Caneta alemã e café brasileiro sobre papel alemão Fabriano(Café é o conduto do pão dos pobres)
quarta-feira, 28 de abril de 2010
Postal a caminho do Brasil, quando a greve dos CTT deixar.
Nesta sociedade da abundância na praça da jorna da cidade abunda a ganância. Abundam os desempregados para poucos trabalhos mal pagos. Abundam os baixos salários e os trabalhos precários. Abundam os pobres, os doentes, os malfadados enfim os que partilham a sorte dos animais abandonados.___________________________________
Caneta alemã e café brasileiro sobre papel alemão Fabriano(Café é o conduto do pão dos pobres)
Caneta alemã e café brasileiro sobre papel alemão Fabriano(Café é o conduto do pão dos pobres)
Maria Farantouri Canta Asma Asmaton, A canção das Canções,de Mikis Theodorakis
Não atacam com bombas e aviões, sentam-se frente a computadores em grandes salões.
Não há grilhões nem arame farpado, apenas câmaras e betão armado.
Com papeis virtuais fazem a miséria das nações uma e outra vez mais como já fizeram os seus avós e os seus pais.
terça-feira, 27 de abril de 2010
segunda-feira, 26 de abril de 2010
domingo, 25 de abril de 2010
ACORDAI
Fernando Lopes Graça : Acordai
Música: Fernando Lopes Graça
Letra: José Gomes Ferreira
A. Guimarães
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Acordai
acordai
homens que dormis
a embalar a dor
dos silêncios vis
vinde no clamor
das almas viris
arrancar a flor
que dorme na raíz
Acordai
acordai
raios e tufões
que dormis no ar
e nas multidões
vinde incendiar
de astros e canções
as pedras do mar
o mundo e os corações
Acordai
acendei
de almas e de sóis
este mar sem cais
nem luz de faróis
e acordai depois
das lutas finais
os nossos heróis
que dormem nos covais
Acordai!
sábado, 24 de abril de 2010
sexta-feira, 23 de abril de 2010
O medo
O Medo era uma fera à solta, um cavalo louco com ventas de demónio montado pelo próprio Mal. O Mal usava luvas e casaco largo, botas de cano alto e óculos de lentes escuras. Galopava rua acima rua abaixo faíscando raiva contra as crianças que brincavam na frescura da noite. A fúria levantou-lhe o braço e de pingalim em riste entrou no páteo da casa ao lado onde homens e mulheres cantavam em coro as boas vindas à Primavera. A mesa voltou-se, as cadeiras tombaram, e as magras sopas de pão, perderam-se dos pratos para o chão, onde só os cães as podiam comer. -Calem-se!! _____________________Berrou então o Mal. Cuspindo ódio da sua voz rouca: -São proíbidos ajuntamentos de adultos ou crianças, são proíbidas cantorias, dispersem todos!!!________________________Que é lá isso?? - Bradou Manuel Soeiro.- Aqui é minha casa, onde se canta sem incomodar ninguém, na rua não há ajuntamentos só ciranda de crianças; venham para dentro moços que vem aí ventania e traze o diabo à solta!-Amanhã apresentas-te no Posto. É uma ordem!_________________________________________________________________________________________________________________________-
Manuel Soeiro foi ao Posto da Guarda e nunca mais ninguém o viu. Foi preso pela Polícia Internacional de Defesa do Estado. Levado para uma prisão de África onde morreu das febres que lá há. Nunca mais nínguem o viu._______________________________Quanto ao Medo, esse continua à solta para ser cavalgado por qualquer Mal.
quinta-feira, 22 de abril de 2010
Deolinda também é fado.
Deolinda, é um exemplo da vitalidade de um tipo superior de inteligência, a Ironia. Não há portuguesa ou português do povo que não cultive a ironia. Desde tempos ídos que assim é. A sua divulgação entre os mais humildes constituiu em tempos de repressão, uma forma de combate e de saúde mental contra a adversidade. Seja de origem popular ou erudita a ironia é algo que cultivamos quotidianamente. Os soturnos lisboetas do fado melancólico sempre tiveram os seus fados ditos humorísticos. Marceneiro e Amália disso foram exemplo, não falando em "cantadeiras" como a preciosa Hermínia Silva.
Deolinda é um grupo jovem, iconoclasta, assumidamente da zona suburbana de Lisboa. Cantam fado sem qualquer guitarra portuguesa. Os seus temas são muito prosaicos mas agarram em profundidade o que nos caracteriza como lisboetas. Neste retrato identitário nem sempre ficamos bem, mas como eles dizem -Lisboa não é a cidade perfeita mas é o melhor que arranjamos. O mesmo se aplica aos seus naturais.
Luiz Goes canta A Canção de Coimbra
Luiz Goes tem uma voz poderosíssima e de um calor inexcedível. No estúdio de gravação era frequente afastarem dele o microfone que lhe captava o canto.
Este tipo de Canção de Coimbra é conhecida por Fado de Coimbra ou Balada de Coimbra. Tem óbvias preocupações sociais mas a temática é abrangente e poderei dizer que espelha as preocupações da juventude face ao mundo em descobrimento. Há uma tradição que liga este tipo de Fado com o mundo Académico: poetas, compositores, músicos cantores, revelam-se entre os estudantes universitários de Coimbra que são até hoje os seus praticantes. Talvez por isso não haja uma vertente comercial activa e duradoura no tempo. O próprio Luiz Goes, Doutor de Coimbra, médico estomatologista, apesar do seu currículo internacional nunca deixou de ser médico até 2003, ano em que se reformou. Apesar da sua idade, a voz mantém-se, oxalá volte a gravar.
quarta-feira, 21 de abril de 2010
terça-feira, 20 de abril de 2010
segunda-feira, 19 de abril de 2010
quinta-feira, 15 de abril de 2010
Tromba de água em Lisboa
-E o que choveu ontem? -Aí pelas três da tarde, era o dilúvio? -Choveu a potes! -Aquilo foi uma tromba de água._________________________________________________
Não fui eu que tirei as fotos que estão a circular na net mas quem as tirou fez bem em as disponibilizar. Fico agradecido e partilho convosco a tromba de água em pleno Rio Tejo frente à estação de caminho de ferro de Santa Apolónia.
Não fui eu que tirei as fotos que estão a circular na net mas quem as tirou fez bem em as disponibilizar. Fico agradecido e partilho convosco a tromba de água em pleno Rio Tejo frente à estação de caminho de ferro de Santa Apolónia.
sábado, 10 de abril de 2010
Violeta Parra-Gracias a la Vida
Faz anos agora em 11 de Abril, que uma exposição de Violeta Parra esteve no Museu do Louvre em Paris. Foi no ano de 1964.
Nesse tempo Violeta já tinha consciência do que agora chamamos multimédia. A sua obra já integrava vestuário, poesia, tapeçaria, pintura, desenho, música, actuação (performance) e uma outra arte; estar com as pessoas. Esta arte tão difícil tem outro nome; Solidariedade. Se lhe restásse um único meio de expressão, um só; Violeta afirma preferir esse de ficar com a gente.
A solidariedade é um caminho difícil, solitário ainda que assim não pareça; só os mais capazes o conseguem trilhar e esses não são nem os mais fortes, nem os mais poderosos, nem os mais abastados.
sexta-feira, 9 de abril de 2010
quinta-feira, 8 de abril de 2010
Joan Baez canta José Afonso relembrando-nos a fraternidade e a união como outrora fez em Espanha.
Joan Baez passou por cá em Março. Cantou esta canção de José Afonso, que foi senha para a revolução do 25 de Abril de 1974. Ela certamente viajou no tempo, recuando 30 anos, até quando esteve entre nós. Por outro lado estava bem no presente, sabendo que Abril se avizinhava, cantando o que se tornou num hino de libertação e esperança na fraternidade humana
Joan Baez canta "Grândola, Vila Morena" (José Afonso) from angelanns on Vimeo.
Joan Baez que menos de um mês antes esteve cantando para o presidente dos Estados Unidos da América, seguiu após este concerto, para Madrid. Foi-lhe imposta a Ordem de las Artes y Letras de España pela ministra da cultura. A condecoração aprovada pelo parlamento espanhol traduz o reconhecimento e o agradecimento institucional a uma artista que relevou a cultura espanhola numa altura em que não era ainda um referencial. Estou falando de um disco que tomou o nome de uma canção de Violeta Parra, "Gracias a la Vida".O disco editado em 1974 apanha a queda da Ditadura Espanhola nascida da Guerra Civil de 1936-1939. Estive no sul de Espanha por essa altura, em 1978. O disco era tocado nas grandes superfícies comerciais, e a canção Gracias a la Vida era cantada nas ruas. Este facto aparentemente sem relevância, no meu entender, materializa a importância da arte na vida de cada um de nós._____________ Cantando aquelas canções da identidade hispano americana, Joan Baez estava a chamar a atenção para a necessidade de voltar à raiz, ao que é básico e fundamental. Não pretendo ver aqui uma intencionalidade consciente da parte de Joan Baez, tenho mais a tendência a pensar que o seu espírito intuitivo a levou a gravar aquelas canções naquela altura.__________ Quando o disco saiu em 1974 adivinhava-se já o fim da guerra do Vietname que terminou um ano depois. Esta guerra que causou tanta destruição, que tantas vítimas fez e ainda hoje faz nas pessoas que a viveram, nos seus descendentes e nos que habitam aquele espaço, também afectou a sociedade americana.___________ Em Portugal viviam-se tempos agitados de reacção aos excessos feitos em nome da revolução do 25 de Abril de 1974. -Os mais aguerridos revolucionários daquele tempo migraram entretanto no sentido oposto, basta ver o caso do Presidente da Comissão Europeia entre inúmeros outros.- ___________ Nesse tempo a Grândola Vila Morena se fôsse cantada na rua entre pessoas que nessa altura se diziam de direita, do centro, da social-democracia e até do partido dito socialista recebia reacções de reprovação e até de agressão. Isso mesmo aconteceu comigo!_____________ Esta canção que apela à fraternidade, e em ultima análise à vontade do povo e à democracia, foi proíbida numa rádio ligada à Igreja Católica. Permaneceu assim vários anos, não sei se ainda hoje continua proibida. ___________Em Espanha entre 1975 e 1979 a democracia dava os primeiros passos e as trevas da ditadura e da guerra civil pairavam de novo. A Espanha apesar da repressão não consolidara ainda uma identidade nacional. Novamente se falavam as várias línguas nacionais que o estado totalitário banira das escolas e até impedira de serem faladas pelos seus naturais. A língua castelhana promovida a língua espanhola oficial e única, não espelhava a realidade social em mudança profunda, as clivagens nacionais forçavam o separatismo e ameaçavam poder desagregar o próprio Estado. Então que coisa melhor podia acontecer? Uma cantora americana de grande renome, conectada com ideias progressistas, com ascendência hispânica, cantava em castelhano-espanhol valores tradicionais e universais que se perpetuam até hoje. Melhor ainda, ao mesmo tempo essa cantora, ainda que involuntáriamente, remetia para o tempo em que a unidade espanhola frutificara num Império que reclamava como seu meio mundo incluindo Portugal, Brasil e todos esses territórios onde os portugueses faziam sua pátria. Com a sua arte relembrava a importância de agradecer à Vida a existência e tudo o que possuem os seres humanos por inerência a estarem vivos. Joan Baez apelava á valorização do que não valorizamos por acharmos ser nosso por direito garantido. A importância passava a residir no que é comum em substituiçao do que divide e causa ressentimento. Joan Baez sabia já nessa altura, como Violeta Parra, que agradecer à Vida pode ser também uma forma de consciência da morte e de afirmação do não Ser. A fraternidade e a união promovem a partilha. Isso pode ser uma forma de retorno a casa.terça-feira, 6 de abril de 2010
Hortinha na Varanda ou Ervas de cheiro na varanda
O manjericão é coisa que não pode faltar a qualquer amante de massa à italiana. Há quem lhe chame basílico ou alfavaca. Não deve ser consumido por grávidas, mas depois dizem que é bom durante a amamentação para as mães que tenham pouco leite.
A bela arruda que é boa para infusões de lavagem, e é calmante dos nervos, é um fortíssimo emenagogo talvez daí chamarem-lhe a erva das bruxas. A tradição que absorvemos das culturas africanas diz que ela afasta o mau olhado. Antigamente os padres cristãos católicos romanos usavam-na em ramo para aspergir a água benta. O cheiro forte é incomodativo para algumas pessoas. Será que este efeito repelente lhe acentuou a carga mágica?
Aromática mas de outra forma completamente diferente são as lavandas, às quais chamamos alfazemas esta espécie que tenho na varanda quase não produz flor o que é pena porque as abelhas que são visita da minha varanda adoram as flores da alfazema. Já tentei outras espécies de floração intensa mas aqui não se deram bem. Há plantas que só ao fim de dois anos se adaptaram à minha varanda e concerteza também a mim. As lavandas são óptimas para repelir os mosquitos nomeadamente aqueles que nos acordam de noite zumbindo e nos sugam o sangue. Aqui chamamos melgas a esses mosquitos. Saquinhos de lavanda (flores ou folhas) junto da cama tem efeito repousante no sono e protege dos insectos.
Os tomilhos são um mundo de sabores complexos e de aromas perfumados. A planta recolheu o nome latino a partir de um vocábulo grego que significa coragem "Thymon". Na verdade os tomilhos resistem em solos pedregosos e secos e resistem ao vento. A mesma espécie pode ter dois seres igualmente vicejantes estando um exposto poucas horas ao sol e o outro o dia todo. Cristo terá nascido num leito de tomilho.
Os alimentos temperados com tomilho necessitam de muito menos sal e ganham um perfume indescritível.
O chá de tomilho: Num recipiente de vidro ou loiça derramar um litro de água a ferver sobre uma colher de sopa de folhas da planta (uma pernadinha se for fresca). Deixar descansar 15 minutos e beber o mais quente possível. É um chá milagroso contra a tosse e para restabelecimento de pulmões obstruídos. O chá pode ser tomado preventivamente para enxaqueca, e como calmante dos nervos.
A salsa não precisará apresentação, mas de facto é tão vulgar que começa a ser menosprezada e até a cair em desuso. Como a arruda é um emenagogo pelo que deve ser evitada pelas mulheres em gestação. Em excesso poderá produzir cálculos renais.
Os tomateiros dão-se em vasos e as sementes guardadas de um ano para o outro tendem a dar plantas que produzem frutos pequenos do tamanho de cerejas. Não percebi ainda se o tamanho dos frutos está relecionado com o volume de terra disponível. Como é uma planta que necessita de muita água e desenvolve com alguma profundidade as suas raízes eu creio que há uma relação entre o tamanho da terra disponível com o tamanho do fruto. É o que eu chamaria de efeito bonsai. É claro que eu nos meus vasos não uso agroquímicos que promovam desenvolvimento forçado da planta.
Os coentros nunca se deram muito bem nos meus vasos. Sou um grande apreciador de coentros e consumo-os em quantidade. Até há pouco tempo eram desconhecidos na Europa. Lembro-me que em França num mercado o vendedor indicava que era para temperar pratos orientais. Aqui nas saladas nas sopas alentejanas e nas açordas alentejanas não pode faltar.
Outra erva de cheiro muito popular é o orégão. Os amantes de piza sabem do que falo. Se há erva que ligue com o gosto do tomate maduro são os orégãos normalmente usam-se as folhas secas. Aqui estão na sua forma verde, num vaso que tem um sobreiro.
Hortelã-pimenta é mais conhecida como aroma do que como planta é boa em tudo o que é refresco.
Aqui tenho o meu loureiro. Vai no seu segundo ano e promete aumentar em altura e em largura. Trouxe umas bagas de um loureiro que serve como sebe no castelo de Sesimbra. Tive pena que uma planta tão nobre fosse conformada em sebe. Decidi dar outro rumo à sua semente. De 10 bagas nascerem dois loureiros.
Antigamente chamava-se cana-da-Índia ao bambu. Foi uma planta que sempre me atraiu. Talvez devido à representação que dele faz a pintura chinesa antiga, ou pelo mistério associado ao seu ciclo de vida. Quando uma espécie de bambu floresce a planta morre de seguida. Novos bambus nascerão das sementes entretanto produzidas.
O que é extraordinário é que todos os individuos dessa espécie florescem em conjunto e morrem em conjunto. Em Inglaterra registou-se pela primeira vez esta observação nos frondosos jardins de bambu da rainha Victoria ainda durantae a sua vida. Inicialmente pensou-se que isso se deveria ao facto de serem clones devido à propagação por estaca de canas do mesmo individuo trazidas da Ásia. Mas hoje sabe-se que são individuos diferentes que florescem e morrem ao mesmo tempo qualquer que seja a latitude ou a longitude do local onde se encontrem. Outro fenómeno espantoso é que a floração pode ser muito rara e ocorrer uma vez em cem ou duzentos anos conforme a espécie de bambu. O bambu foi a primeira planta a renascer em Nagasaki após o lançamento da Bomba Atómica. Há espécies que podem crescer 1,20m num só dia. O bambu para tudo serve desde casa a alimento.
Abacateiro é uma árvore generosa a taxa de germinação das sementes será de 6 em cada 10. É rico em omega 3 e por isso é uma gordura vegetal que reduz o colestrol. As folhas são tal como o fruto boas para a prisão de ventre. Mastigadas ou em chá são boas para dentes e gengivas.
E agora no canto desta minha horta na varanda o sítio do Melro. Hoje não o fotografei mas podem vê-lo em postagens mais antigas na etiqueta Mira-bico que é como quem diz "Bird-watching"
A Erva-de-São Roberto ou bico de cegonha. O nome talvez venha da cor rubra dos caules e das folhas maduras. É muito boa para tratamentos de úlceras do estômago de problemas intestinais e do cólon. No séc. XII um Bispo de Salzburgo com o nome Rupertianum terá descrito as suas características hemostáticas talvez daí o nome Roberto. O nome bico de cegonha pode ser visto na forma dos botões das flores por abrir.
segunda-feira, 5 de abril de 2010
Joly Braga Santos
Final do 4º Andamento da Sinfonia Nº 4 de Joly Braga Santos.
Orquestra Sinfónica Nacional da Irlanda, sob a Direcção do Maestro Álvaro Cassuto.
Poemas da "Mensagem" de Fernando Pessoa
sexta-feira, 2 de abril de 2010
Páscoa, Pesach, Passagem.
A Páscoa é simbolicamente passar de ano, passar para outro tempo, mudar de vida.
O nome Páscoa nasceu dos nossos antigos antepassados culturais judaicos que comemoravam a fuga da escravatura, a que estavam subjugados no Egipto. Esta Páscoa, Pesach é vertida e readaptada na renovação que o Rabi Jesus assume, ao tornar-se ele próprio o cordeiro de Deus e ao triunfar da morte ressuscitando. Isto segundo a tradição criada pelos seus discípulos. Apesar disto o que hoje celebramos como sendo a ressurreição de Cristo, tem uma raiz mais antiga que é a ressurreição da própria Natureza.
O calendário hebraico é um calendário oriental originariamente Babilónico. É um calendário lunisolar o que significa que alinha o movimento aparente do Sol com as fases da Lua para que coincidam ano solar e ano lunar. Periodicamente de tantos em tantos anos um mês é intercalado para fazer esse acerto.
O nosso calendário actual é o calendário Gregoriano pois devido ao Papa Gregório XIII foi feita uma comissão científica que reformulou o anterior calendário Juliano de raiz também Babilónica.
A vontade de precisão de Júlio César acertar os 365 dias com um ano que ficou chamado como o ano duas vezes sexto, bisexto-366, fez com que o seu nome ficasse associado ao calendário que ajudou a reformular, pelo ano que hoje chamamos 46 antes de Cristo. Séculos depois um tal frade Dionísio, no Século VI, terá considerado a circuncisão de Jesus, 6 dias após o Natal, e o dia seguinte como o primeiro dia do ano. Esta história de Dionísio o Parvo, ou há quem diga Dionísio o Pequeno, terá inspirado Rei francês Carlos IX que em 1564 decidiu adoptar este como primeiro dia do ano em vez do dia 1 de Abril, que até aí era considerado o primeiro dia do ano.
A partir de Gregório XIII e da sua bula de 24 de Fevereiro de 1582 os dias entre o dia 3 de Outubro de 1582 e o dia 14 de Outubro de 1582 foram cortados, esta diferença de 10 dias mantém-se até hoje no calendário dos cristãos ortodoxos. A Páscoa que caminhava para ser comemorada cada vez mais no Verão é assim comemorada nunca antes de 22 de Março nem nunca depois de 25 de Abril e o dia primeiro do ano passa a ser como Carlos IX queria a 1 de Janeiro. Isto só acontece nos países latinos. Na Roménia e nos restantes países europeus e eslavos esta reforma levaria muito tempo a ser adoptada.
Estas reformas de calendário fizeram com que a Páscoa dos Judeus, dos Cristãos Católicos Romanos e dos Cristãos Ortodoxos muito raramente coincida.
Até Gregório XIII, ou melhor dizendo até ao Rei francês Carlos IX, entre 25 de Março e 1de Abril festejava-se o Novo Ano. Depois deles a 1 de Abril passou a comemorar-se o dia dos tolos, ou o dia dos loucos de Abril. Neste caso a festa dos que não comemoravam o dia primeiro do ano no dia 1 de Janeiro, de acordo com a vontade papal e real.
As festas dos loucos que serviam de alívio e catarse a uma sociedade com pouco divertimento, em que a transgressão era severamente punida, foram festas que vieram da mais remota antiguidade e celebravam as estações e a fertilidade. Chegadas ao tempo do Império Romano transformaram-se nas Lupercais, Saturnais, Bacanais e Dionísias, vão sendo mais restritas e constrangidas pelos diversos puritanismos ao longo dos tempos. Chegamos às festas medievais em que os clérigos, frades e freiras participavam nessa alegria irracional e iconoclasta em que a cruz dentro da própria igreja podia ser virada ao contrário como se todos tivessem enlouquecido. De seguida há o Carnaval tal como no nosso tempo. A festa já não é a alegria da ressurreição da Natureza, da ressurreição de Cristo, ou da conquista da liberdade. O nosso tempo preferiu enfatizar o suposto triunfo sobre a Natureza, que de facto é a sua destruição, preferiu comemorar a morte de Cristo, e regozijar-se com a construção de muros, fronteiras e todo o tipo de vigilâncias que restringem a liberdade em nome da segurança.
quinta-feira, 1 de abril de 2010
Dia das Mentiras
Passou desapercebido o “dia das mentiras”. Hoje na nossa cultura triunfante e triunfal
Já não há lugar para a mentira. A mentira foi eliminada. Hoje apenas existe a inverdade, a falta de rigor, e outras excêntricas sinestesias em que o que nos sugerem é o paladar da mosca. Quero eu dizer: para a mosca, tão saboroso é o favo de mel como o monte de esterco.
Hoje a mentira não me cheirou nada bem e como de costume os noticiários e as notícias deixaram-me um gosto na boca que nada tem a ver com mel.
Contudo hoje revelaram-me uma nova perspectiva de encarar esta realidade. Dizia um sujeito a outro que julgava tê-lo enganado: “-Não penses que eu sou otário, porque não sou! O que eu sou é um gajo bacano!”
terça-feira, 30 de março de 2010
sexta-feira, 26 de março de 2010
terça-feira, 23 de março de 2010
A água numa terra árida.
(...)caminhavam longamente até à nascente e em fila esperavam pacientemente a sua vez para tomarem a água em suas vasilhas. Todo o tipo de recipiente era aproveitado. Viam-se garrafões brancos e amarelos que já tinham sido de lixívia, botijas de dez litros de algum produto detergente e até enormes borrachas de pneus de tractores que colocavam sobre os burros como se fossem odres.
domingo, 21 de março de 2010
ROBERT LONGO em Lisboa
A exposição de Robert Longo em Lisboa está montada de forma a poder passar a emoção duma experiência religiosa.
Os simbólicos Mártires e Santos, são hoje representados pelo ocidentalizado homem comum, de casaco e gravata, aparentemente seguro em seu modo de vida, até que o deus da destruição lhe toque com um projéctil ou um estilhaço fatal.
Somos recebidos com a imagem gigantesca de um políptico em que se faz a representação do esplendor da luz. Nele vêem-se silhuetas numa catedral cristã, o sacerdote iluminado pela luz filtrada do imenso vitral nas suas costas, ergue ao alto um crucifixo, impondo-o a uma multidão que se prolonga e da qual parecemos fazer parte.
Passada esta gigantesca obra entramos na outra sala. Uma figura de bronze à nossa escala integra-nos de novo dentro de um outro cenário. Já não somos mais espectadores. O alvo somos também nós. O instante que a escultura de bronze representa, de um homem a ser alvejado, está congelado no tempo como num "frame" de imagem virtual.
Readquirimos a nossa condição de observadores passivos. O homem a ser alvejado pode ser isolado do fundo e passa a ser um objecto em torno do qual podemos circular. Parecemos libertos de uma realidade em que por momentos podíamos ser confundidos. Afinal não é nada connosco. Como poderia ser connosco?! O tal cenário é um enorme e meticuloso desenho de uma rua em que se amontoam destroços de edifícios e automóveis como sabemos existirem nas cidades da guerra: no Líbano, na ex-Jugoslávia, na Palestina, no Afeganistão, no Iraque...
Na sala de Freud, a santíssima trindade está presente: A Criação, Encarnação e Destruição estão ali como estão na suástica hindu transformada em símbolo nazi colocado sobre a porta de entrada do seu consultório em Viena.
Assim o mistério se vai revelando entre o que é criação e destruição. O escoamento dos fluidos produzido por uma explosão atómica é um enrolamento turbulento de gases num cogumelo que sobe na atmosfera. Este enrolamento é inquietantemente semelhante ao enrolamento das ondas. Os gigantescos cogumelos atómicos e as gigantescas ondas são manifestação duma força incomensurável, suprahumana, de um deus que tanto pode criar como destruir.
Somos confrontados com a nossa insignificância, afinal a boca gigantesca do tubarão dirige-se mesmo a nós. Somos nós como Jonas que vamos ser devorados pelo grande peixe. Vão é o nosso desejo que Niníve seja destruída. A nossa fuga transforma-nos em presa. Na sala final podemos ver a cobertura gótica da grande catedral. Os arcos em ogiva são uma vez mais verosimilhantes à forma da boca escancarada de um grande tubarão.
Numa sala intermédia expõem-se os projectos de Robert Longo. O trabalho em pequena escala forra as paredes em cima e em baixo como numa pequena capela de ex-votos. O rigor com que o projecto foi transposto para a sua gigantesca escala final é um assombro de precisão. Aqui tudo aparece como dentro de um pequeno geôdo em que se cristalizam na pequena escala as possibilidades dos grandes formatos.
Há uma coerência súbita entre um rosto de criança adormecida e um planeta iluminado, o universo encerrado num rosto de criança e um astro flamejante percorrendo o cosmos.
O trabalho de Robert Longo é essencialmente a preto e branco. O preto do carvão, os cinzentos da grafite, o branco do papel. O vermelho aparece nas rosas com a mesma subjectividade que se pode usar para as ligar à vida e à morte.
O terror pela barbárie é o terror que nós próprios inspiramos quando construímos o inferno dentro de nós e na terra alheia. Não poderemos aceitar que o nosso legado para o futuro seja uma contaminante e mortalmente radioactiva lixeira nuclear.
Readquirimos a nossa condição de observadores passivos. O homem a ser alvejado pode ser isolado do fundo e passa a ser um objecto em torno do qual podemos circular. Parecemos libertos de uma realidade em que por momentos podíamos ser confundidos. Afinal não é nada connosco. Como poderia ser connosco?! O tal cenário é um enorme e meticuloso desenho de uma rua em que se amontoam destroços de edifícios e automóveis como sabemos existirem nas cidades da guerra: no Líbano, na ex-Jugoslávia, na Palestina, no Afeganistão, no Iraque...
Na sala de Freud, a santíssima trindade está presente: A Criação, Encarnação e Destruição estão ali como estão na suástica hindu transformada em símbolo nazi colocado sobre a porta de entrada do seu consultório em Viena.
Assim o mistério se vai revelando entre o que é criação e destruição. O escoamento dos fluidos produzido por uma explosão atómica é um enrolamento turbulento de gases num cogumelo que sobe na atmosfera. Este enrolamento é inquietantemente semelhante ao enrolamento das ondas. Os gigantescos cogumelos atómicos e as gigantescas ondas são manifestação duma força incomensurável, suprahumana, de um deus que tanto pode criar como destruir.
Somos confrontados com a nossa insignificância, afinal a boca gigantesca do tubarão dirige-se mesmo a nós. Somos nós como Jonas que vamos ser devorados pelo grande peixe. Vão é o nosso desejo que Niníve seja destruída. A nossa fuga transforma-nos em presa. Na sala final podemos ver a cobertura gótica da grande catedral. Os arcos em ogiva são uma vez mais verosimilhantes à forma da boca escancarada de um grande tubarão.
Numa sala intermédia expõem-se os projectos de Robert Longo. O trabalho em pequena escala forra as paredes em cima e em baixo como numa pequena capela de ex-votos. O rigor com que o projecto foi transposto para a sua gigantesca escala final é um assombro de precisão. Aqui tudo aparece como dentro de um pequeno geôdo em que se cristalizam na pequena escala as possibilidades dos grandes formatos.
Há uma coerência súbita entre um rosto de criança adormecida e um planeta iluminado, o universo encerrado num rosto de criança e um astro flamejante percorrendo o cosmos.
O trabalho de Robert Longo é essencialmente a preto e branco. O preto do carvão, os cinzentos da grafite, o branco do papel. O vermelho aparece nas rosas com a mesma subjectividade que se pode usar para as ligar à vida e à morte.
O terror pela barbárie é o terror que nós próprios inspiramos quando construímos o inferno dentro de nós e na terra alheia. Não poderemos aceitar que o nosso legado para o futuro seja uma contaminante e mortalmente radioactiva lixeira nuclear.
O viandante sem mensagem.
(...)Matei em mim o desejo de narração da viagem!
-Não quero mais contar sobre a montanha mais alta, ou o verde que não existe nesta flora. Que coisa trago e que coisa roubo, aos guardiães da memória quando lhes dou notícia que o tempo da primeira mãe é muito anterior à era da que têm como sua? Como poderíeis continuar se vos provasse ser a casa dos deuses, uma montanha que fosse a maior houvésseis visto, nada mais que uma pequena serra? Como poderíeis valorizar vossa memória antiga se a soubésseis curta perante o que outros escreveram sobre o que faziam tantas eras antes de vos saberdes como povo? Então que dizer ainda do outro verde mais resplandecente?
-Não necessito mais contar nem a viagem, nem a deriva, nem a chegada. A direcção somos nós e por isso verdadeiramente não chegamos nunca a parte alguma se não nos encontrarmos como destino. Eu que julgava ter conquistado a distância e o horizonte trazendo a lembrança da luz que outros nunca viram, reparo agora, não ter sido mais arguto, nem melhor oráculo, do que a mulher cega que risca na areia o voo dos pássaros. Tal como eles voam, andamos nós sem sentido. Não sabem eles que toda a liberdade do seu voo é como um risco numa poça de areia. Porque assim é! Também não sabemos nós que numa poça de areia cabe toda a força e toda a esperança e toda a glória.
-Não se apazigua em mim a inquietação por saber que o sofrimento dos outros não é o meu. Não se atenua a dor que me dilacera por se alhearem dela os que quotidianamente a sentem. Da mesma maneira ao ser humano que dorme no chão sem agasalho, não lhe faz menos falta a cama macia onde me deito.
-A narração de tudo o que vi poderá trazer-me a insígnia de altanaria mas então não vos mereceria nem o retorno, pois que o sofrimento é igual em todo o lado e dele frutifica o embotamento dos sentidos e da alma.(...)
quarta-feira, 17 de março de 2010
quarta-feira, 10 de março de 2010
Lá na montanha
A falta de ar enche-me o peito_____
Dói-me a cabeça para além de mim__________
Não há luz que explique esta sombra_____________
nem olhos que a vejam____
a transpiração sem calor______
a noite fria_____
O vento sangra como faca____
os nós, os dedos, e os sons murmurados__
A solidão é não adormecer com frio___
A solidão é adormecer com o frio.
domingo, 28 de fevereiro de 2010
Antes dos terramotos ou de outras situações de emergência e aflição.
Antes dos terramotos os animais querem sair de seus locais de constrangimento para o ar livre. Nós que também somos animais temos intuições semelhantes: colocar o calçado bem perto da cama, ou mover alguma coisa que esteja no caminho da saída; pensar se não será complicado tirar tantas trancas da porta da rua em caso de saída apressada, ou reparar num objecto que causa estorvo… são intuições que não devemos menosprezar._____________________________
A porta de saída de todos os dias pode comportar-se de maneira diferente durante a vibração de um terramoto. Os meus pais viveram essa situação.
A porta da rua simplesmente não abria porque deformação da estrutura prendia a porta como quando há um empeno. É boa ideia haver uma pega que puxe logo trinco.
Nas nossas casas devíamos identificar onde estão os pilares e as vigas que sustentam o tecto. Por vezes estão propositadamente salientes ou indisfarçavelmente salientes porque a sua espessura é superior à das paredes.
As ombreiras das portas e das janelas que dão para as fachadas só serão seguras se forem acompanhadas destes pilares.
Junto dos pilares e dos móveis robustos é que se formam nichos de sobrevivência em caso de colapso do edifício._________________________________
Fora de casa ao entrar em qualquer local estranho é importante não perder a orientação do caminho de fuga, verificar onde existem saídas e se há sinalização de emergência._____________________________
No fundo de um dos bolsos do vestuário, ou da bolsa que se carrega é bom ter um kit de sobrevivência que não ocupará mais que um maço de cigarros. Nele poderão ter várias coisas incluindo um canivete multiuso, um isqueiro, um espelho (que pode ser feito a partir do reaproveitamento de um CD danificado, o orifício central serve de mira para sinalização usando o reflexo do espelho), agulhas etc.
Nas chaves de casa por exemplo é possível ter uma lanterna que não necessite de pilhas, uma bússola, um apito (quando não é possível gritar ainda se consegue soprar), uma “pen” suporte cibernético que pode carregar cópia digitalizada de todos os documentos importantes de que possamos necessitar._______________________________
É importante ter uma telefonia, um receptor de postos de rádio. Quando todas as comunicações falham, as estações de rádio, os rádios dos bombeiros,os da polícia e os dos militares ainda funcionam e é possível e provável que usem frequências que estão acessíveis a um pequeno rádio de transistores.
Há radios que têm outras funcões como seja a de lanterna, ou a de luz intermitente de sinalização. E alguns não necessitam de pilha porque têm um pequeno dínamo que produz a energia ou têm mesmo uma pequena célula para captação de energia Solar. O da fotografia tem as duas soluções.
A porta da rua simplesmente não abria porque deformação da estrutura prendia a porta como quando há um empeno. É boa ideia haver uma pega que puxe logo trinco.
Nas nossas casas devíamos identificar onde estão os pilares e as vigas que sustentam o tecto. Por vezes estão propositadamente salientes ou indisfarçavelmente salientes porque a sua espessura é superior à das paredes.
As ombreiras das portas e das janelas que dão para as fachadas só serão seguras se forem acompanhadas destes pilares.
Junto dos pilares e dos móveis robustos é que se formam nichos de sobrevivência em caso de colapso do edifício._________________________________
Fora de casa ao entrar em qualquer local estranho é importante não perder a orientação do caminho de fuga, verificar onde existem saídas e se há sinalização de emergência._____________________________
No fundo de um dos bolsos do vestuário, ou da bolsa que se carrega é bom ter um kit de sobrevivência que não ocupará mais que um maço de cigarros. Nele poderão ter várias coisas incluindo um canivete multiuso, um isqueiro, um espelho (que pode ser feito a partir do reaproveitamento de um CD danificado, o orifício central serve de mira para sinalização usando o reflexo do espelho), agulhas etc.
Nas chaves de casa por exemplo é possível ter uma lanterna que não necessite de pilhas, uma bússola, um apito (quando não é possível gritar ainda se consegue soprar), uma “pen” suporte cibernético que pode carregar cópia digitalizada de todos os documentos importantes de que possamos necessitar._______________________________
É importante ter uma telefonia, um receptor de postos de rádio. Quando todas as comunicações falham, as estações de rádio, os rádios dos bombeiros,os da polícia e os dos militares ainda funcionam e é possível e provável que usem frequências que estão acessíveis a um pequeno rádio de transistores.
Há radios que têm outras funcões como seja a de lanterna, ou a de luz intermitente de sinalização. E alguns não necessitam de pilha porque têm um pequeno dínamo que produz a energia ou têm mesmo uma pequena célula para captação de energia Solar. O da fotografia tem as duas soluções.
quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010
quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010
Querem aumentar a idade da reforma? O sistema está falido? Quem lança fumo é porque....
Esta contaram-me e conto-a como me contaram:
Aos 50 anos de idade e com 20 anos de descontos como Deputado, Marques Mendes acaba de requerer a Pensão a que tem direito, no valor mensal vitalício de 2.905 euros mensais. Contudo, um trabalhador normal tem de trabalhar até aos 65 anos e ter uma carreira contributiva completa durante 40 anos para obter uma reforma de 80% da remuneração média da sua carreira contributiva. .............................................................................................
Um povo imbecilizado e resignado, humilde e macambúzio, fatalista e sonâmbulo, burro de carga, besta de nora, aguentando pauladas, sacos de vergonhas, feixes de misérias, sem uma rebelião, um mostrar de dentes, a energia dum coice, pois que nem já com as orelhas é capaz de sacudir as moscas...'
terça-feira, 23 de fevereiro de 2010
segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010
A Eduarda da Madeira.
A primeira vez que ouvi a palavra Madeira foi para nomear a naturalidade da Eduarda. -É da Madeira!-............................A Eduarda tivera de ser transportada da Madeira e viera de Avião, uma compaixão dos militares, devido ao seu estado com as pernas e a coluna fracturadas. Fora um acidente de carro. Um carro de trabalho puxado por bois a que o chão tinha faltado. Como obra do Demónio o chão abrira-se e o carro voltara-se para o precipicio caindo de grande altura com a Eduarda.
Nunca vi a Eduarda que não fôsse a sorrir. Mesmo quando gritava de dor, se eu a olhava, ela sorria e de novo dizia em voz alta -aiiii... que me dá vontade de cantar!-
A Madeira soava a nome de paraíso longínquo -uma ilha florida na imensidão do mar- tinha frutos chamados maracujá, e coisas que só havia nas Áfricas como as bananas.
Na Madeira todas as mulheres faziam bordados como a Eduarda fazia. Hirta numa concha de gêsso quase não movendo a cabeça mas com as mãos sempre a trabalhar ía desenhando com as suas linhas de cor animais e casinhas, florinhas e corações e escrevendo nomes que os meus três anos não sabiam ler. Na Madeira as pessoas sabiam fazer cadeiras de vime que podiam aguentar com duas pessoas, e cêstos para ir ás compras, e podiam fazer tudo de vime se quizessem. De vime que aqui só serve para atar os molhos de grêlos.
A Madeira era linda numa fotografia vista do mar,parecia um Presépio.
Nos paraísos e nos presépios não existem hospitais, por isso a Eduarda tivera de vir ali para o hospital onde não me deixavam visitar a minha mãe.
As pessoas na Madeira são jovens e fortes como a Eduarda e a minha Mãe que me levantava do chão para o colo. Se por infelicidade estão no hospital lá não é o seu lugar.
A Eduarda tapava a cara às vezes. Era quando estava triste por não poder ver a família que não deixaram vir no avião, mas depois via-me e sorria. Dizia-me: -olá meu menino vê lá o que está ali para ti! - No guardanapinho bordado havia sempre um pequeno rebuçado colorido. Naquele tempo os rebuçados eram tão raros que quando apareciam eram uma alegria. ............................
Obrigado Eduarda.
sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010
domingo, 14 de fevereiro de 2010
Entrudo Carnaval.
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