sexta-feira, 8 de fevereiro de 2019

O Livro de Isabel Hagos - As Cidades





         Há livros que não são para serem lidos
         São para serem ditos por quem sabe dizer.
São para serem ouvidos.
 “Os Lusíadas” assim são!
Há momentos que uma voz interior faz isso.
Alguém que amamos ouvir. A voz da amada.
A voz dos que amam os poemas, e a língua,
O João Villaret, O Mário Viegas,
A Carmen Dolores, O João Grosso,
Outros e Outros ainda...
Mas há livros que são tão torrenciais
que parecem o gorgolejar de uma artéria,
como se a carótida fosse golpeada
ou a femoral perfurada.
Há artérias e veias que são poemas e soam
às golfadas como as notas de uma folia,
uma cadência urbana, um pulsar sem tino.




LA FOLIA DOS ESTRELLAS LE SIGUEN - MANUEL MACHADO

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2019

LAPIS - exposição em construção. A Pedra-que-Abana.

Em Portugal, por todo o lado existem Pedras-que-Abanam.
São grandes rochedos de muitas toneladas que oscilam com um pequeno empurrar de mão. São curiosidades geológicas. As que conheço de origem granítica, são os vestígios do que não foi desfeito pela erosão da era glaciar, pela abrasão e erosão dos elementos. Algumas delas encontram-se em promontórios, à beira de grandes declives, aumentando essa impressão de fragilidade e de impermanência. O vacilar de um colosso perante um pequeno gesto. A queda eminente de um penedo medonho face a uma pequena força de alavanca faz com que estas pedras sejam de alguma maneira mágicas pela raridade do seu equilíbrio e pela simbologia que a sua situação nos suscita.

quarta-feira, 30 de janeiro de 2019

LAPIS - Será esse o nome de uma exposição da qual farei parte lá para meio de Março com dois arquitectos que como todos os arquitectos têm uma visão global da construção do mundo. A exposição exibirá fotografia, escultura e os meus desenhos.

Ando a olhar para as pedras e as pedreiras, para as mãos que as partem e para as costas que as carregam. Ando a olhar para o chão que é uma forma de olhar para traz para o presente que se perde a cada passo. Deixo aqui um desses desenhos, das pedras da calçada, o calcário designado por vidraço. 























As exposições não costumam ter bibliografia. De facto as minhas têm sempre bibliografia. Ficam por isso aqui dois livros que trouxe da Poesia Incompleta a Livraria de Poesia do Mário Guerra ali na Rua de São Ciro, 26 em Lisboa.



Mar Largo é o nome daquele pavimento que ainda subsiste no Rossio. Terá sido executado por trabalho forçado de prisioneiros detidos no Castelo de São Jorge pelos anos da década de 1840. O pavimento de Lisboa a que chamamos Calçada Portuguesa e que já se espalhou pelo mundo deve-se à imaginação de um engenheiro militar e ao trabalho escravo dos detidos na prisão que então existia no Castelo de São Jorge. 
Claro que me lembrei de Mauthausen. 
Mas também me lembrei do meu avô paterno Luiz Gomes que era Pedreiro de ir à serra cortar o granito para a casa que construiu, e era Carpinteiro de construir soalhos e forros de tecto e era Marceneiro de fazer as rodas das noras e escadas em caracol, e Ebanista de construir cadeiras e móveis de sala. Lembrei-me dele porque tendo falhado por pouco os campos de matança da Grande Guerra o obrigaram a fazer guarda e a transportar prisioneiros para trabalhos de restauro do Forte de São Lourenço do Bugio no meio do Tejo e até lhe ofereceram um futuro na GNR, e ele não aceitou. Não aceitou ser carcereiro. Não aceitou reprimir os pobres. Preferiu voltar para a sua vida dura na Beira Alta onde ganhava o seu pão cultivando a terra.






Das Pedras

Ajuntei todas as pedras
que vieram sobre mim.
Levantei uma escada muito alta
e no alto subi.
Teci um tapete floreado
e no sonho me perdi.

Uma estrada,
um leito,
uma casa,
um companheiro.
Tudo de pedra.

Entre pedras
cresceu a minha poesia.
Minha vida...
Quebrando pedras
E plantando flores.
Entre pedras que me esmagavam 
Levantei a pedra rude
dos meus versos.







Melanie - Ruby Tuesday. Sim, foi numa Terça-Feira

segunda-feira, 31 de dezembro de 2018

Alguns livros de 2018. Mausoléu - Hans Magnus Enzensberger


Alguns livros de 2018. "textinhos, intróitos & etc. de vitor silva tavares"


VST
Embora o livro venha forrado com o papel craft que se vê na imagem e que reproduz a  da capa,












deixo aqui a imagem parcial da forra que coloquei sobre essa forra da Pianola editores. Coisa antiga de quem aprecia os livros e os tenta proteger das porcarias e sujidades que sempre nos vêm parar às mãos.










VST Sobre Vítor Silva Tavares com maiúsculas nem me atrevo a dizer nada. Ficam os seus escritos, os livros que deixou publicados, algumas imagens filmadas de entrevistas que lhe fizeram, algumas gravações sonoras e as memórias que dele passam de boca em boca. Fica também o xemplo & etc.

56/ 25-31 é o título do livro do Esménio, ou melhor "CINQUENTA E SEIS VINTE E CINCO DA TERRA E DO RIO TRINTA E UM DO MAR E DOS VIAJANTES" um Flop (é esse o nome da editora).


Alguns livros de 2018. "Suíte e Fúria" de Rui Nunes


sábado, 29 de dezembro de 2018

Tussam sobre o pianista!

Há um filme do Truffaut que tem o nome de Disparem sobre o pianista. No outro dia assisti a um concerto em que o moto foi tussam sobre o pianista.


domingo, 23 de dezembro de 2018

"L'homme qui maîtrisait le temps" ou les multiples vies d'un homme hors ...

Toutinegra sem pé.

 A água com açúcar com que alimento abelhas, vespas, felosas e toutinegras, este ano atraiu uma "toutinegra dos valados" sem pé.
Achei por bem fornecer-lhe papa de insectos que noutros anos encantou e alimentou juvenis de melro. A toutinegra vem visitar o comedouro várias vezes ao dia e agora ganhou confiança para não escapar quando me vê pela janela.