terça-feira, 20 de fevereiro de 2018

Música da Roménia música dos Rom um povo nómada que dizem ter vindo da Índia e que por cá chamamos Ciganos.

O falecido Nicolae Neacșu conhecido por Culai.

O esforço é sempre Arte Ingénua e Arte em Bruto, o que o motiva é a escravatura do Clássico ou o Surrealismo, mas a sua representação só pode ser Expressionista e para além do que é a Nova Realidade.



A vida como tarefa de quem carrega
o fardo da mobilidade obrigatória. 

Não deixa de ser irónico 
que uma sociedade que se diz da informação, 
se especialize na construção de muros e vedações de toda a espécie e 
nesta sociedade 
não seja tolerada a permanência dos que querem ficar 
ou o trânsito dos que querem passar.

quinta-feira, 15 de fevereiro de 2018

quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018

serenata

"O cantar à meia-noite
 É um cantar excelente
 Acorda quem está dormindo
 E cura quem está doente"

























defronte de mim existe 
toda a glória do meu bem: 
a quem a minh´alma adora 
e o meu amor também. 

o cantar à meia noite 
é um cantar excelente: 
acorda quem está dormindo, 
alegra quem está doente. 

a viola sem a prima 
é como a filha sem pai: 
cada corda seu suspiro, 
cada suspiro seu ai. 

senhor mestre da viola, 
dizei se quereis ou não 
que eu cante uma cantiga 
ao toque da vossa mão. 

cante lé uma cantiga, 
deixe ouvir a sua voz; 
ou diga lá um segredo, 
que fique aqui entre nós. 

ai ! quando eu aqui cheguei 
esqueceu-me a cortezia; 
agora, que estou cá dentro, 
viva toda a bizarria. 

cantai, menino, cantai; 
se não cantais canto eu. 
eu não posso estar calada, 
foi dote que Deus me deu.








segunda-feira, 12 de fevereiro de 2018

O saudoso Mussum, de seu nome completo Antônio Carlos Bernardes Gomes ( meu primo) e os originais do Samba.



Nunca tenha medo do seu inimigo Quando não é você que começa a brigar Também nunca ande de cabeça baixa e bem danado Pois nem tudo que cai do céu é sagrado Pois nem tudo que cai do céu é sagrado Mané que enche barco deixa a praia descoberta Uma onda vai, outra onda vem Não fique triste que seu amor pode ficar bem Não fique triste que seu amor pode ficar bem Aí então você vai me dizer se tenho razão, sim ou não Pois é por experiência própria que eu perdoei o meu coração Infeliz no jogo, feliz no amor Saúde e felicidade, p'ra dar e vender Se a reza é forte, você vai ver Que amanhã um lindo dia vai nascer Que amanhã um lindo dia vai nascer Aí então você vai me dizer se tenho razão, sim ou não Pois é por experiência própria que eu perdoei o meu coração Infeliz no jogo, feliz no amor Saúde e felicidade, p'ra dar e vender Se a reza é forte, você vai ver Que amanhã um lindo dia vai nascer Que amanhã um lindo dia vai nascer










O itinerário de Ícaro.



quarta-feira, 7 de fevereiro de 2018

Léo Ferré - Avec le Temps - Um dos meus






Léo Ferré escreveu esta canção quando tinha a idade que hoje eu tenho. Sobre a emoção avassaladora que ela me provocou ainda no tempo em que eu era jovem e imortal  nada posso dizer. Foi como subir a uma montanha e no limiar da extinção física aos poucos recuperar o fôlego e descobrir um horizonte que não sabia existir.
A interpretação de Bernard Lavilliers tem uma pungência semelhante à inicial interpretação preconizada por Léo Ferré. O fio sonoro contínuo que as cordas e depois os instrumentos de sopro prolongam como uma onda inexorável e imparável criam uma sensação de inevitabilidade quase transcendente.(1)
Esta gravação tem ainda o mérito de mostrar os rostos emocionados dos participantes do programa enquanto público. Público teóricamente difícil de impressionar por ser constituído por cantores compositores e intérpretes bem familiarizados com a canção de Léo Ferré. 

Que dizer então desta outra interpretação de Léo Ferré?
Eu direi que a sua genialidade anda a par com a sua iconoclastia. 
É raro encontrar alguém que se consiga reinventar rindo de si próprio, tentando que nós próprios nos possamos rir da nossa autocomiseração. É precioso encontrar alguém que como ele  nos diga algo do género: desculpem lá não queria que ficassem deprimidos não é preciso levarem-me tão a sério.







(1)Este efeito sonoro foi um recurso que nas composições antigas se encontram nas linhas corais retomadas por vozes que se revezavam sucessivamente e mais tarde na linha melódica de baixo contínuo. Mais recentemente o efeito foi aproveitado por Mahler no adagieto da sua 5ª Sinfonia, e também por Samuel Barber no seu "Adágio para Cordas", mas ao longo do séc. XX este ambiente sonoro foi utilizado por muitos compositores.

Léo Ferré - Avec le temps



Avec le temps...
Avec le temps, va, tout s'en va
On oublie le visage et l'on oublie la voix
Le cœur, quand ça bat plus, c'est pas la peine d'aller
Chercher plus loin, faut laisser faire et c'est très bien

Avec le temps...
Avec le temps, va, tout s'en va
L'autre qu'on adorait, qu'on cherchait sous la pluie
L'autre qu'on devinait au détour d'un regard
Entre les mots, entre les lignes et sous le fard
D'un serment maquillé qui s'en va faire sa nuit
Avec le temps tout s'évanouit

Avec le temps...
Avec le temps, va, tout s'en va
Même les plus chouettes souv'nirs ça t'as une de ces gueules
A la gal'rie j'farfouille dans les rayons d'la mort
Le samedi soir quand la tendresse s'en va toute seule

Avec le temps...
Avec le temps, va, tout s'en va
L'autre à qui l'on croyait pour un rhume, pour un rien
L'autre à qui l'on donnait du vent et des bijoux
Pour qui l'on eût vendu son âme pour quelques sous
Devant quoi l'on s'traînait comme traînent les chiens
Avec le temps, va, tout va bien

Avec le temps...
Avec le temps, va, tout s'en va
On oublie les passions et l'on oublie les voix
Qui vous disaient tout bas les mots des pauvres gens
Ne rentre pas trop tard, surtout ne prends pas froid

Avec le temps...
Avec le temps, va, tout s'en va
Et l'on se sent blanchi comme un cheval fourbu
Et l'on se sent glacé dans un lit de hasard
Et l'on se sent tout seul peut-être mais peinard
Et l'on se sent floué par les années perdues
Alors vraiment... avec le temps... on n'aime plus

terça-feira, 30 de janeiro de 2018

O alfarrabista e a lua cheia.


-----------------------------O ESTILETE INCISIVO-------------------------

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Imaginar Rabiscar Borrar
Manchar Desenhar Escriturar 
Gatafunhar Esgrafitar Escrever
Garatujar Escrevinhar Riscar 
Esborratar Esquiçar Riscanhar
Tracejar Pontear Reflectir
Esboçar Rascanhar Esgravetar 
Sublinhar Gravar Mascarrar
Apontar Traçar Sobrescrever
Grafitar Rascunhar Pensar
Planificar Compor Bonecar
Marcar Escapar Preencher
Copiar Borrar Planear
 Lapisar Começar Arriscar




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quarta-feira, 10 de janeiro de 2018

Desenho breve.

Todos os desenhos são breves. 

Desenhadores mais demorados como o escultor Alberto Giacometti, ou o pintor Antonio López que deixaram registo fotográfico e fílmico do seu labor mostram a tentativa efémera dessa captura do tempo. Aparentemente esses registos documentais mostram a sua insatisfação, a sua persistência perante  a hipotética fragilidade da materialização do seu olhar face ao modelo que pretendem revelar. A frustração que exibem pela sua incapacidade de representação daquilo que também nos é mostrado é de facto uma luta contra o tempo. Tempo que se evidencia através dos sinais mais ou menos subtis que tornam perceptíveis a sua passagem tais como a mudança da luz, a indisponibilidade do modelo ou a sua própria desagregação.

O desenho não é só uma maneira de ver; nem uma forma de o desenhador afirmar o que foi visto, ou o que ele viu. O desenho sendo linguagem é por vezes incompreensível e passará ou não a sua mensagem conforme a lucidez de quem o olha independentemente do trabalho despendido por quem o fez. Por vezes o desenho é a revelação do que não se pode ver nem apreender. 

O desenho é uma medida do tempo. 



Desenho breve.


Desenho breve


domingo, 7 de janeiro de 2018

"Affineur" - O afinador de queijos.

 Ontem ouvi uma jovem estrêla da gastronomia de sucesso falar dos afinadores de queijo. Da maravilha que é comer um queijo afinado por comparação ao mesmo queijo comprado no supermercado sem passar pelas mãos do afinador.
 Afinador dos Alpes, de preferência francês ou suíço, ou outra coisa qualquer que não português porque em Portugal não existe tal coisa. Ficou subentendido.
Então eu lembrei-me da avó beirôca, no quarto virado a norte, que tinha a rede mosquiteira na janela e a porta fechada à chave, procedendo ao seu ritual diário de virar os queijos; de lhes mudar as cintas; de os lavar com a água fria de Inverno, as mãos frias ainda antes da água, delicadamente com um paninho de linho branco lavado; e de os enxugar um a um com um pano de algodão macio. Depois deste período verde de mimosura, lembrei-me dela a submergir os queijos nas arcas do milho debulhado a mangual que secara ao sol na eira.
E lembrei-me dos queijos pequenos nos frascos de azeite e dos que se enterravam em sal e dos que se barravam com a farinha queimante dos pimentos maduros e dos que se embrulhavam em serapilheira e guardavam na cinza…
Aqui de facto não temos afinadores de queijo, o processo artesanal de curar o queijo e de o guardar tem uma escala doméstica. Uma denominação de origem controlada implica tudo isso. Noutros países à denominação da origem junta-se a designação da sua “afinação”.
Cá quando a demanda do mercado é muita e o consumo é maior que a produção tenta-se manter a tradição recorrendo à traição. Mas às vezes o escrúpulo impede a traição sem remissão e então alguns produtores colocam redundantemente no seu rótulo “queijo da Serra da Estrela, produzido com leite de origem portuguesa, cardo e sal”.
O português é uma língua muito traiçoeira dizem os portugueses irónicamente.
E é uma língua muito iconoclasta digo eu. Um “affineur” de queijo aqui seria um refinador, nunca um afinador, como um afinador de máquinas ou um afinador de pianos. Um “affineur” aqui seria um curador por curar o queijo. De facto a cura, também chamada maturação, não é apenas um simples processo de refinação do gosto mas sim uma complexa metodologia de curar o queijo para que este não transmita doença alguma incluindo até a brucelose, a chamada febre-de-Malta. Dando tempo a que no processo microbiológico as bactérias nocivas sejam eliminadas.
O jovem gastrónomo grumam; dá-me mais jeito chamar assim aos adeptos da petiscagem “gourmet” por causa das suas patetices: por fazerem uma coisa criminosa que é colocar as mãos nuas ou com luvas na comida já cozinhada; por terem substituído o vidro e a cerâmica por plástico, a madeira por nylon o ferro por alumínio revestido de teflon etc. etc.

Dizia eu que a jovem estrêla, não terá tido a sorte de ter avó queijeira. A única personagem vagamente avó que o vi tratar como avó foi uma amável senhora a quem poderíamos chamar avó margarina. Mas que sei eu? Não sei nada. E estarei a ser injusto, mas quando se tem a sorte de ter uma avó queijeira, antes quase todas as avós podiam ser queijeiras, é sabido que não se comem queijos da serra à colher simplesmente porque se puderem ser comidos à colher o seu melhor sabor ainda não se formou.
Sabemos que os franceses, os alpinos, inventaram e deram nome a uma profissão o afinador de queijo, e isso é o mesmo que os produtores de queijo da Serra da Estrêla agora fazem ao inscrever no rótulo dos seus queijos “queijo da serra feito com leite português”.