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sexta-feira, 8 de maio de 2020
segunda-feira, 8 de abril de 2019
segunda-feira, 30 de abril de 2018
quarta-feira, 7 de fevereiro de 2018
Léo Ferré - Avec le Temps - Um dos meus
Léo Ferré escreveu esta canção quando tinha a idade que hoje eu tenho. Sobre a emoção avassaladora que ela me provocou ainda no tempo em que eu era jovem e imortal nada posso dizer. Foi como subir a uma montanha e no limiar da extinção física aos poucos recuperar o fôlego e descobrir um horizonte que não sabia existir.
A interpretação de Bernard Lavilliers tem uma pungência semelhante à inicial interpretação preconizada por Léo Ferré. O fio sonoro contínuo que as cordas e depois os instrumentos de sopro prolongam como uma onda inexorável e imparável criam uma sensação de inevitabilidade quase transcendente.(1)
Esta gravação tem ainda o mérito de mostrar os rostos emocionados dos participantes do programa enquanto público. Público teóricamente difícil de impressionar por ser constituído por cantores compositores e intérpretes bem familiarizados com a canção de Léo Ferré.
Que dizer então desta outra interpretação de Léo Ferré?
Eu direi que a sua genialidade anda a par com a sua iconoclastia.
É raro encontrar alguém que se consiga reinventar rindo de si próprio, tentando que nós próprios nos possamos rir da nossa autocomiseração. É precioso encontrar alguém que como ele nos diga algo do género: desculpem lá não queria que ficassem deprimidos não é preciso levarem-me tão a sério.
(1)Este efeito sonoro foi um recurso que nas composições antigas se encontram nas linhas corais retomadas por vozes que se revezavam sucessivamente e mais tarde na linha melódica de baixo contínuo. Mais recentemente o efeito foi aproveitado por Mahler no adagieto da sua 5ª Sinfonia, e também por Samuel Barber no seu "Adágio para Cordas", mas ao longo do séc. XX este ambiente sonoro foi utilizado por muitos compositores.
terça-feira, 31 de outubro de 2017
sexta-feira, 27 de outubro de 2017
Lluís Llach - Damunt D'Una Terra. Lá pelo ano de 1977 aprendi todas as canções de Lluis Llac de um disco gravado em Barcelona após a queda da ditadura fascista espanhola. Todas aquelas canções me parecem hoje hinos de antecipação à situação que se arrastou desde o séc. XVII, até hoje. Foram hinos para um dia de esperança que chegou. Tal como em 1640 hoje há um Filipe na cadeira.
quinta-feira, 28 de setembro de 2017
segunda-feira, 26 de dezembro de 2016
domingo, 5 de julho de 2015
Maria Farantouri - "Sto Perigiali"
A poesia de Seferis a música de Theodorakis na voz de Maria Farantouri já me tinham encantado há muitos anos. Esta canção de afirmação e resistência em que se termina dizendo que podemos tomar o destino nas mãos parece-me adequada a este tempo que vivemos.
domingo, 3 de maio de 2015
Hannes Wader canta "Das Lied der Moorsoldaten"
A canção foi composta por prisioneiros
políticos opositores do Regime Nazi do Terceiro Reich Alemão: um trabalhador do
comércio chamado Rudi Goguel fez a música sobre versos de um mineiro chamado
Johann Esser e de um actor de nome Wolfgang Langhoff. A canção nasceu por volta
de Agosto do ano de 1933 num dos primeiros campos de concentração planeado
pelos ideólogos nazis para segregação e afastamento de opositores políticos,
nomeadamente comunistas e socialistas.
O campo foi estabelecido em zona
pantanosa do Rio Ems numa região da Baixa Saxónia junto da actual fronteira que
separa a Alemanha da Holanda.
Nos terrenos alagados e lamacentos os
prisioneiros eram obrigados a trabalhos forçados.
Os prisioneiros que dispunham apenas
de ferramentas rudimentares com elas cavavam as turfeiras e os fundos argilosos
dos paúis retirando esses materiais e fazendo a exploração agrícola dos
terrenos drenados. O trabalho em jornadas longas, a subnutrição, a exposição
aos elementos e a brutalidade dos carcereiros tornavam a vida numa batalha de
sobrevivência diária.
Em 27 de Agosto de 1933 a canção terá
sido cantada pela primeira vez num espetáculo chamado Zirkus Konzentrazani e
que terá sido como que um ensaio para outras encenações posteriormente feitas
de forma mais aperfeiçoada como em Theresienstadt.
Um coro de 16 prisioneiros, com os
uniformes verdes dos prisioneiros desse tempo, interpretava uma trupe
soldadesca e de pá ao ombro imitava uma marcha. O grupo era feito a partir de
cantores oriundos do Coral de Solingen uma cidade alemã muito conhecida pela
qualidade da sua metalurgia, cognominada a cidade das lâminas. Lembro-me da estimação
que a minha mãe sempre teve e tem em duas tesouras Solingen que talvez ainda
tenham sido feitas por operários desse tempo.
Alguns dos prisioneiros que
conseguiram completar a pena exilaram-se em Inglaterra junto de outros alemães perseguidos
e por volta de 1936 Hans Heisler que trabalhava com Bertolt Brecht faz uma
adaptação da música para o cantor Ernst Busch. Em 1937 Busch parte para Espanha
para se juntar às Brigadas Internacionais que lutavam para defender o Governo Espanhol
da Républica que fora legitimamente eleito em eleições livres e democráticas.
Este Governo Republicano é atacado pela alta finança industrial que usando os
fascismos europeus de vários matizes se une em torno de um general brutal que tinha
sido afastado para as Ilhas Canárias devido à violência com que tinha reprimido
movimentos grevistas de mineiros e operários das Astúrias. Esse general, apoiado
pelo regime nazi, provocou uma guerra civil que durou três anos, derrubou o
Governo Republicano e deixou feridas que ainda hoje estão por sarar nas
diversas Regiões e Regiões Autonómicas de Espanha. A ditadura e o regime
totalitário que encabeçou duraram até que morreu em 1975.
A canção foi-se espalhando, alguns
dos milhares de prisioneiros presentes na sua estreia no Campo de Concentração
de Börgermoor e que tinham cantado em coro o refrão, foram transferidos para outros campos
como Birkenau e Auschwitz e talvez daí a sua popularidade crescente entre os
sobreviventes da Guerra Civil Espanhola, dos Campos de Concentração, os resistentes ao regime nazi, os sobreviventes da Guerra Mundial de 1939-1945, e entre os opositores
da guerra em geral.
Foram feitas muitas versões da canção e em várias línguas.
Pete Seeger que interpretou a canção contou que ficou surpreendido pela
quantidade de pessoas que no Madison Square Garden de Nova Iorque conheciam e
cantaram com ele a versão original em alemão. Ao que parece a canção vai
passando de geração em geração.
E agora uma traduçãozita rudimentar de
minha lavra. Convido e agradeço que a possam fazer melhor.
Até onde a vista alcança
Charneca pantanosa em redor
Nem os trinados alegram
As carvalhas nuas e retorcidas
Somos soldados palustres
E arrastamo-nos com as pás
Pelos pântanos!
Aqui na charneca desolada
Planearam neste campo nos concentrar
Longe de qualquer alegria escondidos
Atrás do arame farpado
Somos soldados palustres
E arrastamo-nos com as pás
Pelos pântanos!
Manhãzinha; arrastamo-nos em colunas
Em direcção ao pântano onde
trabalhamos
Escavando sob o sol ardente
Com os pensamentos na nossa terrinha
Somos soldados palustres
E arrastamo-nos com as pás
Pelos pântanos!
Esperança temos de regressar a casa
Para os nossos pais mulher e filhos
Do peito soltam-se suspiros
Por quanto aqui ficamos aprisionados
Somos soldados palustres
E arrastamo-nos com as pás
Pelos pântanos!
Acima e abaixo andam as sentinelas
Ninguém, ninguém consegue escapar
A fuga paga-se com a vida
Com quatro cercas é o Burgo vedado
Somos soldados palustres
E arrastamo-nos com as pás
Pelos pântanos!
Ainda assim não nos queixamos
O Inverno não dura sempre!
Temos vontade de uma vez dizer
felizes
Terra natal de novo és minha
Então os soldados palustres
Nunca mais se arrastarão com as pás
Nos pântanos!
Wohin auch das Auge blicket,
Moor und Heide nur ringsum.
Vogelsang uns nicht erquicket,
Eichen stehen kahl und krumm.
Wir sind die Moorsoldaten
und ziehen mit dem Spaten
ins Moor.
Hier in dieser öden Heide
ist das Lager aufgebaut,
wo wir fern von jeder Freude
hinter Stacheldraht verstaut.
Wir sind die Moorsoldaten
und ziehen mit dem Spaten
ins Moor.
Morgens ziehen die Kolonnen
durch das Moor zur Arbeit hin.
Graben bei dem Brand der Sonne,
doch zur Heimat steht der Sinn.
Wir sind die Moorsoldaten
und ziehen mit dem Spaten
ins Moor.
Heimwärts, heimwärts jeder sehnet,
zu den Eltern, Weib und Kind.
Manche Brust ein Seufzer dehnet,
weil wir hier gefangen sind.
Wir sind die Moorsoldaten
und ziehen mit dem Spaten
ins Moor.
Auf und nieder gehn die Posten,
keiner, keiner kann hindurch.
Flucht wird nur das Leben kosten,
Vierfach ist umzäunt die Burg.
Wir sind die Moorsoldaten
und ziehen mit dem Spaten
ins Moor.
Doch für uns gibt es kein Klagen,
ewig kann's nicht Winter sein.
Einmal werden froh wir sagen:
Heimat, du bist wieder mein.
Dann ziehn die Moorsoldaten
nicht mehr mit dem Spaten
ins Moor!
sexta-feira, 1 de maio de 2015
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