte, bem vês, está ajoelhada a teu lado
Sendo paciente como é
Não se importa de voltar depois

Ocorreu-me, vê lá tu,
Que os bailarinos são como
Peixes que querem ser pássaros.
E que mal é que isso tem?
Sabendo nós que há pássaros
Que nadam profundamente nas águas
E peixes que voam bem fora delas
Sem que deixem de ser aquilo que são

Nesse deserto onde estás lutando
Dizem existir um Xamã
Que canta e dança por nós,
Que sabe mergulhar na terra árida
E dela retirar raízes de água e de pão...
Agora que tudo te parece antigo e breve
E no desapego da tua dissociação
Vês teu corpo frágil
Ganhar a força do turbilhão e da tempestade,
E o teu raciocínio agudo é clarividência,
Por favor trá-lo contigo
Para que os obstinados se apazigúem
E os que não enxergam possam conhecer
Volta! 
Esperamos-te!  

         

"Put A Lid On It"



Put a lid on it what's that you say?
Put a lid on it oh man, no way
Put a lid down on it, and everything will be all right
Put a lid on it don't hand me that
Put a lid on it I'm all right, Jack
Put a lid down on it, before somebody starts a fight
Say, every time I turn it loose
Your cats come down and cook my goose
When I start I just can't stop
But if you keep this up you're gonna blow your top
Put a lid on it too late this time
Put a lid on it I've got to get what's mine
Put a lid down on it and everything will be all right
Well, grab your drink and clear a space
I think it's time to torch this place
Now the girl's in overdrive
Some of your pals want to stay alive
I'll put a lid on it I'll put a lid on it
I'll put a lid down on it
Save it for another night

Songwriters
MAXWELL, THOMAS

sexta-feira, 23 de outubro de 2015

quinta-feira, 22 de outubro de 2015

A morte a distância.



Inocentes como crianças,
teclam escolhas, 
fixam alvos...
Como num jogo de vídeo...
Cândidos Tele-Homicidas 
conduzidos por preceptores letais
realizam a maravilha 
de matar a distância 
Executam com eficácia tecnológica
matar é sempre bem e de forma limpa...
a longa distância.
Ó Sofisticados meninos de ouro
que causam a morte sem mal.


Na Antiguidade ficou a ruína
guerreira e brutal:
A morte corpo a corpo,
cara a cara.
O sicário que mata a curta distância 
pinto de sangue, escorrendo urina,
gemendo desespero,
fedendo...
é horrendo!
É a desumanidade surda,
na sua fealdade real
pode ser cinematográfico,
mas não é cinemático...
nem isento de "burnout".

Como são belos os guerreiros virtuais!
Sofisticados subtis e brilhantes,
iluminados por consolas fractais,
semideuses de unhas polidas 
uniformes engomados
em olimpos climatizados
aromatizados com fragrâncias naturais.

Oxalá sua vigília nos guarde o sono
de deuses infernais
Seus ágeis dedos nos livrem
da mira dos mentores
que na confusão de sonhos
ou na certeza da decisão
nos tomem por alvos banais,
e soframos na carne o pesadelo 
dos danos colaterais
(continua) 





domingo, 18 de outubro de 2015

tranca



Anoitecimento

A grande Noite sempre esteve
mas não era em nós porque a recusávamos.
Éramos jovens porque também eram jovens as coisas antigas que conhecíamos.
Desde quando nos doem as mãos geladas
e porque é que isso ganhou importância agora?

segunda-feira, 5 de outubro de 2015

TREVA.

Muitas cores tem a Treva e passam elas nela como num arco-íris ou num sonho.

"as mais belas praias", "os melhores vinhos", "a melhor sanduíche", "a maior onda", "o melhor peixe", "o melhor hotel", "o melhor vinho", "os melhores arquitectos", "a mais bela praça", "o melhor destino turístico", "o mais belo rio", "o povo mais simpático", "os mais hospitaleiros", "os mais honestos", "os melhores trabalhadores", "os mais dignos", "os mais asseados", os dispensáveis




O TRÊVO QUE LEVA A TREVA



























VIVA A REPÚBLICA!






domingo, 4 de outubro de 2015

...vai de carrinho.


esquemas









































Hoje dia de eleições legislativas, muitas mesas de voto foram extintas. Cidadãos que vão votar são redireccionados para outro local de voto. Muitos desistem.




sábado, 3 de outubro de 2015

O Grande Mêdo: O medo é causa das doenças de boa parte da humanidade.


Adicionar legenda


"O medo é causa das doenças de boa parte da humanidade.
Nós julgamos ser o que há de mais evoluído na Natureza, mas são as plantas o que de mais avançado há na Natureza.
As plantas são energia pura.
As Plantas são Deus.
Não precisam de fugir.
Sabem que não é preciso fugir."

B. C.

quinta-feira, 1 de outubro de 2015

Francisco de Quevedo (1580-1645)

Pues amarga la verdad,
Quiero echarla de la boca;
Y si al alma su hiel toca,
Esconderla es necedad.
Sépase, pues libertad
Ha engendrado en mi pereza
La Pobreza.


¿Quién hace al tuerto galán
Y prudente al sin consejo?
¿Quién al avariento viejo
Le sirve de Río Jordán?
¿Quién hace de piedras pan,
Sin ser el Dios verdadero
El Dinero.

 
¿Quién con su fiereza espanta
El Cetro y Corona al Rey?
¿Quién, careciendo de ley,
Merece nombre de Santa?
¿Quién con la humildad levanta
A los cielos la cabeza?
La Pobreza.


¿Quién los jueces con pasión,
Sin ser ungüento, hace humanos,
Pues untándolos las manos
Los ablanda el corazón?
¿Quién gasta su opilación
Con oro y no con acero?
El Dinero.


¿Quién procura que se aleje
Del suelo la gloria vana?
¿Quién siendo toda Cristiana,
Tiene la cara de hereje?
¿Quién hace que al hombre aqueje
El desprecio y la tristeza?
La Pobreza.



 
¿Quién la Montaña derriba
Al Valle; la Hermosa al feo?
¿Quién podrá cuanto el deseo,
Aunque imposible, conciba?
¿Y quién lo de abajo arriba
Vuelve en el mundo ligero?
El Dinero.

claro/escuro