segunda-feira, 2 de março de 2020

carapuça

Biôcos no Algarve, capotes com capêlos nos Açores, capuchas, croças e aventais pelas Beiras e Trás os Montes, mantas e mantilhas pelo Minho e Douro, saias de ombros ou de cabeça pelo litoral,... muitas são as carapuças disponíveis para serem enfiadas, consoante a época e o tipo de "utente".

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2020

SNBA | Polígonos Cíclicos Conectivos, de Beatriz Cunha

Poliedros. Exposição de escultura de Beatriz Cunha. Até 14 de Março na SNBA

trombetas

























A mulher japonesa olhou o desenho e perguntou se era do Picasso. Respondi que era meu. A expressão da cara dela fez com que alguém sentisse a necessidade de testemunhar que eu o tinha feito ali durante os minutos em que ela se ausentara.

Não são por vezes as melhores razões que expressam um elogio, nem é através de palavras bondosas que ele se  verbaliza. Por outro lado todos gostamos de afecto e de afago e mesmo a depreciação quando provoca um efeito contrário conforta e enaltece.

Mas não gostei de ter sido enquadrado, entalado, rotulado como qualquer coisa dentro de uma classificação, numa gaveta de curiosidades. 
A singularidade é sempre o desejo de qualquer indivíduo por mais integrado que esteja no esforço de afirmação colectivo. 
Também assim é a qualidade do artista, quando decide ser e intitular-se. A arte é sempre uma hierofania uma explicação do sagrado e do profano.

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2020

Poliedros - Exposição patente na Rua Barata Salgueiro na Sociedade Nacional de Belas Artes até 14 de Março. Englobada nas Actividades Culturais de Lisboa Capital Verde Europeia 2020.



Exposição patente na Rua Barata Salgueiro na Sociedade Nacional de Belas Artes até 14 de Março. Englobada nas Actividades Culturais de Lisboa Capital Verde Europeia 2020.

Escultura em Pedra - Autor: Beatriz Cunha



A ideia da escultora Beatriz Cunha​ foi homenagear as actividades artesanais e industriais do Concelho de Porto de Mós. Assim a opção da escultora  foi pela representação de uma pomba que tradicionalmente feita pelos artesãos decorava o remate das cumeadas dos telhados. Essa figura símbolo de paz e de esperança foi retomada pela industria tendo a produção em série possibilitado uma mais ampla difusão deste tipo de peça a um preço mais acessível. Tanto a peça em pedra executada por Beatriz Cunha como o barro dos oleiros pertencem à matéria prima em que o Concelho é rico.



















domingo, 16 de fevereiro de 2020

Corona Vírus verso Colona Vírus

O Senhor Tedros, Director Geral da Organização Mundial de Saúde, numa das suas locuções chamou Colonavírus ao Coronavírus. É claro que corrigiu imediatamento o lapsus linguae, contudo quando ele declarou a Emergência Mundial para o Coronavírus entendi o motivo do provérbio "foge-te a boca para a verdade".













quarta-feira, 12 de fevereiro de 2020

Exposição de escultura de Beatriz Cunha. Inaugura quinta feira 13 de Fevereiro pelas 18:30 na SNBA em Lisboa.

Pensar fora da caixa



Com matéria reciclada fruto de outras construções sejam eles fragmentos de embarcações ou vasos contentores, Beatriz Cunha fez esculturas em que a tridimensionalidade clássica é desafiada. A superfície afasta-se ou aproxima-se? É côncava ou convexa.

O olhar do plano euclidiano é retomado quando usa outra caixa, uma câmara, para fotografar e assim reduzir a uma bidimensionalidade que remonta ao princípio da representação da imagem moderna que os produtos químicos fotossensíveis e de fixação possibilitaram reter no papel.

A matéria durável da madeira contrastando com a matéria mais perecível do papel. A estrutura rígida da madeira em oposição à flexibilidade do tecido, estabelece uma dialéctica entre a brandura e a dureza que é paradoxal e é pensar fora da caixa.
A reflexão da autora sobre o próprio trabalho; o seu questionamento sobre o espaço da peça de arte e da sua representação; a busca da fronteira entre obra e sua imagem apreensível, fazem um conjunto de ciclos em espiral permitindo o afastamento crítico, a visão do processo criador e daquilo que é apropriado pelo olhar.

Preparar as peças para a exposição

Sculptor | Beatriz Cunha | Escultura: Preparar as peças para a exposição | Preparing the...

Sculptor | Beatriz Cunha | Escultura: Preparar as peças para a exposição | Preparing the...

Exposição de escultura de Beatriz Cunha. Inaugura quinta feira 13 de Fevereiro pelas 18:30 na SNBA em Lisboa.



Exposição de escultura de Beatriz Cunha. Inaugura quinta feira 13 de Fevereiro pelas 18:30 na SNBA em Lisboa.


domingo, 9 de fevereiro de 2020

Sculptor | Beatriz Cunha | Escultura: Convite | Invitation

Sculptor | Beatriz Cunha | Escultura: Convite | Invitation: Caros Amigos, Gostaria muito de os ver na inauguração da minha exposição na Sociedade Nacional de Belas Artes, 5ª feira, dia 13 de Fevereiro pelas 18:30 h

terça-feira, 4 de fevereiro de 2020

George Steiner e António Lobo Antunes - O Dia do Encontro em 2011



Apesar dos erros da tradução na legendagem: 

A distância entre França e Inglaterra não são 20 mil léguas.

As civilizações que foram destruídas em África e que eram mais avançadas do que percebemos.

O antepassado de António Lobo Antunes que era médico e se suicidou aos 50 anos tinha essa Consciência de Eternidade que se atribui aos suicidas e de facto quando ele se matou, quem ele matou foi o cancro e não a si próprio. Infelizmente a legendagem percebeu concerto (concert) em vez de cancro (cancer).

Os pais dos jovens, ou talvez os avós, que se dispuseram a ir combater por um ideal na guerra civil espanhola enquanto eles não farão o mesmo no caso da guerra civil da Nicarágua. A legendagem troca pais (pères) por pares (pairs).

Etc, etc...

Vito, um belo gato apesar do mau retrato.


domingo, 2 de fevereiro de 2020

"Tío Pablo me pinta un toro" cadeia






"Tío Pablo me pinta un toro" o choco









"Tío Pablo me pinta un toro." camaleão

Não é um formulário mas é uma espécie de léxico. Há imagens que criei e vou reutilizando. Ainda que nenhum desenho seja igual o tema mantém-se. Por vezes a própria disposição figurativa como é o caso deste camaleão. Inicialmente para ser pintado sobre três azulejos em linha, agora adaptado a tira para marcação de livros.







E lembrei-me de uma história em que uma criança pedia a Picasso: "Tío Pablo me pinta un toro."


terça-feira, 28 de janeiro de 2020

Ilse Weber - wandre durch Theresienstadt; Wiegala -



Ich wandre durch Theresienstadt, das Herz so schwer wie Blei. Bis jäh meine Weg ein Ende hat, dort knapp an der Bastei. Dort bleib ich auf der Brücke stehn und schau ins Tal hinaus: ich möcht so gerne weiter gehn, ich möcht so gern nach Haus! Nach Haus! -- du wunderbares Wort, du machst das Herz mir schwer. Man nahm mir mein Zuhause fort, nun hab ich keines mehr. Ich wende mich betrübt und matt, so schwer wird mir dabei: Theresienstadt, Theresienstadt, wann wohl das Leid ein Ende hat, wann sind wir wieder frei? Wiegala Wiegala, wiegala, weier, der Wind spielt auf der Leier. Er spielt so süß im grünen Ried, die Nachtigall, die singt ihr Lied. Wiegala, wiegala, weier, der Wind spielt auf der Leier. Wiegala, wiegala, werne, der Mond ist die Lanterne, er steht am dunklen Himmelszelt und schaut hernieder auf die Welt. Wiegala, wiegala, werne, der Mond ist die Lanterne. Wiegala, wiegala, wille, wie ist die Welt so stille! Es stört kein Laut die süße Ruh, schlaf, mein Kindchen, schlaf auch du. Wiegala, wiegala, wille, wie ist die Welt so stille!










Felix Nussbaum

Felix Nussbaum (1904-1944) : L'écroulement du monde

Felix Nussbaum que foi morto em 1944, com a sua esposa em Auschwitz. Tinha 40 anos de idade. Aqui se apresentam 154 obras suas.

Arthur Rubinstein - Saint-Saëns - Piano Concerto No 2 in G minor, Op 22

domingo, 26 de janeiro de 2020

Montando dois elementos de uma peça chamada Terra.


Terra



Terra

Beatriz Cunha 3 peças em exposição no Convento do Espírito Santo em Loulé, para serem vistas até 28 de Março.



A Terra é plana.


Vivemos o tempo em que nos voltam a dizer que a “Terra é plana”.
Pitágoras já sabia que a terra era um globo e Aristóteles sem se referir a Pitágoras também. Eratóstenes, 250 anos antes da nossa era, mediu mesmo a circunferência da Terra.
Dizem agora uns que a Terra é plana, enquanto outros dizem querer salvar o planeta. Planetas para os gregos antigos eram corpos “errantes” no céu. Aqueles que atravessavam o espaço, o Cosmos de Pitágoras.
Pitágoras era também, de certa forma, um errante que buscou conhecimento e harmonia. Andou pela Índia, pelo Egipto; bebeu conhecimento dos Fenícios, dos Sírios, dos Persas, dos Babilónios. Dizem também que dos Celtas e dos que habitavam a Ibéria, ainda que eu não esteja seguro se se referem à nossa Ibéria se à outra que fica dentro do actual território da Geórgia.
Hoje dificilmente Pitágoras poderia ser mais do que um errante cibernético, um errante virtual, digital, quântico, sei lá... Porque há demasiadas fronteiras. Muros com paredes mais altas que fortalezas e arame farpado inoxidável mais dilacerante que a mais horrível coroa de espinhos.
Pouco se sabe de Pitágoras, em primeiro relato, mesmo o teorema que registou o seu nome já seria conhecido na Babilónia. Mas assim é o registo dos vencedores, e o confuso relato da memória a que chamamos História. Dizem que Pitágoras não gostava de favas, mas como é possível não gostar de favas? Pitágoras era parcimonioso com a carne, terá sido mesmo vegetariano, antigamente não se dizia “eu faço uma alimentação vegetariana” dizia-se “eu faço uma alimentação pitagórica”.
Esta conversa toda para dizer que Terra, este termo que na nossa língua surge por oposição a mar e em outras línguas significa chão, é o pó da matéria mais primordial. Pó das estrelas, assim dizem astrofísicos como Carl Sagan. Com este pó se edificam abrigos, se constroem casas, se fazem algibes, cisternas, olas e vasos. Com pó se faz arte que é uma forma de reflectir sobre a condição humana, tão frágil nesta biosfera em permanente mudança.
Pitágoras acabou por partir para outra encarnação, ele assim acreditava, faleceu numa terra do sul da actual Itália. Hoje uma terra famosa pela produção de tabaco e morangos, produtos inexistentes no tempo de Pitágoras. Faltava ainda cruzar o grande mar além Mediterrâneo, para os trazer de outro continente. 


Desenho a partir da escultura de Beatriz Cunha

aurora