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domingo, 14 de julho de 2024

Escultura Beatriz Cunha

Recomendo a observação que Beatriz Cunha faz da Vida tal como ela é definida na Língua Grega Clássica pelas duas expressões diferentes: ZOE e BIO.
A multiplicidade técnica que Beatriz domina com a utilização de tantos materiais diferentes. A sua capacidade de realização concretizando as suas obras através do barro; da fundição de metais tanto pelo método de modelação e formação em areia, como na técnica da cêra perdida. A relevância do seu trabalho em vidro, tanto pela técnica de sôpro livre, como pela utilização de sopro conformado por fôrma ou pelo vazamento do vidro em molde. A escultura em pedra; a escultura construtiva em larga dimensão em pedra, em madeira, em papel.
A assemblage de elementos usando uma estrutura narrativa que integra a fotografia a cianotipia o desenho.
A recuperação de salvados marítimos de embarcações desmanteladas para reconstruir a partir dessa madeira uma pró história.
Beatriz Cunha expande para o futuro o nosso quotidiano, alicerçando na História da Arte e na memória o melhor da nossa Identidade comum.





 


terça-feira, 6 de junho de 2023

Escultura de Beatriz Cunha - Luva Jardim

Beatriz Cunha cria a possibilidade da escultura ter movimento, ter cor, usar materiais brandos, integrar a minúcia da acção cronológica e ser retrospectiva. Uma escultura que recria a Natureza na sua exuberância festiva. Uma escultura que sendo fio, urdidura e trama parece adereço mas é signo e agasalho.

quinta-feira, 8 de setembro de 2022

Beatriz Cunha - (Linóleo com gouache.) - Coração.



Primeiro foi uma prova de estado de uma gravura em desenvolvimento.
Depois uma folha de papel ao lado da mesa de tintagem que foi guardada no maço de folhas que dão pena ir para o lixo.
Anos mais tarde a folha sofreu uma coloração.
Parecia destinada a ser enviada a alguém até ocupar o espaço das coisas que não queremos sentir falta.
Foi então que ganhou uma autenticação da autora.




quinta-feira, 30 de setembro de 2021

"Heavy Colours". Na Galeria de Arte do Casino Estoril a Exposição com Escultura de Beatriz Cunha e Pintura de Branislav Mihajlovic é naugurada hoje quinta-feira 30 de Setembro pelas 19:00h e termina a 25 de Outubro de 2021. Texto no catálogo.


 






















Os horizontes por construir

Vivemos um tempo em que o horizonte foge à contemplação. Encontramo-nos perdidos no turbilhão. Basculamos.

Há notícias de cidades longínquas mergulhadas na bruma industrial em que grandes placards de luzes brilhantes anunciam o nascer e o pôr-do-sol.

As fronteiras mais presentes e mais fechadas delimitam territórios e tornam proíbido o que era livre. A Humanidade que caminhou sempre e se ergueu caminhando, está agora confinada.

Encerradas as fronteiras às pessoas, apenas as mercadorias passam e passam pessoas enquanto mercadorias.

Nunca houve tanta segregação nem tantos muros foram erguidos.

A esperança é uma linha imprecisa que o olhar adivinha no espaço e no tempo. O não desistir requer um esforço continuado para transpor inumeráveis obstáculos mas não há alternativa para a miragem.

A luz enfim materializa as cores e as formas. A luz interior que revela a realidade que nenhum “smog” pode turvar. É trabalho e responsabilidade do artista trazer essa luz.

Materializar os horizontes, concretizar a cor que a percepção não encontra num tubo de tinta; sintetizar influências e inquietações; recuperar dos escolhos destroços de naufrágios; reaproveitar salvados para construir outra vez; ter presente a arqueologia, a história, a ciência e a par dessa memória e entendimento buscar a totalidade é o que aqui nesta exposição Beatriz Cunha e Branislav Mihajlovic se propõem.

Reflectir, encontrar soluções, dar resposta e suscitar a curiosidade para perguntar de novo, para compreender o inexplicado, é o que caracteriza este labor filosófico e oficinal que aqui se mostra.

 

Luís Filipe Gomes