O desenhador de serviço sente-se triste e desconsolado, como quando ficou de olhos postos no chão, sem compreender como se dera a queda da bola do seu primeiro gelado, e sem remédio ali ficara: caída; derramada; e fundida; no pavimento quente, junto ao carril da linha de eléctrico.
Talvez o desenhador não devêsse ter assumido tal responsabilidade, pois foi como se ele, o desenhador, tivesse ficado submerso, no limite do afogamento, como quando na tenra idade cometeu a imprevidência de caminhar na orla polida do fontanário de repuxo do jardim público e nele caíu.
Ao desenhador ter-lhe-á faltado o engenho? O ânimo no tirocínio? Ou quem sabe o instrumento?
Faltou-lhe o instrumento! (Com certeza o instrumento!) ou?...
Talvez se tenha entretido com coisas prosaicas como hortaliças e sopa de legumes...
Ou então por razão desconhecida, deixou-se cativar. Prender. Ou terá sido apanhado pela escuridão da noite que vai caindo.
A verdade é que independentemente do motivo, o desenhador no dia de ontem limitou-se a publicar apenas 2 desenhos. Sómente 2 desenhos. Falhando assim o desafio que lhe fôra feito por Constança Lucas e defraudando assim o seu convite.
Sendo vedado ao desenhador, por sua industriosa falta, a possibilidade de fazer a outros o convite que a ele endereçaram, muita alegria e emoção sentiria ele se outros fizessem aquilo que ele não foi capaz.
O DESENHADOR LAMENTA O SUCEDIDO.























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