sexta-feira, 27 de outubro de 2023
quinta-feira, 26 de outubro de 2023
segunda-feira, 23 de outubro de 2023
domingo, 22 de outubro de 2023
sábado, 21 de outubro de 2023
terça-feira, 17 de outubro de 2023
segunda-feira, 16 de outubro de 2023
domingo, 15 de outubro de 2023
sábado, 14 de outubro de 2023
Faz hoje um mês que a minha Mãe, Maria Fernanda Duarte Gomes Faleceu. A casa onde nasceu na aldeia de Grijó, Freguesia de Cabril, Concelho de Castro Daire, Distrito de Viseu.
A montagem de fotografias mostra a casa já em ruína. No primeiro andar logo à entrada da porta havia um forno de pedra, como mostra a fotografia do lado direito.
É uma terra de xisto na Serra de Montemuro. Com essas lousas tudo se
construía: As paredes das casas e os seus telhados. Pavimentavam-se os caminhos
com as pedras em cutelo para que o piso fosse antiderrapante na subida dos
declives acentuados. Com essas rochas que foram leito de um mar anterior à
humanidade nos antípodas da Europa há 465 milhões de anos, quando os
continentes não eram o que hoje são tudo se fazia: desde as pequenas ardósias onde
se aprendia a escrever até ao enorme quadro negro que da escola primária à
faculdade podia albergar as primeiras letras ou as equações matemáticas mais
complexas.
É uma terra de montanha na Serra de Montemuro. A norte corre o Rio Douro a sul O Rio Paiva, A Paiva. Nesta Serra onde as neves perduram para além das que cobrem as montanhas mais altas.
A vida era árdua e austera, no tempo em que a minha mãe nasceu havia uma corrente de emigração para o Brasil onde qualquer trabalho possibilitava uma vida acima do limite da subsistência e da pobreza.
Depois veio o Volfrâmio. O volfrâmio-W, a que hoje
chamamos tungsténio, foi usado durante a Segunda Guerra Mundial para fazer superligas
de aço utilizadas para fins militares entre os quais os projécteis capazes de
perfurar as blindagens dos carros de combate. Portugal era nessa altura o maior
produtor mundial. Toda a Serra foi esburacada na procura dessas pedras pesadas. Depois após breve desafogo a vida voltou a ser difícil como antes, nessa altura pelos 14 anos nesse êxodo rural em que se partia para o Brasil, para o Porto ou para a capital, a minha Mãe vem para Lisboa.
quinta-feira, 21 de setembro de 2023
quinta-feira, 14 de setembro de 2023
A minha Mãe faleceu hoje de madrugada aos 88 anos. Fica a fotografia de dias melhores no tempo das Cerejas perto de Resende com o Douro em baixo. Comprámos cerejas à beira da estrada em vários sítios. Eram todas de variedades diferentes e deliciosas. Levámos cerejas para oferecer a todos os vizinhos da aldeia, Esse género de gentileza mesmo nas pequenas coisas deixavam a minha mãe feliz. Agradeço Mãe tudo o que me ensináste e aquilo que não fui capaz de aprender.
segunda-feira, 11 de setembro de 2023
domingo, 10 de setembro de 2023
sexta-feira, 8 de setembro de 2023
quinta-feira, 7 de setembro de 2023
domingo, 3 de setembro de 2023
sábado, 2 de setembro de 2023
terça-feira, 29 de agosto de 2023
Água numa terra árida.
segunda-feira, 28 de agosto de 2023
domingo, 27 de agosto de 2023
quinta-feira, 24 de agosto de 2023
quarta-feira, 23 de agosto de 2023
sábado, 19 de agosto de 2023
Ao Haroldo de Campos
Como se
fôsse possível ele disto saber ou ter alguma curiosidade.
Doíam-lhe as pontas dos dentes,
uma nevralgia comum
nos que combatem o escorbuto
comendo limões à dentada.
-A piorreia vai-lhe levar os dentes-
Disse-lhe a periodontologista
Numa das raras aparições
em que não entregara a consulta à higienista
para passar no ginásio de “fitness”,
ou fornicar com o amante
-Falta de limpeza! O sr. não lava os dentes?
-(…)
-Pelo menos não os lava como deve ser!
-(…)
O senhor fuma?
-(…)
-Tanto tártaro… Pedra; sabe!
-(…)
-Mas afinal o que é que andou a comer?...
-(…)
-Bebe muito chá?
- (…)
Curcuma! Dir-lhe-ía
se possível fôsse responder,
boca escancarada;
de um lado a fresa pneumática,
de outro a cânula de aspiração de líquido.
A estrutura do poder é essa
Provocar a ansiedade. Julgar.
Causar o sofrimento.
A sugestão da dor
pela sensibilidade antecipada da dor.
Implantar uma raiz de mêdo.
Deixar uma marca indelével:
Uma cruz numa porta
que se receou apagar
ou uma estrêla que se cose na veste
com a côr amarela
com que a açafroa tinge o aço.
Desistiu das consultas de periodontologia
quando uma dor violenta
o levou de urgência a um dentista.
Após radiografias
e dois pareceres médicos independentes
o estomatologista extraiu-lhe 4 dentes sem cáries
que tinham ganho quistos nas raízes.
Decidiu nesse momento inconsciente
morrer desdentado, velho,
contra a opinião das amigas
que lhe palpavam o “look”.
Um sibilar novo alterara-lhe a loquacidade,
devido a falta dos incisivos 42,41,31 e 32.
Passou assim a expressar melhor
a fundamentação do desprezo
pela ignorância dos deuses médicos
dessa outra especialidade clínica.