segunda-feira, 14 de novembro de 2022
domingo, 13 de novembro de 2022
sábado, 12 de novembro de 2022
"Beim schlafengehen"
Beim schlafengehen
Não havia
Nem copos nem canecas
Havia malgas
Havia colheres, garfos
Facas corticeiras
o gume em unha lunar
de migar o caldo
E abrir o pescoço
A frangos e galinhas velhas
-Não é impune
Ser macho novo
Ou fêmea velha.
Havia
Uma guerra no ultramar
que orfanava as mães
dos filhos jovens
-tão moços alguns
que morriam sem saber
a primeira vez-
Havia o tremeluzir do lume
Do pinho estalando
Centelhas no breu
Havia o gasómetro de carbureto
para ir à coorte
nas noites de parir
Havia o perfume do mato
roçado de fresco
a alcatifar o pátio,
a livrar do chiqueiro
o caminho do forno
para o pão semanal
a temperar a parede sul
onde as laranjeiras
se abrigavam das geadas
e as poedeiras faziam pousio
e chocavam pintos…
Pudesse eu dormir assim,
tépido neste Inverno.
sexta-feira, 11 de novembro de 2022
quarta-feira, 9 de novembro de 2022
terça-feira, 8 de novembro de 2022
segunda-feira, 7 de novembro de 2022
domingo, 6 de novembro de 2022
sábado, 5 de novembro de 2022
quarta-feira, 2 de novembro de 2022
Nefelibata
Já soube o que era nefelibata
não me
recordo agora o que é
Ando cabisbaixo
e respiro mal
Comprei um
almoço salgado
que comi com
ansiedade faminta
ainda não
parei de beber água
Não sinto a alegria solarenga
deste Novembro de castanhas e vinho
cabeça pesada
apesar faltar o vinho
na
sofreguidão do almoço,
tonto como
se tivesse rodopiado
até a queda procurar
o amparo do chão
e o repouso
dos que se atiram
A
sensibilidade é uma deficiência
é a
fragilidade que impede a alegria
esta noite dormi
para lá da insónia,
bebi o café
matutino,
não comi queijo
da ilha nem chocolate,
o almoço não
estava picante,
tenho taquicardia!
dá-me para
escrever
se
conseguisse cantar o que escrevo
seria poesia
assim é poisia
porque poiso
à janela
cabisbaixo enquanto
olho
o pontapear
do neto do Esteves
no terraço do
prédio ao lado
a bola
contra o muro
ora o lado
do cão verde
ora o lado do
jóquei
o golo a
cabeça sonhando
o aplauso
soando
o corpo golo
suando
até uma mão
na nuca me parar
e impedir
olhar a multidão
a ovação lá
no alto
“a vizinha
de baixo queixou-se novamente
do barulho
da correria”
no corredor para
lá e para cá
atrás da
bola e do golo
Olho as
núvens, o neto do Esteves parou
Não ouço o
ribombar da bola no muro
Bebo mais um
gole de água.
Penso em pontuação
e em erros
de ortografia.

















































