quinta-feira, 5 de abril de 2012

Carlos Guastavino (1912-2000) - hoje é o centenário do nascimento deste compositor argentino que nos deixou há doze anos.

"La Rosa y el Sauce"

Esta pequena obra-prima em forma de canção é bem o exemplo da genialidade do compositor argentino.

O poema relata a paixão de um salgueiro por uma rosa que abriu enlaçada nele e o desgosto sofrido que perdura até hoje, desde que uma menina coquete arrancou a rosa e a levou.
É vulgar designar os salgueiros que bordejam os rios por chorões, a lenda de cariz popular interpretou assim a maneira como estas árvores derramam os seus ramos nas águas.
Esta observação poética da cultura popular torna-se transcendente por ser de facto uma reflexão sobre a morte e a morte antes de tempo, numa vida que em si é breve.


Não encontrei nenhuma interpretação disponível que reunisse de forma aceitável as qualidades interpretativa e sonora, a versão de Marcela Inguanzo boa na interpretação tem falta de qualidade sonora.
Nesta peça tão delicada as cantoras e os cantores tendem a exageros vocais que obscurecem a claridade da palavra e do palpitar do coração, dado pelo piano que continua a bater e é a representação da própria vida que não pára, apesar da dor.
A interpretação de José Carreras é das melhores, talvez por ser ele próprio uma rosa quase levada antes de tempo por essa menina caprichosa que é a morte.
Gosto também muito da interpretação de Alexandra Gravas, mas essa não a consegui publicar.


La rosa se iba abriendo
Abrazada al sauce,
El árbol apasionada,
La amaba tanto!
Pero una niña coqueta
Se la ha robado,
Y el sauce desconsolado
La está llorando.

Letra de Francisco Silva y Valdés

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