domingo, 14 de junho de 2020

Kalanchoe daigremontiana - Bryophyllum daigremontianum





















É uma planta natural de Madagáscar. 
Dizem que na rota da escravatura também ela foi levada para a América do Sul. Hoje é como se fosse uma planta latino-americana e a sua origem é até ignorada por quem a usa.
É conhecida por muitos nomes. Mesmo o seu nome científico mudou para Bryophyllum daigremontianum
No Brasil é conhecida por Aranto
Chamam-lhe também Planta Mãe-de-mil.
Planta maternidade.
Planta chapéu mexicano.
Planta jacaré. 

segunda-feira, 8 de junho de 2020

Desenhos encontrados: Beatriz Cunha.



Vi desenhos pequenos do tamanho de um sêlo de correio transformarem-se em grandes esculturas de grande formato.  
Alguns desenhos passaram por uma fase de modelo tridimensional em terracota; outros saíram directamente do papel para a pedra, ou para a cêra que daria o bronze.
Sempre me impressionou o rigor desses pequenos desenhos face à concretização da peça final. 
Este tem 6 x 5,5 cm.

quinta-feira, 28 de maio de 2020

Alber Coombs Barnes e George Floyd. - Barnes the Collector




Não sei de mais trágica ironia que o homicídio de um homem forte e saudável por sufocação durante um período em que um vírus corre o mundo matando pessoas precisamente por falta de ar.
 O vírus que se agarra aos pulmões e subjuga o seu hospedeiro tem sucesso com pessoas fragilizadas da mesma maneira que o esbirro que matou George Floyd teve sucesso por George Floyd estar com as mãos algemadas atrás das costas enquanto o seu executor com um joelho esquerdo lhe esmagava o pescoço e com o outro os rins.
Quis fazer um desenho mas não consegui. O choque quando é muito traumático não propicia a acção. Sobrevém o atordoamento. Lembrei-me então de Barnes. Albert Barnes, o coleccionador de arte.
“Dele” ainda guardo o catálogo da exposição da sua colecção que inaugurou no Museu d’Orsay em Paris no distante ano de 1993 em Setembro e se manteve até Janeiro de 1994. Foi a primeira vez que deixou a sua fundação. Fica aqui a história de Barnes o Coleccionador.


























quarta-feira, 27 de maio de 2020

Entrevista Josep Pàmies (Dolça revolució).







Para perceber o absurdo de ilegalizar uma planta.


Para questionar o motivo porque há hoje uma criança autista por cada setenta (1/70) enquanto poucos anos antes eram um em cada mil (1/1000).


Para receber tanta outra informação e despertar para realidades que são ocultadas dos cidadãos, pelos meios que deviam esclarecer e dar essa informação.

















segunda-feira, 25 de maio de 2020

O "estado da arte" no "combate ao COVID 19" o "utente" esclarecido.


O "estado da arte" no "combate ao COVID 19" os "vasos comunicantes".


O "estado da arte" no "combate ao COVID 19" os "vasos comunicantes". Cara a cara ou "tête-à-tête".


lenitivo para a dor de cabeça


Contra a dor
sózinho não podes nada,
sequer andar, ou subir um degrau.
Pensa então nos pássaros, 
no peto-verde
-o perfume do pez-
o breve eco do seu martelar
atravessando o pinhal,
o arrulhar da rola.

Usa a memória:
estalava a caruma sob a sola, 
e nela escorregavam as botas 
sem firmeza nem aderência,
não era a carne das mãos 
esfaceladas na queda
nem o sarcasmo que doíam
...dói-te a cabeça? agarra-a!
era a dor da Austerlina que doía
a faixa branca revelando
as negras rodelas de batata
a dor vertida no sudário
feito de tiras de lençol
a Mariquinhas fatiando
novas rodelas e selando
com ternura os olhos e as fontes
o luto perene rompido
nas alvas ligaduras
da cabeça enfaixada
e aquele afloramento rosado
na tibieza dos joelhos flectidos
as rótulas abrindo a malha 
das meias pretas
moldando o silêncio e o desejo.

Sem clarão 
o inesperado estampido,
a trovoada de Maio
arrepiando a pele,
sarjando as nascentes
e os tímpanos. 
No limite da dor 
a cabeça submersa
em desfalecimento.




domingo, 24 de maio de 2020

Respiro de boca aberta





Respiro de boca aberta,
e não há poesia nisso
-dói-me a cabeça muitíssimo-
que poesia na dor pode haver?
Sinto o meu corpo a lutar,
uma força sedativa quebra-me 
a vontade e aos poucos a dor.
Ofegante e sem alento
triste e entristecido ouço
dentro das têmporas
o bater do badalo 
a pulsação 
uma flor estiolada
estala e ribomba
ao precipitar-se na erva
de borco.



segunda-feira, 11 de maio de 2020

Mãos de Barro - Reinata Sadimba



Reinata Sadimba não fala português. 
É uma forma afirmativa de não perder a sua identidade. Compreende perfeitamente a língua portuguesa mas não a quer falar para não deixar de ser quem é. 
Pediu-me para lhe desenhar serpentes. Gostou das cobras que eu desenhei. Mais do que outro boneco qualquer. 
Talvez tenha visto nos meus bonecos mais do que um fabulário moldado por uma língua e pela maneira de interpretação da realidade que ela proporciona. Talvez tenha sentido que nos meus bonecos perpassava um bestiário fantástico de seres híbridos e simbióticos do qual todos fazemos parte em acções e pensamentos. 
Pessoas, animais, insectos, fungos, bactérias, vírus; a nossas robustez e a nossa fragilidade através de uma linguagem simbólica e universal; sem linhas de fronteira, sem muros, sem arame farpado.

segunda-feira, 27 de abril de 2020

A Alegria das Aves - 37 CHANTS D'OISEAUX



1 PINSON DES ARBRES Fringilla coelebs 2 ROUGEGORGE FAMILIER Erithacus rubecula 3 MERLE NOIR Turdus merula 4 ÉTOURNEAU SANSONNET Sturnus vulgaris 5 MÉSANGE CHARBONNIÈRE Parus major 6 TROGLODYTE MIGNON Troglodytes troglodytes 7 MOINEAU DOMESTIQUE Passer domesticus 8 ROSSIGNOL PHILOMÈLE Luscinia megarhynchos 9 GORGEBLEUE À MIROIR Luscinia svecica 10 LORIOT D'EUROPE Oriolus oriolus 11 JASEUR BORÉAL Bombycilla garrulus 12 MARTIN-PÊCHEUR Alcedo atthis 13 CHARDONNERET ÉLEGANT Carduelis carduelis 14 MÉSANGE BLEUE Cyanistes caeruleus 15 ROITELET HUPPÉ Regulus regulus 16 GRIVE MUSICIENNE Turdus philomelos 17 PANURE À MOUSTACHES Panurus biarmicus 18 ORITE À LONGUE QUEUE Aegithalos caudatus 19 ROUGEQUEUE à FRONT BLANC Phoenicurus phoenicurus 20 MESANGE NONNETTE Poecile palustris 21 HYPOLAÏS ICTÉRINE Hippolais icterina 22 ROITELET À TRIPLE BANDEAU Regulus ignicapilla 23 BOUVREUIL PIVOINES Pyrrhula pyrrhula 24 VERDIER D’EUROPE Chloris chloris 25 PIE BAVARDE Pica pica 26 SITTELLE TORCHEPOT Sitta europaea 27 GRIMPEREAU DES JARDINS Certhia brachydactyla 28 PIC VERT Picus viridis 29 MÉSANGE HUPPÉE Lophophanes cristatus 30 TARIN DES AULNES Spinus spinus 31 ACCENTEUR MOUCHET Prunella modularis 32 BEC-CROISÉ DES SAPINS Loxia curvirostra 33 LINOTTE MÉLODIEUSE Linaria cannabina 34 PINSON DU NORD Fringilla montifringilla 35 POUILLOT VÉLOCE Phylloscopus collybita 36 POUILLOT FITIS Phylloscopus trochilus 37 GEAI DES CHÊNES Garrulus glandarius





quarta-feira, 22 de abril de 2020

Neste tempo de afastamento social e clausura, recupero uma caixa que montei em 2012 e que foi exibida numa exposição em 2014. "A caixa da memória".



O odor, através do olfacto de quem cheira, pode ser uma forma de viajar no tempo. Num instante o espaço transforma-se e mesmo o tempo mais remoto torna-se presente e permanece. Viajamos pois nessa dimensão chamada memória que Marcel Proust bem caracterizou.
Nos testes de avaliação de doença mental degenerativa ou demência é por vezes usada uma caixa de aromas. Eis a minha "caixa de memória".



terça-feira, 21 de abril de 2020

Rambóia e rambômania têm alguma coisa a haver de Rimbaud?























Tive um colega chamado Rambóia e lembro-me bem dele. 
O trabalho levou-lhe um olho e deu-lhe calos tão espêssos que agarrava brasas vivas sem se queimar; cortava as unhas grossas com a navalha alentejana; vestia camisolas com riscas à marinheiro; tinha voz rouca e entretinha-se a cavar uma horta que alimentava a família e os mais necessitados do seu bairro.
O Rambóia a que alguns chamavam Ti Rambóia era alegre e folgazão.


Rambóia - Pândega, paródia, folguedo, divertimento, farra, folia, galhofa, boémia, vadiagem, borga,vida airada, estroinice, laréu, boa-vai-ela.