sábado, 12 de novembro de 2022

"Beim schlafengehen" - Hermann Hesse - Richard Strauss - Gundula Janowitz - Herbert von Karajan - Berlin Philarmonic Orchestra -1973.

"Beim schlafengehen 2"


 

"Beim schlafengehen" - Hermann Hesse - Richard Strauss - Lisa della Casa - Karl Böhm - Wiener Philarmoniker Orchestra - 1953

"Beim schlafengehen"


 

Beim schlafengehen

Não havia

Nem copos nem canecas

Havia malgas

Havia colheres, garfos

Facas corticeiras

o gume em unha lunar

de migar o caldo

E abrir o pescoço

A frangos e galinhas velhas

-Não é impune

Ser macho novo

Ou fêmea velha.

 

Havia

Uma guerra no ultramar

que orfanava as mães

dos filhos jovens

-tão moços alguns

que morriam sem saber

a primeira vez-

Havia o tremeluzir do lume

Do pinho estalando

Centelhas no breu

Havia o gasómetro de carbureto

para ir à coorte

nas noites de parir

Havia o perfume do mato

roçado de fresco

a alcatifar o pátio,

a livrar do chiqueiro

o caminho do forno

para o pão semanal

a temperar a parede sul

onde as laranjeiras

se abrigavam das geadas

e as poedeiras faziam pousio

e chocavam pintos…

 

Pudesse eu dormir assim,

tépido neste Inverno.




quarta-feira, 2 de novembro de 2022

Nefelibata



Já soube o que era nefelibata

não me recordo agora o que é

Ando cabisbaixo e respiro mal

Comprei um almoço salgado

que comi com ansiedade faminta

ainda não parei de beber água

Não sinto a alegria solarenga 

deste Novembro de castanhas e vinho

cabeça pesada apesar faltar o vinho

na sofreguidão do almoço,

tonto como se tivesse rodopiado

até a queda procurar o amparo do chão

e o repouso dos que se atiram

A sensibilidade é uma deficiência

é a fragilidade que impede a alegria

esta noite dormi para lá da insónia,

bebi o café matutino,

não comi queijo da ilha nem chocolate,

o almoço não estava picante,

tenho taquicardia!

dá-me para escrever

se conseguisse cantar o que escrevo

seria poesia assim é poisia

porque poiso à janela

cabisbaixo enquanto olho

o pontapear do neto do Esteves

no terraço do prédio ao lado

a bola contra o muro

ora o lado do cão verde

ora o lado do jóquei

o golo a cabeça sonhando

o aplauso soando

o corpo golo suando

até uma mão na nuca me parar

e impedir olhar a multidão

a ovação lá no alto

“a vizinha de baixo queixou-se novamente

do barulho da correria”

no corredor para lá e para cá

atrás da bola e do golo

Olho as núvens, o neto do Esteves parou

Não ouço o ribombar da bola no muro

Bebo mais um gole de água.

Penso em pontuação

e em erros de ortografia.