Os franceses têm várias particularidades, uma delas é de transformar em acrónimo os nomes de uma pessoa como se de uma Marca fosse. Alguns nomes são mesmo Marcas como o YSL com as letras em sobreposição ou como os dois CC em anel, em que um C é a imagem inversa do outro, outros como BB ou DSK são reservados aqueles que eles amam, ou pelo menos aqueles com quem têm uma relação de amor ódio, o que não será de estranhar num país onde ainda tantos defendem a denominação de origem o terroir em vez da marca.
DSK é uma pessoa sensível e consciente, no momento em que dizem que os factos aconteceram ele sabia perfeitamente que estava nos EUA. Numa sociedade que é iconoclasta, em que marcas nascem e são destruídas com grande velocidade e intensidade e em que o poder de Deus é invocado na própria moeda. Poder que fala em todo o direito acima de tudo o que é terroir. Não há denominação de origem que tenha poder que suplante o poder do dinheiro, divino em si, por definição. Num país assim, ao contrário da Europa, não há Senhores ou pelo menos não são considerados Senhores pessoas da dimensão de DSK.
Se DSK estivesse em Cuba não me admirava que ele pudesse fazer aquilo que o acusam de ter feito nos EUA, sensível como é talvez se sentisse chocado pelo facto das prostitutas terem curso superior.
Almas sensíveis que conheço e que aqui iam às putas com a instrução primária por concluir, sofreram o choque da sua vida quando foram às putas em Cuba e elas tinham licenciaturas variadas inclusivamente em medicina. DSK não difere dos calhordas que eu conheço dado que um dia descreveu o seu pequeno problema de carácter, o assédio às suas subordinadas, como sendo uma particularidade de todo o homem que é macho e gosta de mulheres. Por isso, mesmo que o curso superior fosse chocante numa arrumadeira de hotel, a sua função laboral não lhe imporia qualquer respeito e antes pelo contrário o calhorda veria nela um animal para seu serviço como antes os senhores brancos viam as suas escravas e as tomavam para seu alívio sexual.
Mas DSK sendo um canalha não chegou aonde chegou por ser estúpido ou desleixado, e por isso acho que lhe montaram uma cilada.
Que presente melhor poderia o amigo americano dar a Sarkosy depois de ele ter apoiado os bombardeamentos sobre o seu tão chegado sócio Kadafi?! Sarkosy fica sem oponente de monta contra quem lutar pela reeleição para a presidência francesa e ao mesmo tempo os altos funcionários que por aí andam receberam aviso sobre a sua fragilidade e sobre o que lhes pode acontecer a eles ou aos seus se deixarem de prestar vassalagem a quem realmente nanda neles.
terça-feira, 17 de maio de 2011
É O POVO PARVO
(onde se lê: É o povo parvo deve ler-se: É o povo, pá!)
Há agora aí um grupo de rapaziada auto-intitulado: É o povo, pá!
O nome saiu de uma piada, parecem seguir a senda contestatária dos Homens da Luta.
Estes na melhor tradição da militância clandestina agem pela calada da noite e escondem os rostos; não com um barrete passa montanhas; chamam-lhe agora máscara de esqui; não com um gorro, um cachecol, um lenço, uns óculos e muito menos com uma meia de nylon enfiada na cabeça. Não; eles usam umas máscaras muito distintas tipo Carnaval de Veneza que costumam ser exibidas nos programas decentes de televisão que mostram pessoas com identidade a resguardar dos maus que estão entre o público telespectador que somos nós.
Os rapazes deste grupo estão desempregados por isso a sua acção nocturna nada tem a ver com a militância generosa que levava os militantes partidários que trabalhavam durante o dia a só poderem colar cartazes à noite retirando tempo ao que deviam reservar para a família e para o seu descanso.
A rapaziada lá apareceu a colar os ditos cartazes de uma forma muito civilizada sem usar aquelas pegajosidades viscosas com aspecto de regurgitação de infante em período de aleitação. Não; eles usaram fita-cola.
Pensei para comigo que nunca vira coisa tão civicamente elevada como esta a não ser no País Basco onde os cartazes eram colados dessa maneira e as faixas de pano a envolver locais do património histórico eram atados com laçadas simples de frágeis cordéis.
Será que estes portugueses são como os activistas Bascos? Se forem o povo estará do seu lado e não retirará os cartazes, a polícia fará de conta que não percebe ou por tolerar aquele escape verbal que evita a violência ou por medo de potenciar a violência.
Mas não; os cartazes foram logo arrancados não pelo povo, não pela polícia mas por uns funcionários ou colaboradores dos Centros de Emprego à porta dos quais tinham sido colados.
Mas esta rapaziada é moderna e ciente das novas tecnologias e métodos de marketing, alguns até serão especialistas licenciados nessa área de conhecimento e propaganda.
Assim chamaram as televisões e os jornalistas para as suas manifestações de afirmação política. Não sei como o conseguiram. Eu bem sei em quantas manifestações de milhares de pessoas participei sem que as TV’s aparecessem; quantos encontros de trabalhadores e quantas convocatórias feitas para conferências de imprensa sem que um só jornalista aparecesse. Eles conseguiram, e para dizer o quê?
NÃO QUEREMOS SUBSÍDIO, QUEREMOS EMPREGOS.
Perfeito! Como emprego não há e isso já sabem, ainda bem que também não querem subsídio, o PS o PSD TROIKA & CIA. Agradecem. Será por ser pequeno que eles o não querem?
Um escritor da moda e do top, deu a cara pelo movimento; não, não apareceu a colar cartazes de cara destapada, apareceu para dizer qualquer coisa do género:
-Não ficar pela depressão e passar a acção.
E as TV’s mostraram a acção que vos relatei!
Não é momento para neutralidades.
Não percebi de que neutralidade falava, talvez da dele. Quanto à frase do cartaz que colaram em tão clandestina acção não era de certeza. Ou seria?
Lembrei-me que foi por ouvir declarações como esta e piores, que nunca li nenhum livro do tal escritor.
Há agora aí um grupo de rapaziada auto-intitulado: É o povo, pá!
O nome saiu de uma piada, parecem seguir a senda contestatária dos Homens da Luta.
Estes na melhor tradição da militância clandestina agem pela calada da noite e escondem os rostos; não com um barrete passa montanhas; chamam-lhe agora máscara de esqui; não com um gorro, um cachecol, um lenço, uns óculos e muito menos com uma meia de nylon enfiada na cabeça. Não; eles usam umas máscaras muito distintas tipo Carnaval de Veneza que costumam ser exibidas nos programas decentes de televisão que mostram pessoas com identidade a resguardar dos maus que estão entre o público telespectador que somos nós.
Os rapazes deste grupo estão desempregados por isso a sua acção nocturna nada tem a ver com a militância generosa que levava os militantes partidários que trabalhavam durante o dia a só poderem colar cartazes à noite retirando tempo ao que deviam reservar para a família e para o seu descanso.
A rapaziada lá apareceu a colar os ditos cartazes de uma forma muito civilizada sem usar aquelas pegajosidades viscosas com aspecto de regurgitação de infante em período de aleitação. Não; eles usaram fita-cola.
Pensei para comigo que nunca vira coisa tão civicamente elevada como esta a não ser no País Basco onde os cartazes eram colados dessa maneira e as faixas de pano a envolver locais do património histórico eram atados com laçadas simples de frágeis cordéis.
Será que estes portugueses são como os activistas Bascos? Se forem o povo estará do seu lado e não retirará os cartazes, a polícia fará de conta que não percebe ou por tolerar aquele escape verbal que evita a violência ou por medo de potenciar a violência.
Mas não; os cartazes foram logo arrancados não pelo povo, não pela polícia mas por uns funcionários ou colaboradores dos Centros de Emprego à porta dos quais tinham sido colados.
Mas esta rapaziada é moderna e ciente das novas tecnologias e métodos de marketing, alguns até serão especialistas licenciados nessa área de conhecimento e propaganda.
Assim chamaram as televisões e os jornalistas para as suas manifestações de afirmação política. Não sei como o conseguiram. Eu bem sei em quantas manifestações de milhares de pessoas participei sem que as TV’s aparecessem; quantos encontros de trabalhadores e quantas convocatórias feitas para conferências de imprensa sem que um só jornalista aparecesse. Eles conseguiram, e para dizer o quê?
NÃO QUEREMOS SUBSÍDIO, QUEREMOS EMPREGOS.
Perfeito! Como emprego não há e isso já sabem, ainda bem que também não querem subsídio, o PS o PSD TROIKA & CIA. Agradecem. Será por ser pequeno que eles o não querem?
Um escritor da moda e do top, deu a cara pelo movimento; não, não apareceu a colar cartazes de cara destapada, apareceu para dizer qualquer coisa do género:
-Não ficar pela depressão e passar a acção.
E as TV’s mostraram a acção que vos relatei!
Não é momento para neutralidades.
Não percebi de que neutralidade falava, talvez da dele. Quanto à frase do cartaz que colaram em tão clandestina acção não era de certeza. Ou seria?
Lembrei-me que foi por ouvir declarações como esta e piores, que nunca li nenhum livro do tal escritor.
segunda-feira, 16 de maio de 2011
O Pçor do Amaral.
O Pçor do Amaral veio dizer que as medidas da troika e o dinheiro que vai ser emprestado são uma espécie de ácido acetilsalisílico (*) para quem tem gripe. Disse que nós temos de ultrapassar outros países, por exemplo disse que nas Indústrias do Mar facilmente poderíamos ultrapassar a Áustria…
A Áustria Pçor?
Bem sei que a Suíça tem Marinha de Guerra e que nós temos pistas de gelo nos Mega Hiper Centros Comerciais mas e porque não ultrapassar também outros países de enorme tradição marítima além da Áustria e da Suiça também a Hungria e a Républica Checa e a Eslováquia.
Ignorância minha claro que nada sei do que são Industrias do Mar.
Será que ele estava a brincar? É isso, o Pçor Amaral é um pândego que de tão bufão se torna pícaro. Bem que ele fez um partido de Direita que já deu a Portugal um Ministro do Mar que ao ser nomeado para tal Ministério ficou tão incrédulo e tão contente que levou seu cargo a peito e a fundo; tão ao fundo que ensandeceu e deu em comprar submarinos. Submarinos e outros brinquedos de guerra caros; caros na linguagem dos amigos americanos que lhe ofereceram uma medalha, e uma bolsa de estudo numa Universidade Americana na qual poderia depois dar aulas. Assim como já foi feito com o Dr. Coelho.
Por outro lado o senhor Pçor do Amaral percebe muito das coisas do Mar ou não vivesse ele em Cascais; em Cascais onde o Rei da Espanha aprendeu a andar à vela, e o Pçor do Amaral vive em Cascais mas não é num sítio qualquer, é em Cascais na Quinta da Marinha, numa propriedadezinha oferecida pelo Sr. Champáli Maúde esse grande timoneiro, patrão de Mar e de Industria.
O que ele não percebe nada é de avionetas, nomeadamente avionetas que caiem. Até lhe deram uma cadeira dourada à conta disso. Ora fique aqui sentadinho e esteja à sua vontade nesta cadeirinha. Quem não se mete onde não é chamado é sempre recompensado. Disseram-lhe nessa altura, e agora o que lhe terão dito?
Que eles querem o ouro nós já sabemos.
(*)Ácido acetilsalicílico: É aquele comprimido com outro nome que se toma para a dor de cabeça e que na tropa serve para curar tudo e que pertence a uma marca alemã sacana e famosa desde o tempo do Hitler que apesar de mudar de nome não mudou de procedimento e despeja lixo tóxico nos rios aproveitando o acidente que outros tiveram derramando esses outros lixo mas em menor quantidade e toxicidade e aproveita para envenenar hemofílicos em todo o mundo incluindo Portugal uma vez que não podia vender na Alemanha um produto infectado com o vírus da SIDA e tinha sido descoberto isso mas estavam muitos milhões de prejuízo em jogo se deitassem esse produto medicamentoso fora e preferiram matar inocentes hemofílicos pensando que isso nunca seria descoberto.
A Áustria Pçor?
Bem sei que a Suíça tem Marinha de Guerra e que nós temos pistas de gelo nos Mega Hiper Centros Comerciais mas e porque não ultrapassar também outros países de enorme tradição marítima além da Áustria e da Suiça também a Hungria e a Républica Checa e a Eslováquia.
Ignorância minha claro que nada sei do que são Industrias do Mar.
Será que ele estava a brincar? É isso, o Pçor Amaral é um pândego que de tão bufão se torna pícaro. Bem que ele fez um partido de Direita que já deu a Portugal um Ministro do Mar que ao ser nomeado para tal Ministério ficou tão incrédulo e tão contente que levou seu cargo a peito e a fundo; tão ao fundo que ensandeceu e deu em comprar submarinos. Submarinos e outros brinquedos de guerra caros; caros na linguagem dos amigos americanos que lhe ofereceram uma medalha, e uma bolsa de estudo numa Universidade Americana na qual poderia depois dar aulas. Assim como já foi feito com o Dr. Coelho.
Por outro lado o senhor Pçor do Amaral percebe muito das coisas do Mar ou não vivesse ele em Cascais; em Cascais onde o Rei da Espanha aprendeu a andar à vela, e o Pçor do Amaral vive em Cascais mas não é num sítio qualquer, é em Cascais na Quinta da Marinha, numa propriedadezinha oferecida pelo Sr. Champáli Maúde esse grande timoneiro, patrão de Mar e de Industria.
O que ele não percebe nada é de avionetas, nomeadamente avionetas que caiem. Até lhe deram uma cadeira dourada à conta disso. Ora fique aqui sentadinho e esteja à sua vontade nesta cadeirinha. Quem não se mete onde não é chamado é sempre recompensado. Disseram-lhe nessa altura, e agora o que lhe terão dito?
Que eles querem o ouro nós já sabemos.
(*)Ácido acetilsalicílico: É aquele comprimido com outro nome que se toma para a dor de cabeça e que na tropa serve para curar tudo e que pertence a uma marca alemã sacana e famosa desde o tempo do Hitler que apesar de mudar de nome não mudou de procedimento e despeja lixo tóxico nos rios aproveitando o acidente que outros tiveram derramando esses outros lixo mas em menor quantidade e toxicidade e aproveita para envenenar hemofílicos em todo o mundo incluindo Portugal uma vez que não podia vender na Alemanha um produto infectado com o vírus da SIDA e tinha sido descoberto isso mas estavam muitos milhões de prejuízo em jogo se deitassem esse produto medicamentoso fora e preferiram matar inocentes hemofílicos pensando que isso nunca seria descoberto.
Ó PRIMÃA, JÁ VIU QUE NOS PAÍSES RIQUES E CAPITALISTÃAS ATÉ OS POBRES SÃO GORDES?!
Ê sê cá em quê vetar!... Nh'ámigãa tou como as alemoãs,
assi comá si vetava en ambes es dois.
Nã sã nada de dêtar fora dé!
Bên parcides os dôs marafades.
Tábên que nan sou secialistãa. Ê sou liberal, goste é da menarquia nórdicãa e dos maricanes onde todes sã riques. Ê goste é dos riques, dos capitalistãas...
Ó primãa, já viu que nos países riques e capitalistãas até os pobres são gordes?!
domingo, 15 de maio de 2011
sábado, 14 de maio de 2011
O avô cantigas tem pintelhos na boca.
Se há coisa que o povo não tolera é enganar-se, ou ser enganado, e cair no ridículo de fazer a vénia ao bobo pensando que a está a fazer ao rei.
Foi o que aconteceu com a peripécia do apodado avô cantigas antigo ministro das finanças do Sr. Silva. Este mago financeiro recebeu tal apodo, precisamente por dizer que fazia e acontecia o que não fez nem aconteceu. A medida mais famosa que ele tomou e hoje já poucos lembram, foi a de penhorar um sanitário a um clube de futebol do norte.
Quanto ao génio na gestão financeira, convém lembrar que nessa altura entravam em Portugal 1 milhão de contos de remessa dos emigrantes; mais 1 milhão de contos de ajuda europeia. Muito desta ajuda, na altura dita a fundo perdido, estamos a pagá-la agora. Essa ajuda destinou-se a acabar com o alto-forno em Portugal, leia-se siderurgia, (ouvi isto da boca do Sr. Champalimaud; lê-se champálimô e não champáli-maúde para não parecer linguagem sarraceno indiana). Essa ajuda,dizia eu, foi para acabar com a indústria vidreira, com a metalomecânica pesada, metalomecânica de precisão, construção naval, e tudo oque fôsse indústria exportadora, sem falar no sector primário: agricultura, pescas, extracção mineira. Foram os tempos da erosão de recursos: arrancar pomares, montado, olival, vinha… a troco de tostões plantar eucaliptos que comem os solos secam a água e destroem a biodiversidade. Num eucaliptal reina sempre o silêncio da morte; não há insectos, não há pássaros e como não estamos na Austrália também não há marsupiais e os únicos mamíferos são os serradores.
Ora este avô cantigas, não confundir com o avô cantigas original que faz música para crianças; andava a ser promovido a Professor. Professor desses que são patrocinados pela publicidade televisiva e que vendem ideias como antes se vendia banha da cobra. As ideias desses professores, não fazem bem, nem mal, como a banha da cobra, mas quem neles acredita sente-se melhor como se sentem melhor os que acreditam nos poderes curativos da banha da cobra.
Ora o avô cantigas quando estava no auge da sua transformação televisiva em professor; no português televisivo oral diz-se pçôr decide ao vivo em directo pôr pintelhos na boca, uns ouviram pintelhos, outros ouviram pentelhos. É sabido que o ouvido de cada um tem a ver com a sua cultura e que cada um ouve o que a sua cultura lhe permite ouvir. Um rei ouviria da boca do pçôr que ele disse lana caprina mas eu que não sou rei e muitas vezes passo por bobo ouvi distintamente pintelhos. Eu e o povo. Afinal o pçor essa figura que sempre nos é apresentada como sendo augusta e de estatura elevada, pelo menos sempre maior que a nossa, não passa de um Eduardinho.
E assim se foi; de férias e para parte incerta, o promitente pçôr o tão auspicioso ministro. Dizem que foi a banhos para Abrantes. Que passe bem; e por lá coma muita palha que é gulodice indicada para criatura da sua qualidade.
Foi o que aconteceu com a peripécia do apodado avô cantigas antigo ministro das finanças do Sr. Silva. Este mago financeiro recebeu tal apodo, precisamente por dizer que fazia e acontecia o que não fez nem aconteceu. A medida mais famosa que ele tomou e hoje já poucos lembram, foi a de penhorar um sanitário a um clube de futebol do norte.
Quanto ao génio na gestão financeira, convém lembrar que nessa altura entravam em Portugal 1 milhão de contos de remessa dos emigrantes; mais 1 milhão de contos de ajuda europeia. Muito desta ajuda, na altura dita a fundo perdido, estamos a pagá-la agora. Essa ajuda destinou-se a acabar com o alto-forno em Portugal, leia-se siderurgia, (ouvi isto da boca do Sr. Champalimaud; lê-se champálimô e não champáli-maúde para não parecer linguagem sarraceno indiana). Essa ajuda,dizia eu, foi para acabar com a indústria vidreira, com a metalomecânica pesada, metalomecânica de precisão, construção naval, e tudo oque fôsse indústria exportadora, sem falar no sector primário: agricultura, pescas, extracção mineira. Foram os tempos da erosão de recursos: arrancar pomares, montado, olival, vinha… a troco de tostões plantar eucaliptos que comem os solos secam a água e destroem a biodiversidade. Num eucaliptal reina sempre o silêncio da morte; não há insectos, não há pássaros e como não estamos na Austrália também não há marsupiais e os únicos mamíferos são os serradores.
Ora este avô cantigas, não confundir com o avô cantigas original que faz música para crianças; andava a ser promovido a Professor. Professor desses que são patrocinados pela publicidade televisiva e que vendem ideias como antes se vendia banha da cobra. As ideias desses professores, não fazem bem, nem mal, como a banha da cobra, mas quem neles acredita sente-se melhor como se sentem melhor os que acreditam nos poderes curativos da banha da cobra.
Ora o avô cantigas quando estava no auge da sua transformação televisiva em professor; no português televisivo oral diz-se pçôr decide ao vivo em directo pôr pintelhos na boca, uns ouviram pintelhos, outros ouviram pentelhos. É sabido que o ouvido de cada um tem a ver com a sua cultura e que cada um ouve o que a sua cultura lhe permite ouvir. Um rei ouviria da boca do pçôr que ele disse lana caprina mas eu que não sou rei e muitas vezes passo por bobo ouvi distintamente pintelhos. Eu e o povo. Afinal o pçor essa figura que sempre nos é apresentada como sendo augusta e de estatura elevada, pelo menos sempre maior que a nossa, não passa de um Eduardinho.
E assim se foi; de férias e para parte incerta, o promitente pçôr o tão auspicioso ministro. Dizem que foi a banhos para Abrantes. Que passe bem; e por lá coma muita palha que é gulodice indicada para criatura da sua qualidade.
sexta-feira, 13 de maio de 2011
quinta-feira, 12 de maio de 2011
quarta-feira, 11 de maio de 2011
terça-feira, 10 de maio de 2011
ENVIARAM-ME ESTE TEXTO QUE APROVEITO PARA DIVULGAR, É CASO PARA DIZER NO DIA 5 DE JUNHO O POVO PODERÁ VOTAR A FAVOR OU CONTRA O 25 DE ABRIL. SE VOTAREM NOS MESMOS QUE LÁ ESTÃO E ESTIVERAM ANTES, PERDERÃO O QUE LHES RESTA DO QUE ESSE DIA LHES POSSIBILITOU GANHAR. VEJAM POIS O PROGRAMA QUE ESTÁ PROMETIDO:
Programa de Agressão sem precedentes ao povo e ao país.
Desmentindo a operação montada por PS, PSD e CDS, as medidas previstas são a maior agressão aos direitos do povo e aos interesses do país desde os tempos do fascismo. Trata-se de um programa ilegítimo de intervenção externa, construído para favorecer os grupos económicos e financeiros nacionais e estrangeiros, que aprofunda e desenvolve tudo o que foi rejeitado no PEC IV. Um ataque sem precedentes à soberania e independência, só possível pelo papel de abdicação dos interesses nacionais que PS, PSD e CDS estão a assumir.
Uma intervenção que, a concretizar-se, contribuiria para o agravamento da recessão económica, do desemprego e da pobreza – decorrente da quebra no investimento público, da redução dos salários e das pensões, do ataque às pequenas empresas – bem como para o agravamento da dependência externa. Uma intervenção e uma ingerência que o povo português não pode aceitar e que agravaria, a ser aplicada, todos os problemas nacionais, incluindo as condições para o pagamento da dívida externa.
Eis uma síntese de algumas das muitas medidas previstas.
Agravamento da exploração
- Facilitação e embaratecimento dos despedimentos, reduzindo a indemnização paga pelo patronato de 30 para 10 dias (por ano de trabalho) e alargando as possibilidades de despedimento por “justa causa”;
- Redução da duração máxima do subsídio de desemprego para um máximo de 18 meses e limitação do seu montante a 2,5 IAS, com redução sistemática do seu valor após seis meses;
- Flexibilização do horário de trabalho por via do “banco de horas”, redução do valor pago pelas horas extraordinárias;
- Ataque à contratação colectiva e ao papel dos sindicatos na negociação
Ataque aos rendimentos de trabalhadores e reformados
- Congelamento do salário mínimo nacional e desvalorização geral dos salários por via da alteração da legislação de trabalho e do subsídio de desemprego;
- Diminuição real de todas as pensões e reformas durante três anos, incluindo as pensões mínimas, e corte das de valor superior a 1500 euros;
- Aumento do IVA, designadamente nas taxas de bens e serviços essenciais, e de outros impostos indirectos;
- Aumento do IRS por via da redução/eliminação de deduções ficais (saúde, educação, habitação), incluindo o agravamento da tributação das reformas e pensões e introdução do pagamento de imposto sobre rendimentos de apoios sociais;
- Eliminação das isenções de IMI nos primeiros anos após a compra da casa, a par do aumento dos valores matriciais de referência e das taxas aplicadas;
- Aumento dos preços de energia eléctrica e do gás, por via da sua liberalização e do agravamento do IVA;
- Aumento do valor das rendas e facilitação dos despejos;
- Continuação dos cortes nas prestações sociais;
- Agravamento significativo das taxas moderadoras, diminuição das comparticipações dos medicamentos;
Ataque aos trabalhadores e às funções do Estado
- Cortes significativos na saúde, educação, justiça, administração local e regional;
- Encerramento e concentração de serviços (hospitais, centros de saúde, escolas, tribunais, finanças e outros serviços da administração central e regional);
- Congelamento durante três anos dos salários dos trabalhadores da administração pública; redução de dezenas de milhares de postos de trabalho na administração pública;
- Eliminação de freguesias e municípios em número significativo, afastando vastas zonas do território e largas camadas da população de serviços essenciais;
Privatizações
- Privatizações – aceleração da entrega de empresas e participações estratégicas ao capital privado;
- Já em 2011 privatização da participação do Estado na EDP, da REN e da TAP;
- Alienação dos direitos especiais do Estado (“golden shares”) em empresas estratégicas como a PT;
- Privatização da Caixa Geral de Depósitos no seu ramo segurador (mais de 30% da actividade financeira do grupo), bem como de outros sectores de actividade, designadamente no estrangeiro;
- Extensão do processo de privatizações às empresas municipais e regionais;
- Ofensiva contra o sector público de transportes de passageiros e mercadorias, designadamente com a privatização da ANA, CP Carga, Linhas ferroviárias suburbanas, gestão portuária, etc.;
- Venda generalizada de património público;
- Transferência para o sector privado, por via do encerramento e degradação de serviços públicos, de vastas áreas de intervenção até aqui asseguradas pelo Estado;
Mais apoios à banca e grupos económicos
- Banca e grupos económicos isentos de qualquer medida de penalização;
- Transferências de 12 mil milhões de euros para a banca, acrescida de garantias estatais no valor de 35 mil milhões de euros;
- Consumação da assunção pelo Estado dos prejuízos da gestão fraudulenta do BPN, através da sua privatização até Julho de 2011, sem preço mínimo e liberta de qualquer ónus para o comprador.
Desmentindo a operação montada por PS, PSD e CDS, as medidas previstas são a maior agressão aos direitos do povo e aos interesses do país desde os tempos do fascismo. Trata-se de um programa ilegítimo de intervenção externa, construído para favorecer os grupos económicos e financeiros nacionais e estrangeiros, que aprofunda e desenvolve tudo o que foi rejeitado no PEC IV. Um ataque sem precedentes à soberania e independência, só possível pelo papel de abdicação dos interesses nacionais que PS, PSD e CDS estão a assumir.
Uma intervenção que, a concretizar-se, contribuiria para o agravamento da recessão económica, do desemprego e da pobreza – decorrente da quebra no investimento público, da redução dos salários e das pensões, do ataque às pequenas empresas – bem como para o agravamento da dependência externa. Uma intervenção e uma ingerência que o povo português não pode aceitar e que agravaria, a ser aplicada, todos os problemas nacionais, incluindo as condições para o pagamento da dívida externa.
Eis uma síntese de algumas das muitas medidas previstas.
Agravamento da exploração
- Facilitação e embaratecimento dos despedimentos, reduzindo a indemnização paga pelo patronato de 30 para 10 dias (por ano de trabalho) e alargando as possibilidades de despedimento por “justa causa”;
- Redução da duração máxima do subsídio de desemprego para um máximo de 18 meses e limitação do seu montante a 2,5 IAS, com redução sistemática do seu valor após seis meses;
- Flexibilização do horário de trabalho por via do “banco de horas”, redução do valor pago pelas horas extraordinárias;
- Ataque à contratação colectiva e ao papel dos sindicatos na negociação
Ataque aos rendimentos de trabalhadores e reformados
- Congelamento do salário mínimo nacional e desvalorização geral dos salários por via da alteração da legislação de trabalho e do subsídio de desemprego;
- Diminuição real de todas as pensões e reformas durante três anos, incluindo as pensões mínimas, e corte das de valor superior a 1500 euros;
- Aumento do IVA, designadamente nas taxas de bens e serviços essenciais, e de outros impostos indirectos;
- Aumento do IRS por via da redução/eliminação de deduções ficais (saúde, educação, habitação), incluindo o agravamento da tributação das reformas e pensões e introdução do pagamento de imposto sobre rendimentos de apoios sociais;
- Eliminação das isenções de IMI nos primeiros anos após a compra da casa, a par do aumento dos valores matriciais de referência e das taxas aplicadas;
- Aumento dos preços de energia eléctrica e do gás, por via da sua liberalização e do agravamento do IVA;
- Aumento do valor das rendas e facilitação dos despejos;
- Continuação dos cortes nas prestações sociais;
- Agravamento significativo das taxas moderadoras, diminuição das comparticipações dos medicamentos;
Ataque aos trabalhadores e às funções do Estado
- Cortes significativos na saúde, educação, justiça, administração local e regional;
- Encerramento e concentração de serviços (hospitais, centros de saúde, escolas, tribunais, finanças e outros serviços da administração central e regional);
- Congelamento durante três anos dos salários dos trabalhadores da administração pública; redução de dezenas de milhares de postos de trabalho na administração pública;
- Eliminação de freguesias e municípios em número significativo, afastando vastas zonas do território e largas camadas da população de serviços essenciais;
Privatizações
- Privatizações – aceleração da entrega de empresas e participações estratégicas ao capital privado;
- Já em 2011 privatização da participação do Estado na EDP, da REN e da TAP;
- Alienação dos direitos especiais do Estado (“golden shares”) em empresas estratégicas como a PT;
- Privatização da Caixa Geral de Depósitos no seu ramo segurador (mais de 30% da actividade financeira do grupo), bem como de outros sectores de actividade, designadamente no estrangeiro;
- Extensão do processo de privatizações às empresas municipais e regionais;
- Ofensiva contra o sector público de transportes de passageiros e mercadorias, designadamente com a privatização da ANA, CP Carga, Linhas ferroviárias suburbanas, gestão portuária, etc.;
- Venda generalizada de património público;
- Transferência para o sector privado, por via do encerramento e degradação de serviços públicos, de vastas áreas de intervenção até aqui asseguradas pelo Estado;
Mais apoios à banca e grupos económicos
- Banca e grupos económicos isentos de qualquer medida de penalização;
- Transferências de 12 mil milhões de euros para a banca, acrescida de garantias estatais no valor de 35 mil milhões de euros;
- Consumação da assunção pelo Estado dos prejuízos da gestão fraudulenta do BPN, através da sua privatização até Julho de 2011, sem preço mínimo e liberta de qualquer ónus para o comprador.
segunda-feira, 9 de maio de 2011
MARIA DA CONCEIÇÃO cantando MENTIRA. O fado aqui adquire a dimensão rítmica de um bolero, outro fado de MARIA DA CONCEIÇÃO chamado MÃE PRETA, originalmente não era um fado e foi cantado só com o batimento de uma percussão simples, a versão mais conhecida toma o nome de Barco Negro uma vez que a censura não tolerou o que era dito na poesia de Mãe Preta.
FUI À FEIRA DOS LIVROS
Fui à feira dos livros.
Antigamente havia a feira do livro. Nesse tempo o livro era uma espécie de objecto de veneração digno de culto. Nesse tempo as pessoas não compravam livros; eram caros e só por deformação profissional alguém poderia ter em casa livros que já tivesse lido, alguém assim como um advogado ou um médico ou um professor.
Depois veio o tempo em que toda a gente podia falar de tudo, ter opinião sobre o que quer que fosse, e nessa altura muito se lia e se ouvia dos outros sobre o que tinham lido. Tanto se lia só por ser proibido que não se percebia, no que se lia, porque tinha sido proibido.
Nesse tempo os livros entraram na moda e na moda da decoração doméstica. Vendiam-se livros a metro, encadernados em imitação de pele com letras douradas, na lombada em azul, vermelho castanho, preto, pérola… Não havia novo-rico que não tivesse enciclopédia nem remediado que não sonhasse com ela. Até os operários tinham livros e coleccionavam; lado a lado Lenine e Ágata Christie, O Kamasutra e O Tesouro das Cozinheiras…
Isto durou mais ou menos até aos anos 90 quando um poeto-escritor e tradutor da nossa praça; muito ligado ao Senhor Silva, à direita e a cigarrilhas, charutos e outras coisas mal cheirosas, disse ter tantas toneladas de livros. O efeito desmoralizador foi notório no povo leitor que acumulava livros. Contas feitas, poucos seriam os que ao fim de uma vida longa teriam aquelas toneladas de livros para que elas por eles falassem, às gerações da sua descendência.
Esse tempo foi-se, a feira do livro passou a ser a feira dos livros. Agora a feira é muito mais feira: farturas, comes e bebes, ginjinha de Óbidos, café Toffa, gelados Olá, Pita Shoarma e espaços para sentar e autografar livros, para ouvir palestras, ver filmes; para as crianças terem “actividades”. As antigas barracas metálicas formais e conformadas agora assumiram a imagem do grupo editorial, no caso dos editores e livreiros que venderam o negócio ou passaram a estar debaixo do mesmo jugo da marca editorial.
A julgar pelo número médio de livros que diariamente se editam em Portugal - 55 por dia - o negócio dos livros só pode dar dinheiro. Não sei como dá dinheiro mas quando se vê um empresário pomposo e pedante que diz não gostar de livros nem gostar de ler, investir os cabedais a comprar editoras e com elas criar um mega grupo editorial, é porque ganha dinheiro.
Também há o caso de um banqueiro pré-reformado, expulso pelos seus cinzentos pares de um famoso banco, envolto em polémica e nevoeiro que com a sua indemnização milhionária, e a sua obscena reforma milionária decidiu investir numa editora. Neste caso o soturno Senhor diz adorar o objecto livro. Talvez por ser monárquico diz também adorar uma célebre escritora do norte que escreve uns livros barbudos sobre a corte do norte e outros a norte instalados. Ora um banqueiro nunca perde dinheiro, pelo menos o seu dinheiro.
Visitava eu a feira dos livros quando empilhado no fundo de uma prateleira, com a lombada de pernas para o ar; encontrei este livro magnífico. Resgatei-o do seu exílio. Desconfiado, ou paranóico, conjecturando na teoria da conspiração, não fosse o título uma afronta à imagem do grupo editorial onde a editora agora se insere, perguntei a um dos empregados, agora chamam-lhes colaboradores, porque estava aquele livro e toda a colecção de que ele faz parte escondidos no fundo de uma prateleira junto ao chão no canto daquele pavilhão. O colaborador disse-me que não, que era ideia minha, que se viam bem, que calhou aquele ter a lombada ao contrário, que não se viam as capas mas que nas estantes das livrarias também não…
Já sei porque lhes chamam colaboradores, é que um funcionário livreiro pedir-me-ia desculpa pela forma como estava exposto o livro; um bom empregado livreiro arranjaria forma de expor melhor os livros e um bom empregado livreiro que fosse trabalhador, aceitaria a minha sugestão, exporia algumas capas ordenaria as lombadas de novo.
Os livros estão muito caros. Mas não foi o caso deste.
Mesmo que fosse caro o seu preço não pagaria o quão precioso ele é por aquilo que revela.
O nosso Mundo, todo o nosso Ecossistema e os Povos que dele fazem parte estão à mercê de gente sem escrúpulos, cega pelo lucro e pelo poder. O FMI, o Banco Mundial, os Amigos Anglo Americanos, mas também muitos outros actores menos suspeitos como a ONU, estão por trás de guerras e genocídios, miséria e fome, desastres ambientais e crimes de toda a espécie.
"VEMOS OUVIMOS E LEMOS NÃO PODEMOS IGNORAR"
Antigamente havia a feira do livro. Nesse tempo o livro era uma espécie de objecto de veneração digno de culto. Nesse tempo as pessoas não compravam livros; eram caros e só por deformação profissional alguém poderia ter em casa livros que já tivesse lido, alguém assim como um advogado ou um médico ou um professor.
Depois veio o tempo em que toda a gente podia falar de tudo, ter opinião sobre o que quer que fosse, e nessa altura muito se lia e se ouvia dos outros sobre o que tinham lido. Tanto se lia só por ser proibido que não se percebia, no que se lia, porque tinha sido proibido.
Nesse tempo os livros entraram na moda e na moda da decoração doméstica. Vendiam-se livros a metro, encadernados em imitação de pele com letras douradas, na lombada em azul, vermelho castanho, preto, pérola… Não havia novo-rico que não tivesse enciclopédia nem remediado que não sonhasse com ela. Até os operários tinham livros e coleccionavam; lado a lado Lenine e Ágata Christie, O Kamasutra e O Tesouro das Cozinheiras…
Isto durou mais ou menos até aos anos 90 quando um poeto-escritor e tradutor da nossa praça; muito ligado ao Senhor Silva, à direita e a cigarrilhas, charutos e outras coisas mal cheirosas, disse ter tantas toneladas de livros. O efeito desmoralizador foi notório no povo leitor que acumulava livros. Contas feitas, poucos seriam os que ao fim de uma vida longa teriam aquelas toneladas de livros para que elas por eles falassem, às gerações da sua descendência.
Esse tempo foi-se, a feira do livro passou a ser a feira dos livros. Agora a feira é muito mais feira: farturas, comes e bebes, ginjinha de Óbidos, café Toffa, gelados Olá, Pita Shoarma e espaços para sentar e autografar livros, para ouvir palestras, ver filmes; para as crianças terem “actividades”. As antigas barracas metálicas formais e conformadas agora assumiram a imagem do grupo editorial, no caso dos editores e livreiros que venderam o negócio ou passaram a estar debaixo do mesmo jugo da marca editorial.
A julgar pelo número médio de livros que diariamente se editam em Portugal - 55 por dia - o negócio dos livros só pode dar dinheiro. Não sei como dá dinheiro mas quando se vê um empresário pomposo e pedante que diz não gostar de livros nem gostar de ler, investir os cabedais a comprar editoras e com elas criar um mega grupo editorial, é porque ganha dinheiro.
Também há o caso de um banqueiro pré-reformado, expulso pelos seus cinzentos pares de um famoso banco, envolto em polémica e nevoeiro que com a sua indemnização milhionária, e a sua obscena reforma milionária decidiu investir numa editora. Neste caso o soturno Senhor diz adorar o objecto livro. Talvez por ser monárquico diz também adorar uma célebre escritora do norte que escreve uns livros barbudos sobre a corte do norte e outros a norte instalados. Ora um banqueiro nunca perde dinheiro, pelo menos o seu dinheiro.
Visitava eu a feira dos livros quando empilhado no fundo de uma prateleira, com a lombada de pernas para o ar; encontrei este livro magnífico. Resgatei-o do seu exílio. Desconfiado, ou paranóico, conjecturando na teoria da conspiração, não fosse o título uma afronta à imagem do grupo editorial onde a editora agora se insere, perguntei a um dos empregados, agora chamam-lhes colaboradores, porque estava aquele livro e toda a colecção de que ele faz parte escondidos no fundo de uma prateleira junto ao chão no canto daquele pavilhão. O colaborador disse-me que não, que era ideia minha, que se viam bem, que calhou aquele ter a lombada ao contrário, que não se viam as capas mas que nas estantes das livrarias também não…
Já sei porque lhes chamam colaboradores, é que um funcionário livreiro pedir-me-ia desculpa pela forma como estava exposto o livro; um bom empregado livreiro arranjaria forma de expor melhor os livros e um bom empregado livreiro que fosse trabalhador, aceitaria a minha sugestão, exporia algumas capas ordenaria as lombadas de novo.
Os livros estão muito caros. Mas não foi o caso deste.
Mesmo que fosse caro o seu preço não pagaria o quão precioso ele é por aquilo que revela.
O nosso Mundo, todo o nosso Ecossistema e os Povos que dele fazem parte estão à mercê de gente sem escrúpulos, cega pelo lucro e pelo poder. O FMI, o Banco Mundial, os Amigos Anglo Americanos, mas também muitos outros actores menos suspeitos como a ONU, estão por trás de guerras e genocídios, miséria e fome, desastres ambientais e crimes de toda a espécie.
"VEMOS OUVIMOS E LEMOS NÃO PODEMOS IGNORAR"
quarta-feira, 4 de maio de 2011
GERONIMO E KIA - Bin Laden Enemy Killed in Action
Sinto-me muito mais seguro agora que mataram o Gerónimo, quero dizer o Bin Laden.
Afinal os métodos de interrogatório vigoroso em Guantanamo, (uns mal intensionados chamaram-lhe tortura) justificaram-se, pois sem eles não teria sido obtida a confissão que possibilitou identificar uma viatura suspeita, conduzida por um acólito do tal Bin Laden, numa rua obscura de uma determinada vizinhança no Paquistão e assim descobrir onde ele Bin, tinha o seu covil.
Assim já o General de Tal que manda no Afeganistão pode ir para Chefe da CIA para que o Senhor de Tal Chefe da Cia possa ir para Ministro da Defesa. Lá na terra chamam Secretário em vez de ministro, está bem de ver que são coisas da etimologia, o ministro é um servo enquanto o secretário está sentado na cadeira e se há coisa que simboliza a nossa/deles civilização esse objecto é a cadeira, o trono. Qualquer que seja o dono da cadeira o chairman, é dele o poder a última palavra.
Mas dizia eu que assim o General já pode ir para a Inteligência e o Chefe da Inteligência já a pode abandonar para ir para a cadeira da Defesa orgulhosos por ser no momento exacto do sucesso de ambos.
Os cidadãos americanos que fornecem a carne para canhão, aproximadamente dois terços da população, que estavam contra a permanência de tropas no Afeganistão estão agora suficientemente contentes, tal como eu mais seguros, e receptivos para que as tropas se mantenham para acabar com a ninhada, ou que regressem para que a NATO os possa substituir afinal é preciso que tudo mude para que tudo fique na mesma.
Entretanto Obama que muitos já chamavam de Obama-banana, passou a ser um génio militar, um corajoso e decidido Comandante-em-Chefe, Imperator Supremo com determinação e sangue frio bastante para merecer a Cadeira na reeleição de 2012.
Até lá por todo o mundo maometano o povo recalcado vai sendo instrumentalizado para morrer enquanto outros em seu nome tomarão o poder. Os tiranos amigos de ontem serão substituídos por tiranos a comprar amanhã. Endeusados em seus tronos, será contra esses tiranos e seus povos que a seu tempo o mundo ocidental batalhará pela Liberdade e Democracia.
A Liberdade do consumo, a Democracia do Hipermercado, da gasosa castanha e do bife de carne moída. Ambas serão levadas até às profundezas da Rússia, aos confins da China e aos mais remotos ilhéus da Indonésia impondo-se triunfantes sobre os Sarracenos.
Parando a minha divagação e voltando à vaca fria; os americanos dos Estados Unidos mataram um inimigo; pode-se compreender, mas porque raio haveriam de trazer o corpo quente do morto Bin Laden?
E depois porque o despejaram sobre o mar?
Se fossem as cinzas, até pareceria ser uma acção piedosa e mística, mas um corpo morto, embrulhado (em plástico), à maneira dos marinheiros da época em que não havia câmaras frigoríficas?!
Se queriam atirar o corpo fora porque o embrulharam em plástico? Já há tanta coisa a poluir o mar.
Uma palavra chamou-me a atenção. Essa palavra foi comum na boca de Obama e na de Bin Laden.
Parece-me mesmo que é comum a todos os fundamentalistas sejam eles maometanos ou cristãos.
Uns e outros antes, durante e após a matança invocam DEUS, pergunto-me porquê.
Afinal os métodos de interrogatório vigoroso em Guantanamo, (uns mal intensionados chamaram-lhe tortura) justificaram-se, pois sem eles não teria sido obtida a confissão que possibilitou identificar uma viatura suspeita, conduzida por um acólito do tal Bin Laden, numa rua obscura de uma determinada vizinhança no Paquistão e assim descobrir onde ele Bin, tinha o seu covil.
Assim já o General de Tal que manda no Afeganistão pode ir para Chefe da CIA para que o Senhor de Tal Chefe da Cia possa ir para Ministro da Defesa. Lá na terra chamam Secretário em vez de ministro, está bem de ver que são coisas da etimologia, o ministro é um servo enquanto o secretário está sentado na cadeira e se há coisa que simboliza a nossa/deles civilização esse objecto é a cadeira, o trono. Qualquer que seja o dono da cadeira o chairman, é dele o poder a última palavra.
Mas dizia eu que assim o General já pode ir para a Inteligência e o Chefe da Inteligência já a pode abandonar para ir para a cadeira da Defesa orgulhosos por ser no momento exacto do sucesso de ambos.
Os cidadãos americanos que fornecem a carne para canhão, aproximadamente dois terços da população, que estavam contra a permanência de tropas no Afeganistão estão agora suficientemente contentes, tal como eu mais seguros, e receptivos para que as tropas se mantenham para acabar com a ninhada, ou que regressem para que a NATO os possa substituir afinal é preciso que tudo mude para que tudo fique na mesma.
Entretanto Obama que muitos já chamavam de Obama-banana, passou a ser um génio militar, um corajoso e decidido Comandante-em-Chefe, Imperator Supremo com determinação e sangue frio bastante para merecer a Cadeira na reeleição de 2012.
Até lá por todo o mundo maometano o povo recalcado vai sendo instrumentalizado para morrer enquanto outros em seu nome tomarão o poder. Os tiranos amigos de ontem serão substituídos por tiranos a comprar amanhã. Endeusados em seus tronos, será contra esses tiranos e seus povos que a seu tempo o mundo ocidental batalhará pela Liberdade e Democracia.
A Liberdade do consumo, a Democracia do Hipermercado, da gasosa castanha e do bife de carne moída. Ambas serão levadas até às profundezas da Rússia, aos confins da China e aos mais remotos ilhéus da Indonésia impondo-se triunfantes sobre os Sarracenos.
Parando a minha divagação e voltando à vaca fria; os americanos dos Estados Unidos mataram um inimigo; pode-se compreender, mas porque raio haveriam de trazer o corpo quente do morto Bin Laden?
E depois porque o despejaram sobre o mar?
Se fossem as cinzas, até pareceria ser uma acção piedosa e mística, mas um corpo morto, embrulhado (em plástico), à maneira dos marinheiros da época em que não havia câmaras frigoríficas?!
Se queriam atirar o corpo fora porque o embrulharam em plástico? Já há tanta coisa a poluir o mar.
Uma palavra chamou-me a atenção. Essa palavra foi comum na boca de Obama e na de Bin Laden.
Parece-me mesmo que é comum a todos os fundamentalistas sejam eles maometanos ou cristãos.
Uns e outros antes, durante e após a matança invocam DEUS, pergunto-me porquê.
terça-feira, 3 de maio de 2011
domingo, 1 de maio de 2011
sábado, 30 de abril de 2011
PARA QUE QUEREMOS NÓS UM SUBMARINO?... ... ... ... ... ... A RESPOSTA É SIMPLES, É PARA AJUDAR OS NOSSOS AMIGOS GERMÂNICOS FABRICANTES DE ARMAS E DE GUERRAS!
Hoje o Navio da Républica Portuguesa Arpão entrou pela primeira vez no Tejo. Este navio é um submarino que custou mil milhões de euros aos pobres portugueses que pagam impostos.
Não veio dos Estaleiros de Viana do Castelo nem de nenhum outro estaleiro naval português.
Veio da Alemanha, aquela terra de gente trabalhadora que produz sem parar armamento e tecnologia vária que vende a países com governantes como os nossos.
Nessa terra de gente trabalhadora; não se enganem, quem trabalha não são necessáriamente alemães, lá como cá, quem trabalha são os mouros, os galegos; ou seja, quem trabalha lá, são os portugueses e os turcos e tudo o que é nacionalidade do que antes eram os países da cortina de ferro; nessa terra de gente trabalhadora dizia eu; os políticos alemães mandam-nos fazer mais sacrifícios: menos salário, mais anos de trabalho, menos protecção nas alturas de carência seja na infância, na doença, do desemprego ou na idade avançada...
Se nós não pouparmos muito para comprar os submarinos, as armas, os carros e o que demais nos querem vender; como vão eles poder viver abastadamente?
Não veio dos Estaleiros de Viana do Castelo nem de nenhum outro estaleiro naval português.
Veio da Alemanha, aquela terra de gente trabalhadora que produz sem parar armamento e tecnologia vária que vende a países com governantes como os nossos.
Nessa terra de gente trabalhadora; não se enganem, quem trabalha não são necessáriamente alemães, lá como cá, quem trabalha são os mouros, os galegos; ou seja, quem trabalha lá, são os portugueses e os turcos e tudo o que é nacionalidade do que antes eram os países da cortina de ferro; nessa terra de gente trabalhadora dizia eu; os políticos alemães mandam-nos fazer mais sacrifícios: menos salário, mais anos de trabalho, menos protecção nas alturas de carência seja na infância, na doença, do desemprego ou na idade avançada...
Se nós não pouparmos muito para comprar os submarinos, as armas, os carros e o que demais nos querem vender; como vão eles poder viver abastadamente?
Pagam os pobres a saúde dos ricos, e esse negócio é mais lucrativo que o da Industria do Armamento.
Por acaso tive a sorte de ouvir esta frase sobre a saúde e o negócio de armas. Registei-a num caderninho com o nome da Senhora que a proferiu e a posição que ocupava no Banco que lhe paga. Não queria acreditar nos meus ouvidos.
Mais tarde, e após um artifício publicitário com um futebolista reformado muito famoso, o tal hospital para sobreviver lá fez um contrato com o Estado para este lhe mandar doentes da dita função pública. Nada de espantar pois do Banco em questão é normal saírem Ministros, Secretários e Sub-Secretários de Estado e demais consultores. Afinal tinha razão José Rodrigues Migueis, a "Gente de Terceira Classe" numerosa e muito mal tratada é que paga a parte maior do custo do bilhete da gente da Primeira Classe. Lamentável que hoje seja assim e ainda pior, sem pudor; em total impunidade.
sexta-feira, 29 de abril de 2011
quinta-feira, 28 de abril de 2011
BANHA DA COBRA - O LINIMENTO POLÍTICO AO DOMICÍLIO PARA CURAR TODOS OS MALES.--------------------------------------- (Veja num qualquer canal de informação público ou privado do seu televisor. Os nossos locutores-apresentadores já não são incómodos e aborrecedores jornalistas, mas sim a excelência dos pivôs-colaboradores, bem-parecidos, peripatéticos e de corpo inteiro.)
ESSA HISTÓRIA QUE ANDA AÍ DE PORTUGAL TER AJUDADO A FINLÂNDIA EM TEMPO QUE JÁ LÁ VAI E AGORA ELA NÃO QUERER RETRIBUIR FAZ-ME LEMBRAR A ANEDOTA DO MIÚDO POBRE E DO MÍUDO RICO. "O MIÚDO FAMINTO QUE NÃO TROUXE LANCHE DISSE PARA O QUE COMIA COM SATISFAÇÃO: Se eu tivera também dára a ti! -RESPONDE-LHE O GLUTÃO: Então quando tiveres logo me dás!" ISTO SIGNIFICA QUE QUEM PODE, NÃO DÁ A QUEM NÃO TEM; SÓ QUEM TEM POUCO É QUE DÁ A QUEM PRECISA.
quarta-feira, 27 de abril de 2011
TARANTELLA DEL GARGANO
Comma dei fari pì amà sta donni?
Di rose dee fare nu bellu ciardini
nu bellu ciardini
ntorni p'intorni lei annammurari
di prete preziosi e ori fini
mezzo ce la cava na brava funtani
na brava funtani
e ja ja ca corri l'acqua surgentivi
l'acqua surgentivi
ncoppa ce lu mette n'auciello a ccantari
n'auciello a ccantari
cantava e repusava: bella diceva
pì voi vò addivintare un aucello
pe farimi nu sonno accanto a voi bella madonna.
Me l'ha fatto annammurà
La cammenatura e lu pparlà
Si bella tu nun ce ivi
Annammurà nun me facivi.
Ah pi nciuè
sta ncagnata che vuò da me?
Mammeta lu ssape e tu vò dice pure a tte.
-ANÓNIMO SÉC XVII-
terça-feira, 26 de abril de 2011
25 ANOS DEPOIS O DESASTRE CONTINUA, HÁ QUEM DIGA QUE SÓ HOUVE 70 MORTES. CONTARAM-SE DOIS MILHÕES SEIS CENTOS E CINQUENTA MIL VÍTIMAS DA RADIAÇÃO (MORRERAM OU TOMAM MEDICAMENTOS PARA DOENÇAS PROVOCADAS PELA RADIAÇÃO) ATÉ QUE PARARAM DE SER CONTABILIZADOS EM 1991. A ESPERANÇA MÉDIA DE VIDA NA UCRÂNIA CONTINUA A BAIXAR; ERA DE 75 ANOS E DAQUI A DEZ ANOS ATINGIRÁ OS 55 ANOS PARA OS QUE ENTRETANTO NASCEREM ATÉ LÁ.
segunda-feira, 25 de abril de 2011
domingo, 24 de abril de 2011
sábado, 23 de abril de 2011
sexta-feira, 22 de abril de 2011
MANIFESTO DOS SETENTA E QUATRO NASCIDOS DEPOIS DE 1974
Somos cidadãos e cidadãs nascidos depois do 25 de Abril de 1974. Crescemos com a consciência de que as conquistas democráticas e os mais básicos direitos de cidadania são filhos directos desse momento histórico. Soubemos resistir ao derrotismo cínico, mesmo quando os factos pareciam querer lutar contra nós: quando o então primeiro-ministro Cavaco Silva recusava uma pensão ao capitão de Abril, Salgueiro Maia, e a concedia a torturadores da PIDE/DGS; quando um governo decidia comemorar Abril como uma «evolução», colocando o «R» no caixote de lixo da História; quando víamos figuras políticas e militares tomar a revolução do 25 de Abril como um património seu. Soubemos permanecer alinhados com a sabedoria da esperança, porque sem ela a democracia não tem alma nem futuro.
O momento crítico que o país atravessa tem vindo a ser aproveitado para promover uma erosão preocupante da herança material e simbólica construída em torno do 25 de Abril. Não o afirmamos por saudosismo bacoco ou por populismo de circunstância. Se não é de agora o ataque a algumas conquistas que fizeram de nós um país mais justo, mais livre e menos desigual, a ofensiva que se prepara – com a cobertura do Fundo Monetário Internacional e a acção diligente do «grande centro» ideológico – pode significar um retrocesso sério, inédito e porventura irreversível. Entendemos, por isso, que é altura de erguermos a nossa voz. Amanhã pode ser tarde.
O primeiro eixo dessa ofensiva ocorre no campo do trabalho. A regressão dos direitos laborais tem caminhado a par com uma crescente precarização que invade todos os planos da vida: o emprego e o rendimento são incertos, tal como incerto se torna o local onde se reside, a possibilidade de constituir família, o futuro profissional. Como o sabem todos aqueles e aquelas que experienciam esta situação, a precariedade não rima com liberdade. Esta só existe se estiverem garantidas perspectivas mínimas de segurança laboral, um rendimento adequado, habitação condigna e a possibilidade de se acederem a dispositivos culturais e educativos. O desemprego, os falsos recibos verdes, o uso continuado e abusivo de contratos a prazo e as empresas de trabalho temporário são hoje as faces deste tempo em que o trabalho sem direitos se tornou a norma. Recentes declarações de agentes políticos e económicos já mostraram que a redução dos direitos e a retracção salarial é a rota pretendida. Em sentido inverso, estamos dispostos a lutar por um novo pacto social que trave este regresso a vínculos laborais típicos do século XIX.
O segundo eixo dessa ofensiva centra-se no enfraquecimento e desmantelamento do Estado social. A saúde e a educação são as duas grandes fatias do bolo público que o apetite privado busca capturar. Infelizmente, algum caminho já foi trilhado, ainda que na penumbra. Sabemos que não há igualdade de oportunidades sem uma rede pública estruturada e acessível de saúde e educação. Estamos convencidos de que não há democracia sem igualdade de oportunidades. Preocupa-nos, por isso, o desinvestimento no SNS, a inexistência de uma rede de creches acessível, os problemas que enfrenta a escola pública e as desistências de frequência do ensino superior por motivos económicos. Num país com fortes bolsas de pobreza e com endémicas desigualdades, corroer direitos sociais constitucionalmente consagrados é perverter a nossa coluna vertebral democrática, e o caldo perfeito para o populismo xenófobo. Com isso, não podemos pactuar. No nosso ponto de vista, esta é a linha de fronteira que separa uma sociedade preocupada com o equilíbrio e a justiça e uma sociedade baseada numa diferença substantiva entre as elites e a restante população.
Por fim, o terceiro e mais inquietante eixo desta ofensiva anti-Abril assenta na imposição de uma ideia de inevitabilidade que transforma a política mais numa ratificação de escolhas já feitas do que numa disputa real em torno de projectos diferenciados. Este discurso ganhou terreno nos últimos tempos, acentuou-se bastante nas últimas semanas e tenderá a piorar com a transformação do país num protectorado do FMI. Um novo vocabulário instala-se, transformando em «credores» aqueles que lucram com a dívida, em «resgate financeiro» a imposição ainda mais acentuada de políticas de austeridade e em «consenso alargado» a vontade de ditar a priori as soluções governativas. Esta maquilhagem da língua ocupa de tal forma o terreno mediático que a própria capacidade de pensar e enunciar alternativas se encontra ofuscada. Por isso dizemos: queremos contribuir para melhorar o país, mas recusamos ser parte de uma engrenagem de destruição de direitos e de erosão da esperança. Se nos roubarem Abril, dar-vos-emos Maio!
Alexandre de Sousa Carvalho – Relações Internacionais, investigador; Alexandre Isaac – antropólogo, dirigente associativo; Alfredo Campos – sociólogo, bolseiro de investigação; Ana Fernandes Ngom – animadora sociocultural; André Avelãs – artista; André Rosado Janeco – bolseiro de doutoramento; António Cambreiro – estudante; Artur Moniz Carreiro – desempregado; Bruno Cabral – realizador; Bruno Rocha – administrativo; Bruno Sena Martins – antropólogo; Carla Silva – médica, sindicalista; Catarina F. Rocha – estudante; Catarina Fernandes – animadora sociocultural, estagiária; Catarina Guerreiro – estudante; Catarina Lobo – estudante; Celina da Piedade – música; Chullage - sociólogo, músico; Cláudia Diogo – livreira; Cláudia Fernandes – desempregada; Cristina Andrade – psicóloga; Daniel Sousa – guitarrista, professor; Duarte Nuno - analista de sistemas; Ester Cortegano – tradutora; Fernando Ramalho – músico; Francisca Bagulho – produtora cultural; Francisco Costa – linguista; Gui Castro Felga – arquitecta; Helena Romão – música, musicóloga; Joana Albuquerque – estudante; Joana Ferreira – lojista; João Labrincha – Relações Internacionais, desempregado; Joana Manuel – actriz; João Pacheco – jornalista; João Ricardo Vasconcelos – politólogo, gestor de projectos; João Rodrigues – economista; José Luís Peixoto – escritor; José Neves – historiador, professor universitário; José Reis Santos – historiador; Lídia Fernandes – desempregada; Lúcia Marques – curadora, crítica de arte; Luís Bernardo – estudante de doutoramento; Maria Veloso – técnica administrativa; Mariana Avelãs – tradutora; Mariana Canotilho – assistente universitária; Mariana Vieira – estudante de doutoramento; Marta Lança – jornalista, editora; Marta Rebelo – jurista, assistente universitária; Miguel Cardina – historiador; Miguel Simplício David – engenheiro civil; Nuno Duarte (Jel) – artista; Nuno Leal – estudante; Nuno Teles – economista; Paula Carvalho – aprendiz de costureira; Paula Gil – Relações Internacionais, estagiária; Pedro Miguel Santos – jornalista; Ricardo Araújo Pereira – humorista; Ricardo Lopes Lindim Ramos – engenheiro civil; Ricardo Noronha – historiador; Ricardo Sequeiros Coelho – bolseiro de investigação; Rita Correia – artesã; Rita Silva – animadora; Salomé Coelho – investigadora em Estudos Feministas, dirigente associativa; Sara Figueiredo Costa – jornalista; Sara Vidal – música; Sérgio Castro – engenheiro informático; Sérgio Pereira – militar; Tiago Augusto Baptista – médico, sindicalista; Tiago Brandão Rodrigues – bioquímico; Tiago Gillot – engenheiro agrónomo, encarregado de armazém; Tiago Ivo Cruz – programador cultural; Tiago Mota Saraiva – arquitecto; Tiago Ribeiro – sociólogo; Úrsula Martins – estudante.
O momento crítico que o país atravessa tem vindo a ser aproveitado para promover uma erosão preocupante da herança material e simbólica construída em torno do 25 de Abril. Não o afirmamos por saudosismo bacoco ou por populismo de circunstância. Se não é de agora o ataque a algumas conquistas que fizeram de nós um país mais justo, mais livre e menos desigual, a ofensiva que se prepara – com a cobertura do Fundo Monetário Internacional e a acção diligente do «grande centro» ideológico – pode significar um retrocesso sério, inédito e porventura irreversível. Entendemos, por isso, que é altura de erguermos a nossa voz. Amanhã pode ser tarde.
O primeiro eixo dessa ofensiva ocorre no campo do trabalho. A regressão dos direitos laborais tem caminhado a par com uma crescente precarização que invade todos os planos da vida: o emprego e o rendimento são incertos, tal como incerto se torna o local onde se reside, a possibilidade de constituir família, o futuro profissional. Como o sabem todos aqueles e aquelas que experienciam esta situação, a precariedade não rima com liberdade. Esta só existe se estiverem garantidas perspectivas mínimas de segurança laboral, um rendimento adequado, habitação condigna e a possibilidade de se acederem a dispositivos culturais e educativos. O desemprego, os falsos recibos verdes, o uso continuado e abusivo de contratos a prazo e as empresas de trabalho temporário são hoje as faces deste tempo em que o trabalho sem direitos se tornou a norma. Recentes declarações de agentes políticos e económicos já mostraram que a redução dos direitos e a retracção salarial é a rota pretendida. Em sentido inverso, estamos dispostos a lutar por um novo pacto social que trave este regresso a vínculos laborais típicos do século XIX.
O segundo eixo dessa ofensiva centra-se no enfraquecimento e desmantelamento do Estado social. A saúde e a educação são as duas grandes fatias do bolo público que o apetite privado busca capturar. Infelizmente, algum caminho já foi trilhado, ainda que na penumbra. Sabemos que não há igualdade de oportunidades sem uma rede pública estruturada e acessível de saúde e educação. Estamos convencidos de que não há democracia sem igualdade de oportunidades. Preocupa-nos, por isso, o desinvestimento no SNS, a inexistência de uma rede de creches acessível, os problemas que enfrenta a escola pública e as desistências de frequência do ensino superior por motivos económicos. Num país com fortes bolsas de pobreza e com endémicas desigualdades, corroer direitos sociais constitucionalmente consagrados é perverter a nossa coluna vertebral democrática, e o caldo perfeito para o populismo xenófobo. Com isso, não podemos pactuar. No nosso ponto de vista, esta é a linha de fronteira que separa uma sociedade preocupada com o equilíbrio e a justiça e uma sociedade baseada numa diferença substantiva entre as elites e a restante população.
Por fim, o terceiro e mais inquietante eixo desta ofensiva anti-Abril assenta na imposição de uma ideia de inevitabilidade que transforma a política mais numa ratificação de escolhas já feitas do que numa disputa real em torno de projectos diferenciados. Este discurso ganhou terreno nos últimos tempos, acentuou-se bastante nas últimas semanas e tenderá a piorar com a transformação do país num protectorado do FMI. Um novo vocabulário instala-se, transformando em «credores» aqueles que lucram com a dívida, em «resgate financeiro» a imposição ainda mais acentuada de políticas de austeridade e em «consenso alargado» a vontade de ditar a priori as soluções governativas. Esta maquilhagem da língua ocupa de tal forma o terreno mediático que a própria capacidade de pensar e enunciar alternativas se encontra ofuscada. Por isso dizemos: queremos contribuir para melhorar o país, mas recusamos ser parte de uma engrenagem de destruição de direitos e de erosão da esperança. Se nos roubarem Abril, dar-vos-emos Maio!
Alexandre de Sousa Carvalho – Relações Internacionais, investigador; Alexandre Isaac – antropólogo, dirigente associativo; Alfredo Campos – sociólogo, bolseiro de investigação; Ana Fernandes Ngom – animadora sociocultural; André Avelãs – artista; André Rosado Janeco – bolseiro de doutoramento; António Cambreiro – estudante; Artur Moniz Carreiro – desempregado; Bruno Cabral – realizador; Bruno Rocha – administrativo; Bruno Sena Martins – antropólogo; Carla Silva – médica, sindicalista; Catarina F. Rocha – estudante; Catarina Fernandes – animadora sociocultural, estagiária; Catarina Guerreiro – estudante; Catarina Lobo – estudante; Celina da Piedade – música; Chullage - sociólogo, músico; Cláudia Diogo – livreira; Cláudia Fernandes – desempregada; Cristina Andrade – psicóloga; Daniel Sousa – guitarrista, professor; Duarte Nuno - analista de sistemas; Ester Cortegano – tradutora; Fernando Ramalho – músico; Francisca Bagulho – produtora cultural; Francisco Costa – linguista; Gui Castro Felga – arquitecta; Helena Romão – música, musicóloga; Joana Albuquerque – estudante; Joana Ferreira – lojista; João Labrincha – Relações Internacionais, desempregado; Joana Manuel – actriz; João Pacheco – jornalista; João Ricardo Vasconcelos – politólogo, gestor de projectos; João Rodrigues – economista; José Luís Peixoto – escritor; José Neves – historiador, professor universitário; José Reis Santos – historiador; Lídia Fernandes – desempregada; Lúcia Marques – curadora, crítica de arte; Luís Bernardo – estudante de doutoramento; Maria Veloso – técnica administrativa; Mariana Avelãs – tradutora; Mariana Canotilho – assistente universitária; Mariana Vieira – estudante de doutoramento; Marta Lança – jornalista, editora; Marta Rebelo – jurista, assistente universitária; Miguel Cardina – historiador; Miguel Simplício David – engenheiro civil; Nuno Duarte (Jel) – artista; Nuno Leal – estudante; Nuno Teles – economista; Paula Carvalho – aprendiz de costureira; Paula Gil – Relações Internacionais, estagiária; Pedro Miguel Santos – jornalista; Ricardo Araújo Pereira – humorista; Ricardo Lopes Lindim Ramos – engenheiro civil; Ricardo Noronha – historiador; Ricardo Sequeiros Coelho – bolseiro de investigação; Rita Correia – artesã; Rita Silva – animadora; Salomé Coelho – investigadora em Estudos Feministas, dirigente associativa; Sara Figueiredo Costa – jornalista; Sara Vidal – música; Sérgio Castro – engenheiro informático; Sérgio Pereira – militar; Tiago Augusto Baptista – médico, sindicalista; Tiago Brandão Rodrigues – bioquímico; Tiago Gillot – engenheiro agrónomo, encarregado de armazém; Tiago Ivo Cruz – programador cultural; Tiago Mota Saraiva – arquitecto; Tiago Ribeiro – sociólogo; Úrsula Martins – estudante.
quinta-feira, 21 de abril de 2011
quarta-feira, 20 de abril de 2011
terça-feira, 19 de abril de 2011
domingo, 17 de abril de 2011
SHAME ON YOU VÁCLAV KLAUS!!! Este Senhor, no sentido feudal do termo, não disse como resolvia o nosso defice até que agora fez uma demonstração. Presúria e saque. Neste video fica demonstrado o saque.
O QUE ELE DISSE:
No Hradschin de Praga, Vaclav Klaus teve a oportunidade de dizer na cara de Cavaco Silva, aquilo que como economista responsável, pensa acerca de países que assumiram a loucura do défice excessivo: "aqueles que aceitaram isso, agora terão de suportar as consequências do seu acto (...) inimaginável que alguns países europeus possam admitir determinados défices (...), como ministro das Finanças ou 1º ministro, nunca admitiria isso".
Um dia depois de afirmado ser “inimaginável que alguns países europeus possam admitir determinados défices” e de ter apontado a responsabilidade dos governantes face ao desequilíbrio das contas públicas, o Presidente da República Checa voltou hoje a surpreender Cavaco Silva, que está em Praga numa visita de Estado. Diante de mais de uma centena de empresários checos e portugueses, reunidos num seminário para estabelecer contactos, Klaus foi implacável: “Fico muito surpreendido por Portugal não estar nervoso por ter um défice de oito por cento”, disse, num tom irónico.
Cavaco Silva esboçou um breve sorriso. E Klaus continuou: “É uma história interessante. Espero que não estejam aqui jornalistas.” A assistência, maioritariamente composta por empresários checos, riu-se. Mas o ambiente entre os homens de negócios portugueses ficou pesado.
Klaus tentou, então, amenizar as críticas, apontando acreditar que a economia vai recuperar – “e não serão os governos a fazer essa recuperação, mas sim vocês”, afirmou, dirigindo-se aos empresários.
O Presidente da República português falou logo a seguir, mas optou por ignorar as provocações de Klaus. Leu o seu discurso sem qualquer aparte, sublinhando as oportunidades de parcerias comerciais entre a República Checa e Portugal.
Contudo, a intervenção de Klaus já tinha deixado uma marca indelével no seminário, que, aparentemente, não foi contrariada pelas palavras de alento de Cavaco Silva.
O QUE ELE FEZ NO CHILE.
AS IMAGENS DO SAQUE.
No Hradschin de Praga, Vaclav Klaus teve a oportunidade de dizer na cara de Cavaco Silva, aquilo que como economista responsável, pensa acerca de países que assumiram a loucura do défice excessivo: "aqueles que aceitaram isso, agora terão de suportar as consequências do seu acto (...) inimaginável que alguns países europeus possam admitir determinados défices (...), como ministro das Finanças ou 1º ministro, nunca admitiria isso".
Um dia depois de afirmado ser “inimaginável que alguns países europeus possam admitir determinados défices” e de ter apontado a responsabilidade dos governantes face ao desequilíbrio das contas públicas, o Presidente da República Checa voltou hoje a surpreender Cavaco Silva, que está em Praga numa visita de Estado. Diante de mais de uma centena de empresários checos e portugueses, reunidos num seminário para estabelecer contactos, Klaus foi implacável: “Fico muito surpreendido por Portugal não estar nervoso por ter um défice de oito por cento”, disse, num tom irónico.
Cavaco Silva esboçou um breve sorriso. E Klaus continuou: “É uma história interessante. Espero que não estejam aqui jornalistas.” A assistência, maioritariamente composta por empresários checos, riu-se. Mas o ambiente entre os homens de negócios portugueses ficou pesado.
Klaus tentou, então, amenizar as críticas, apontando acreditar que a economia vai recuperar – “e não serão os governos a fazer essa recuperação, mas sim vocês”, afirmou, dirigindo-se aos empresários.
O Presidente da República português falou logo a seguir, mas optou por ignorar as provocações de Klaus. Leu o seu discurso sem qualquer aparte, sublinhando as oportunidades de parcerias comerciais entre a República Checa e Portugal.
Contudo, a intervenção de Klaus já tinha deixado uma marca indelével no seminário, que, aparentemente, não foi contrariada pelas palavras de alento de Cavaco Silva.
O QUE ELE FEZ NO CHILE.
AS IMAGENS DO SAQUE.
Creedence Clearwater Revival - Naquele tempo como agora havia trabalho precário. A grande roda que continua a rodar são os ciclos a que somos sujeitos pelo grande rio que é a vida. A "Proud Mary" que continua a queimar é o cigarro de Marijuana, erva, que ajuda a tranquilizar as preocupações da vida díficil,dura e incerta.
domingo, 10 de abril de 2011
Quando dizemos nobre de que nobreza falamos?
O homem está habituado a fazer peditórios.
Não sei se costuma dar a alguém alguma coisa que seja dele.
É notre AMI e é simpático.
Calha bem a qualquer um que faça peditórios ser simpático: ao serviço de Vosselência uma contribuiçãozinha para os desfavorecidos que não puderam aqui estar porque têm mais que fazer mas que têm em mim um criado à disposição. -Manápula estendida, e boca escancarada, ligeira curvatura na coluna vertebral à laia de banana.
O homem deve ser boa pessoa, dizem ser Nobre. A aristocracia é o que é, de casarem entre eles são todos primos chegados e o homem que até já foi monárquico, será Nobre mas de que nobreza?
Não sei se costuma dar a alguém alguma coisa que seja dele.
É notre AMI e é simpático.
Calha bem a qualquer um que faça peditórios ser simpático: ao serviço de Vosselência uma contribuiçãozinha para os desfavorecidos que não puderam aqui estar porque têm mais que fazer mas que têm em mim um criado à disposição. -Manápula estendida, e boca escancarada, ligeira curvatura na coluna vertebral à laia de banana.
O homem deve ser boa pessoa, dizem ser Nobre. A aristocracia é o que é, de casarem entre eles são todos primos chegados e o homem que até já foi monárquico, será Nobre mas de que nobreza?
sábado, 9 de abril de 2011
É ASSIM COMO NO FEUDALISMO.
Primeiro:
rouba quem passa
prende quem apanha
rapta quem não tem
escraviza quem submete
mata quem resiste.
Segundo:
paga a homicidas
compra ladrões
cria guardas
faz o cerco
imagina fronteiras
impõe taxas
cobra impostos
recebe prémios
recolhe-se no castelo
reconhece-se divino.
Terceiro:
Repete o primeiro
repete o segundo
aumenta o número
multiplica a escala
batalha
conquista
cria dinastias
mata
reina
mata
usurpa
mata
impera
mata
regista a verdade histórica.
Quarto:
Torna-se imortal.
Quinto:
Morre.
AS TREZE PALAVRAS para dizer aos senhores do FMI e aos vendedores de banha da cobra que prepararam a sua chegada.
O que aqui vedes não são mulheres nem homens, são grandes árvores de incontáveis folhas em que cada folha é um livro. Pobres de nós se consumirmos a floresta antiga sem novo plantio ou sementeira.
Rebenta demónio terreal que esta alma não é tua, é de Deus e da Virgem Pura Aleluia Aleluia Aleluia.
Rebenta demónio terreal que esta alma não é tua, é de Deus e da Virgem Pura Aleluia Aleluia Aleluia.
Maria violeta da cor do lilás toca a pandeireta diz-me onde estás...
Maria Violeta
da côr do Lilás
toca a pandeireta
diz-me onde estás
vamos com Cassandra
correr mundo fora
procurar a calandra
na luz da aurora
dobrar a Liberdade
num sono profundo
guardar a verdade
num saco sem fundo
Maria Violeta
da côr do Lilás
toca a pandeireta
desperta quem jaz
da côr do Lilás
toca a pandeireta
diz-me onde estás
vamos com Cassandra
correr mundo fora
procurar a calandra
na luz da aurora
dobrar a Liberdade
num sono profundo
guardar a verdade
num saco sem fundo
Maria Violeta
da côr do Lilás
toca a pandeireta
desperta quem jaz
sexta-feira, 8 de abril de 2011
quinta-feira, 7 de abril de 2011
segunda-feira, 4 de abril de 2011
O Voto e o Ex-voto a Santa Maria. Cantigas de Santa Maria um monumento intemporal da nossa língua quando passou a ser língua escrita oficial em substituição do Latim (séc. XIII).
Igreja de Nossa Senhora das Salas CM Sines > Município de Sines - PT > Concelho > Património arquitectónico > Igreja das Salas
De uma princesa grega a Vasco da Gama
Em acção de graças por um suposto milagre na viagem de barco que a trouxe a Portugal (onde vinha ser dama de honor da futura rainha D. Isabel), a princesa grega Betaça (ou Vetaça) Lescaris manda construir, no final do século XIII / início do século XIV, a Igreja de Nossa Senhora das Salas primitiva.
A igreja primitiva é uma construção modesta, de uma só nave, mas torna-se rapidamente num destino de intensa peregrinação.Talvez em acção de graças pelo sucesso da viagem à Índia, o Vasco da Gama decide, em 1529, reedificar o edifício de raiz, dando-lhe uma escala mais grandiosa (na foto).
A Ordem de Santiago, em conflito com Vasco da Gama, não vê com bons olhos a reedificação, Dom Jorge de Lencastre determina que não seja concluída a mudança, mandando que os confrades ampliassem o templo primitivo. Apesar da autoridade do mestre, a ordem não foi acatada. Concluída a ermida, com evidentes traços manuelinos, foram colocadas junto do portal duas lápides que reforçam a posição do Gama: "Esta Casa de Nossa Senhora das Salas mandou fazer o muito magnífico senhor Dom Vasco da Gama, Conde da Vidigueira, Almirante e Vice-rei das Índias".
Principais intervenções ao longo dos séculosNa transição do século XVII para o século XVIII, a ermida sofre obras importantes (uma "actualização programática e estética dentro dos figurinos pós-tridentinos", nas palavras de José António Falcão e Ricardo Estevam Pereira, cujo texto "A Ermida de Nossa Senhora das Salas", incluído no catálogo "Da Ocidental Praia Lusitana" é de referência para uma história do monumento). A intervenção mais significativa foi a instalação na capela-mor de um retábulo de talha dourada.
O terramoto de 1755 leva a obras que alteram sensivelmente a configuração da ermida. No início da década de 1770 são encomendados azulejos para o revestimento do interior da igreja, formando um ciclo alusivo à vida de Maria. Nesta campanha de obras, são acrescentados ao retábulo elementos da linguagem rococó.
Até este século, a ermida possuiu casas próprias para os romeiros e para a habitação do ermitão. A Direcção-Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais demoliu-os em 1961-62. A igreja era revestida por ex-votos oferecidas especialmente pelos náufragos que se acolheram à protecção de Nossa Senhora das Salas.
Tesouro aberto ao público
Monumento Nacional desde 1922 (decreto-lei n.º 8518 de 30 de Setembro de 1922 J. M. S.) a Igreja de Nossa Senhora das Salas sofreu um processo de restauro desde os anos 1990 e encontra-se neste momento aberta ao público com o seu tesouro disponível para visita.
De poetas é a língua que falamos.
"Na Bela Língua e só nela se poderá louvar Santa Maria Estrêla do Dia de Nosso Senhor."
sexta-feira, 1 de abril de 2011
sexta-feira, 25 de março de 2011
Coelho Pascal que tiras o pecado do outro.
Estamos a chegar à Pascoa é tempo de coelhos; amêndoas e coelhos.
Os coelhos são animais dóceis e doces, prestam-se ao sacrifício.
Qualquer coelho de cartola se torna num ser solene e até imponente, capaz de levar à certa o mais desprevenido, mas qualquer coelho de lacinho está sujeito a sofrer o efeito da varinha mágica e a ser transformado em chocolate.
O nosso coelho é de chocolate é para ser sacrificado, a pompa e os penachos não lhe faltam, mas as ideias que traz no cestinho são bichosas, minadas até ao caroço.
Assim neste carrocel o palhaço vai chegar ao anel suspenso, vai puxar o sino, e vai ter direito a outra viagem. Com ele talvez o coelhinho pomposo, e o peixinho da horta que já se viu no mar.
A não ser que o povo farto de circo queira agora pão.
Os coelhos são animais dóceis e doces, prestam-se ao sacrifício.
Qualquer coelho de cartola se torna num ser solene e até imponente, capaz de levar à certa o mais desprevenido, mas qualquer coelho de lacinho está sujeito a sofrer o efeito da varinha mágica e a ser transformado em chocolate.
O nosso coelho é de chocolate é para ser sacrificado, a pompa e os penachos não lhe faltam, mas as ideias que traz no cestinho são bichosas, minadas até ao caroço.
Assim neste carrocel o palhaço vai chegar ao anel suspenso, vai puxar o sino, e vai ter direito a outra viagem. Com ele talvez o coelhinho pomposo, e o peixinho da horta que já se viu no mar.
A não ser que o povo farto de circo queira agora pão.
Garça em pinheiro
quinta-feira, 24 de março de 2011
DESCONFIA DE QUEM NA TUA HORTA PLANTA ÁRVORES E FAZ SEU REPOUSO, BREVES ÁRVORES, SERRADURA DOS MÓVEIS QUE COMPRAS.
DESCONFIA DE QUEM NA TUA HORTA PLANTA ÁRVORES E FAZ SEU REPOUSO, BREVES ÁRVORES, SERRADURA DOS MÓVEIS QUE COMPRAS.
DA ALEMANHA SÓ MANHA.
Da Espanha nem bom vento nem bom casamento. Da Alemanha só manha.
É como se o dono do stand nos impingisse um carro de luxo que não queríamos comprar, mais um crédito num banco de um amigo dele, crédito que se tornou ruinoso, e que desde o início não queríamos contratar. Agora o vendedor de automóveis diz-nos que temos de poupar nas despesas com o médico da avó e com a escola do filho, brevemente virá a nossa casa meter o nariz na nossa panela e dizer que gastamos muito azeite e que o melhor seria em vez de comer sopa fazer gaspacho para poupar no gás.
EU DIGO À VENDEDORA QUE JÁ LEVANTA A TAMPA: - ÂNGELA LEVA DE VOLTA O CARRO!
É como se o dono do stand nos impingisse um carro de luxo que não queríamos comprar, mais um crédito num banco de um amigo dele, crédito que se tornou ruinoso, e que desde o início não queríamos contratar. Agora o vendedor de automóveis diz-nos que temos de poupar nas despesas com o médico da avó e com a escola do filho, brevemente virá a nossa casa meter o nariz na nossa panela e dizer que gastamos muito azeite e que o melhor seria em vez de comer sopa fazer gaspacho para poupar no gás.
EU DIGO À VENDEDORA QUE JÁ LEVANTA A TAMPA: - ÂNGELA LEVA DE VOLTA O CARRO!
quarta-feira, 23 de março de 2011
O infame primeiro-ministro do meu país demitiu-se. Como a fama depende muito do dinheiro para pagar ao arauto, não deve haver problema para que volte em breve com o apreço de todos.
O infame primeiro-ministro do meu país demitiu-se. Como a fama depende muito do dinheiro disponível para pagar aos arautos, não deve haver problema para que volte em breve com o apreço de todos os seus financiadores. Se não voltar ele, voltará um outro sósia político.
Os políticos deveriam emergir, ser a nata do povo que representam.
Não falando de excepções boas como a verdade, o azeite e a nata, muitas outras coisas andam a boiar; à tona. É tudo uma questão de densidade.
Os políticos deveriam emergir, ser a nata do povo que representam.
Não falando de excepções boas como a verdade, o azeite e a nata, muitas outras coisas andam a boiar; à tona. É tudo uma questão de densidade.
terça-feira, 22 de março de 2011
Dia Mundial da Àgua.
Aos 11 anos, aí pelo ano de 1973, numa enciclopédia da Life, em que se publicavam estatísticas e se faziam projecções para o futuro, descobri um mapa da Península Ibérica em que se previa a sua desertificação.
Todas as zonas do centro e sul de Portugal estavam coloridas com amarelo, como se as areias do Deserto Sahara tivessem atravessado o Mar Mediterrâneo de um lado e o Oceano Atlântico do outro.
Estes maricanos são malucos; quais deserto quais carapuça; o que sabem eles do que se passa cá?
Curiosamente tantos anos depois há gente a pensar como eu pensava quando era miúdo.
Fazem-se furos para regar campos agrícolas, e pior do que isso campos de Golf. Água que choveu há dezenas, centenas e mesmo milhares de anos é despendida a fazer crescer relva.
Portugal tem castelos, mosteiros e paços por todo o território. Foram construídos e reconstruídos pelos antepassados que aqui habitaram; muitos são anteriores à nacionalidade. Em todos eles existem grandes reservatórios subterrâneos que armazenam a água da chuva. Algumas destas cisternas são abastecidas por aquedutos. Temos aquedutos romanos de belos e altos arcos que atravessam quilómetros, outros construídos pelos mouros são subterrâneos usam, o princípio dos vasos comunicantes e pouca gente dá por eles, da Idade Média canais Cistercienses ainda afloram superficiais entre musgos, fetos e samambaias nas matas húmidas captando toda a água que as plantas gemem.
E nós os tipos mais instruídos de sempre, doutores, engenheiros, arquitectos, artistas de toda a espécie o que fazemos?
Vamos ao hiper-mercado ou à loja de conveniência comprar uma garrafa de água mineral e depositamos no lixo a garrafinha de plástico da nossa sede momentânea.
Todas as zonas do centro e sul de Portugal estavam coloridas com amarelo, como se as areias do Deserto Sahara tivessem atravessado o Mar Mediterrâneo de um lado e o Oceano Atlântico do outro.
Estes maricanos são malucos; quais deserto quais carapuça; o que sabem eles do que se passa cá?
Curiosamente tantos anos depois há gente a pensar como eu pensava quando era miúdo.
Fazem-se furos para regar campos agrícolas, e pior do que isso campos de Golf. Água que choveu há dezenas, centenas e mesmo milhares de anos é despendida a fazer crescer relva.
Portugal tem castelos, mosteiros e paços por todo o território. Foram construídos e reconstruídos pelos antepassados que aqui habitaram; muitos são anteriores à nacionalidade. Em todos eles existem grandes reservatórios subterrâneos que armazenam a água da chuva. Algumas destas cisternas são abastecidas por aquedutos. Temos aquedutos romanos de belos e altos arcos que atravessam quilómetros, outros construídos pelos mouros são subterrâneos usam, o princípio dos vasos comunicantes e pouca gente dá por eles, da Idade Média canais Cistercienses ainda afloram superficiais entre musgos, fetos e samambaias nas matas húmidas captando toda a água que as plantas gemem.
E nós os tipos mais instruídos de sempre, doutores, engenheiros, arquitectos, artistas de toda a espécie o que fazemos?
Vamos ao hiper-mercado ou à loja de conveniência comprar uma garrafa de água mineral e depositamos no lixo a garrafinha de plástico da nossa sede momentânea.
"Queremos para nós a carne, outros que roam os ossos."
Um menino, director de um tal jornal de negócios, disse que estamos à mercê do que amanhã for decidido no parlamento. Referia-se à aprovação de uma série de medidas do chamado 4º Plano de Estabilidade e Crescimento, medidas que desprotegem trabalhadores mais velhos com contratos de muitos anos; na prática a indemnização de um mês de salário por cada ano de trabalho tem um máximo acumulado de 12 meses, e cada mês de salário em vez de contar com 30 dias só contará com 20. Pois que eu saiba ainda é no parlamento que estas medidas deixam de ser medidas para serem lei, isto se uma maioria as aprovar, pois tal é o preceito da dita democracia representativa parlamentar. Estes jornalistas devem achar que a democracia é linda quando é a ideia deles a vencer, que é um aborrecimento quando tem de ter a aprovação da maioria. O menino jornalista que tem acesso ao templo que é a TV pública julga ser a maravilha entre sábios. Se o seu jornal é de negócios ele ainda não é um homem de negócios, mas lá chegará um dia. Por enquanto leva e traz, faz recados como este para a clientela do patrão:
Queremos para nós a carne, outros que roam os ossos.
Queremos para nós a carne, outros que roam os ossos.
segunda-feira, 21 de março de 2011
domingo, 20 de março de 2011
Estuans Interius Ira vehementis
Estuans interius
Ira vehementi
In amaritudine
Loquor mee menti:
Factus de materia,
Cinis elementi
Similis sum folio,
De quo ludunt venti.
Cum sit enim proprium
Viro sapienti
Supra petram ponere
Sedem fundamenti,
Stultus ego comparor
Fluvio labenti,
Sub eodem tramite
Nunquam permanenti.
Feror ego veluti
Sine nauta navis,
Ut per vias aeris
Vaga fertur avis;
Non me tenent vincula,
Non me tenet clavis,
Quero mihi similes
Et adiungor pravis.
Mihi cordis gravitas
Res videtur gravis;
Iocis est amabilis
Dulciorque favis;
Quicquid Venus imperat,
Labor est suavis,
Que nunquam in cordibus
Habitat ignavis.
Via lata gradior
More iuventutis
Inplicor et vitiis
Immemor virtutis,
Voluptatis avidus
Magis quam salutis,
Mortuus in anima
Curam gero cutis
Queimando por dentro
com veemente ira,
na amargura,
falei para min mesmo:
feito de matéria,
da cinza dos elementos,
sou com a folha
com quem brincam os ventos.
Se é este o caminho
do homem sábio,
construir sobre a pedra
as fundações da casa,
então sou um louco comparável
ao rio que corre,
eu que em seu curso
nunca se altera
Sou levado
como um navio sem piloto,
como através do ar
um pássaro a deriva;
nenhum vinculo me prende,
nenhuma chave me aprisiona,
busco meus semelhantes,
e me junto aos insensatos.
Meu coração pesado
é um fardo para mim;
o divertir-se é agradável
e mais doce que o favo de mel;
onde quer que Vênus impere,
o trabalho suave,
ela nunca habita
em corações indolentes
Meu caminho é amplo
como o quer minha juventude,
entrego-me aos meus vícios,
esquecido das virtudes,
mais ávido de volúpias
do que de salvação,
morta minh’alma
só minha pele me importa.
Carmina Burana - Carl Orff
sábado, 19 de março de 2011
LÍBIA A NOVA ENCENAÇÃO DE UM CENÁRIO DE GUERRA BEM REAL a bem da Nova Ordem Mundial.
Quem faz negócio com tiranos, ainda que o não saiba, partilha a sua tirania.
Os motivos que hoje, os amigos dos tiranos invocam, para terminar a amizade, já antes existiam.
Não acredito que nada soubessem.
O negócio será agora outro.
O chamado Mundo Islâmico cheio de divisões a que não será alheia a sua génese tribal está, segundo a propaganda da nossa televisão, a ser unido forçadamente por um suposto intolerante radicalismo religioso proselitista e adepto do "terror".
O Mundo Ocidental das democracias de supermercado em que a escolha é virtual e o poder oscila entre dois partidos: republicano/democrata, conservador/trabalhista, socialista/social democrata continua triunfante e triunfal; apostando no entorpecimento dos seus cidadãos não pela religião mas pela televisão e derivados. Este ambiente de quem não é por mim é contra mim, propicia dialécticas de tudo ou nada, verdade ou mentira, bem ou mal.
O MAL, tão apreciado nesta nossa cultura, anda como alma perdida em busca de corpo para encarnar. Longe vai o tempo do Grande Mal de Leste, da Cortina de Ferro, Vermelho como o Inferno; esse sim uma Coisa como deve ser, a legitimar bombas, canhões e a carne respectiva para seu consumo durante décadas.
Que Saudade!
Agora é o que se pode arranjar um Bin aqui, um Sadam acolá, enfim um Muamar em último recurso.
A bem do Povo, da Democracia, dos Mercados e da NOVA ORDEM MUNDIAL.
E depois?
O povo escolherá em democracia o fim da democracia. Tudo fluirá até que os Mercados achem que não, e lhes leve a Guerra e a escravidão.
Talvez de novo alguém lhes pergunte: QUEREM A GUERRA TOTAL? -e os verdugos amordaçadores respondam em nome dos manietados- SIM! SIM! SIM!
Frankie Goes to Hollywood - War
Os motivos que hoje, os amigos dos tiranos invocam, para terminar a amizade, já antes existiam.
Não acredito que nada soubessem.
O negócio será agora outro.
O chamado Mundo Islâmico cheio de divisões a que não será alheia a sua génese tribal está, segundo a propaganda da nossa televisão, a ser unido forçadamente por um suposto intolerante radicalismo religioso proselitista e adepto do "terror".
O Mundo Ocidental das democracias de supermercado em que a escolha é virtual e o poder oscila entre dois partidos: republicano/democrata, conservador/trabalhista, socialista/social democrata continua triunfante e triunfal; apostando no entorpecimento dos seus cidadãos não pela religião mas pela televisão e derivados. Este ambiente de quem não é por mim é contra mim, propicia dialécticas de tudo ou nada, verdade ou mentira, bem ou mal.
O MAL, tão apreciado nesta nossa cultura, anda como alma perdida em busca de corpo para encarnar. Longe vai o tempo do Grande Mal de Leste, da Cortina de Ferro, Vermelho como o Inferno; esse sim uma Coisa como deve ser, a legitimar bombas, canhões e a carne respectiva para seu consumo durante décadas.
Que Saudade!
Agora é o que se pode arranjar um Bin aqui, um Sadam acolá, enfim um Muamar em último recurso.
A bem do Povo, da Democracia, dos Mercados e da NOVA ORDEM MUNDIAL.
E depois?
O povo escolherá em democracia o fim da democracia. Tudo fluirá até que os Mercados achem que não, e lhes leve a Guerra e a escravidão.
Talvez de novo alguém lhes pergunte: QUEREM A GUERRA TOTAL? -e os verdugos amordaçadores respondam em nome dos manietados- SIM! SIM! SIM!
Frankie Goes to Hollywood - War
sexta-feira, 18 de março de 2011
Japão, o que fazer?
Vivemos de uma maneira totalmente dependente da nossa tecnologia.
Somos muito frágeis e qualquer sobressalto significativo pode-nos fazer caír numa forma de sociedade primitiva.
Não sei porque não mudamos rápidamente de prioridades, porque continuamos a olhar o nosso umbigo e a nossa vidinha de pequenas insignificâncias torpes.
No Japão a área de desastre é de cerca de 500 km. Os números oficiais admitem 6 000 mortos, 10 000 desaparecidos.
Após uma semana do terramoto e maremoto de Sendai, as populações têm de viver em 2200 centros de abrigo onde velhos, doentes e pessoas mais vulneráveis morrem à míngua de medicamentos, de comida e de frio.
As temperaturas são baixas, neva e chove, a energia eléctrica é fornecida apenas durante algumas horas ou não há de todo. Não há água, não há gás. Falta combustível mesmo para os camiões de ajuda que assim ficam imobilizados.
Pior do que tudo,a central nuclear de Fukushima com 6 reactores entrou em colapso e a situação é apocalíptica, nunca houve nada assim e a radioactividade irá chover em todo o Oceano Pacífico entrando na cadeia alimentar global.
Esta instalação tem sérios problemas desde há 35 anos, as entidades internacionais sempre tiveram sérios problemas para obter relatórios não falsificados sobre as condições da sua operacionalidade em segurança, e agora talvez seja tarde demais.
Os endinheirados de Tóquio começaram já a abandonar o país. As lojas de Guinza sempre cheias e iluminadas estão sem luz, no interface de Shibuya os relógios pararam os gigantescos televisores de apelo ao consumo estão desligados, só os comboios continuam pontuais.
Os helicópteros das forças militares de defesa do Japão regaram a área sobre a piscina de armazenamento de "varetas" do dito combustível nuclear do reactor 3. Entre outros, 350 bombeiros, voluntários para a missão, saíram de Tóquio com os seus carros equipados com tanques canhão que conseguem projectar toneladas de água a 80m de distância.
Não posso deixar de pensar em Chernobyl e no sacrifício dos voluntários; alguns ditos voluntários foram obrigados a tal devido à sua condição militar sem direito a recusa. Chernobyl afectou 2,3 milhões de pessoas, número oficial das autoridades, pessoas prematuramente mortas ou com doenças terminais derivadas.
Somos muito frágeis e qualquer sobressalto significativo pode-nos fazer caír numa forma de sociedade primitiva.
Não sei porque não mudamos rápidamente de prioridades, porque continuamos a olhar o nosso umbigo e a nossa vidinha de pequenas insignificâncias torpes.
No Japão a área de desastre é de cerca de 500 km. Os números oficiais admitem 6 000 mortos, 10 000 desaparecidos.
Após uma semana do terramoto e maremoto de Sendai, as populações têm de viver em 2200 centros de abrigo onde velhos, doentes e pessoas mais vulneráveis morrem à míngua de medicamentos, de comida e de frio.
As temperaturas são baixas, neva e chove, a energia eléctrica é fornecida apenas durante algumas horas ou não há de todo. Não há água, não há gás. Falta combustível mesmo para os camiões de ajuda que assim ficam imobilizados.
Pior do que tudo,a central nuclear de Fukushima com 6 reactores entrou em colapso e a situação é apocalíptica, nunca houve nada assim e a radioactividade irá chover em todo o Oceano Pacífico entrando na cadeia alimentar global.
Esta instalação tem sérios problemas desde há 35 anos, as entidades internacionais sempre tiveram sérios problemas para obter relatórios não falsificados sobre as condições da sua operacionalidade em segurança, e agora talvez seja tarde demais.
Os endinheirados de Tóquio começaram já a abandonar o país. As lojas de Guinza sempre cheias e iluminadas estão sem luz, no interface de Shibuya os relógios pararam os gigantescos televisores de apelo ao consumo estão desligados, só os comboios continuam pontuais.
Os helicópteros das forças militares de defesa do Japão regaram a área sobre a piscina de armazenamento de "varetas" do dito combustível nuclear do reactor 3. Entre outros, 350 bombeiros, voluntários para a missão, saíram de Tóquio com os seus carros equipados com tanques canhão que conseguem projectar toneladas de água a 80m de distância.
Não posso deixar de pensar em Chernobyl e no sacrifício dos voluntários; alguns ditos voluntários foram obrigados a tal devido à sua condição militar sem direito a recusa. Chernobyl afectou 2,3 milhões de pessoas, número oficial das autoridades, pessoas prematuramente mortas ou com doenças terminais derivadas.
domingo, 13 de março de 2011
ARMÉNIA - Djivan Gasparyan e o Duduk
Duduk
Não conheço outro instrumento musical que como o Duduk possa transmitir um sentimento de plenitude. O som vibrante provoca essa sensação de presença plena, de imponderabilidade e desprendimento que é característico da meditação. O corpo parece flutuar e atinge uma preliminar serenidade. O Duduk entre todos os instrumentos tradicionais é considerado pelos arménios como o instrumento da Arménia.
Pensa-se que o nome é onomatopaico, ou seja, deriva duma palavra que descreve o seu som: du-du.
O som pode ser confundido com o som do ney que é uma espécie de flauta tocada em posicionamento lateral aos lábios que sopram fazendo simultaneamente o som du-du. Em língua turca o nome ney significa cana de junco que é o material com que essa flauta é feita. A cana de junco também é o material com que se fazem as palhetas que à semelhança do oboé são utilizadas no duduk. Duduk e ney, qual deles terá inspirado o outro. O duduk é um instrumento muito antigo e inicialmente era feito a partir de osso como as antigas flautas; posteriormente passou a ser feito da madeira de damasqueiro que é uma árvore tão abundante na Arménia que recebeu a classificação latina de Prunus armeniaca. O som de veludo com que por vezes se descreve o som do duduk para o distinguir do ney talvez não seja alheio à imagem da pele do fruto. O albericoque nome derivado do grego/latim (praekokion/praecoquus) literalmente cedo na Primavera, descreve a breve época do ano do seu aparecimento; o nome damasco deriva do nome da cidade síria de Damasco grande entreposto de comercialização do fruto sêco e do óleo de amêndoa que incluía precisamente o óleo de amendoa amarga sendo estas amêndoas amargas retiradas não das amendoeiras mas sim do interior dos caroços dos pêssegos de abrir nos quais estavam incluídos os albericoques; alperce que é uma outra designação que se utiliza em Portugal, deriva da outra origem do fruto, a Pérsia.Foi também essa suposta origem que deu o nome latino aos pessegueiros Prunus persica, este persica, o perse, na boca de comerciante falante de árabe é al perse. É curioso como a linguagem e o próprio conhecimento evoluem registando erro após erro a ignorância dos eruditos de cada momento histórico, a etimologia é de facto o registo da ignorância e da deturpação até onde a memória ou o registo conseguem retroceder. A própria história não passa do registo do relato da verdade parcial ou mesmo da própria mentira. Nenhum destes frutos teve origem aqui na Arménia ou Pérsia e sabe-se que vieram da China através de um percurso que mais tarde se convencionou chamar rota da seda. No mundo antigo à medida que as civilizações prosperam, o comércio expandiu-se e a ligação entre a Índia e a Mesopotâmia estabeleceu-se; aumentou em quantidade e qualidade a circulação de bens nos quais se incluem plantas, frutos e a sua forma compacta, as sementes. Dizem os agricultores que a semente do damasqueiro não frutifica longe da árvore que lhe deu origem, isto significa que a planta necessita das mesmas condições a nível de solo e clima que a sua antecessora e que só ao longo de gerações se dão as mutações que permitem que a planta se vá adaptando a condições diversas. Uma planta que resiste a 30 graus negativos em Janeiro pode ser tão sensível à geada de Março que perde toda a sua frutificação.
Um damasqueiro pode durar 80 anos, o seu apogeu produtivo está entre os 7 e os 40anos, a madeira da raiz de onde se obtém a matéria-prima para o duduk tem de secar 35 anos. Só após esse tempo a madeira adquire a maturidade para a sua reverberação ser adequada ao som do instrumento.
O som de um conjunto de dois Duduk assume uma pungência extrema, pois que tradicionalmente um deles assume uma linha melódica continua, à semelhança de um bordão ou um baixo contínuo, mas apesar disso só com muita técnica se consegue retirar esses sons que ressoam no ventre e acalmam o coração.Contudo alguém como Djivan Gasparyan tornam a audição numa experiência particular e inesquecivel.
Melhor que as palavras é ouvir.
Não conheço outro instrumento musical que como o Duduk possa transmitir um sentimento de plenitude. O som vibrante provoca essa sensação de presença plena, de imponderabilidade e desprendimento que é característico da meditação. O corpo parece flutuar e atinge uma preliminar serenidade. O Duduk entre todos os instrumentos tradicionais é considerado pelos arménios como o instrumento da Arménia.
Pensa-se que o nome é onomatopaico, ou seja, deriva duma palavra que descreve o seu som: du-du.
O som pode ser confundido com o som do ney que é uma espécie de flauta tocada em posicionamento lateral aos lábios que sopram fazendo simultaneamente o som du-du. Em língua turca o nome ney significa cana de junco que é o material com que essa flauta é feita. A cana de junco também é o material com que se fazem as palhetas que à semelhança do oboé são utilizadas no duduk. Duduk e ney, qual deles terá inspirado o outro. O duduk é um instrumento muito antigo e inicialmente era feito a partir de osso como as antigas flautas; posteriormente passou a ser feito da madeira de damasqueiro que é uma árvore tão abundante na Arménia que recebeu a classificação latina de Prunus armeniaca. O som de veludo com que por vezes se descreve o som do duduk para o distinguir do ney talvez não seja alheio à imagem da pele do fruto. O albericoque nome derivado do grego/latim (praekokion/praecoquus) literalmente cedo na Primavera, descreve a breve época do ano do seu aparecimento; o nome damasco deriva do nome da cidade síria de Damasco grande entreposto de comercialização do fruto sêco e do óleo de amêndoa que incluía precisamente o óleo de amendoa amarga sendo estas amêndoas amargas retiradas não das amendoeiras mas sim do interior dos caroços dos pêssegos de abrir nos quais estavam incluídos os albericoques; alperce que é uma outra designação que se utiliza em Portugal, deriva da outra origem do fruto, a Pérsia.Foi também essa suposta origem que deu o nome latino aos pessegueiros Prunus persica, este persica, o perse, na boca de comerciante falante de árabe é al perse. É curioso como a linguagem e o próprio conhecimento evoluem registando erro após erro a ignorância dos eruditos de cada momento histórico, a etimologia é de facto o registo da ignorância e da deturpação até onde a memória ou o registo conseguem retroceder. A própria história não passa do registo do relato da verdade parcial ou mesmo da própria mentira. Nenhum destes frutos teve origem aqui na Arménia ou Pérsia e sabe-se que vieram da China através de um percurso que mais tarde se convencionou chamar rota da seda. No mundo antigo à medida que as civilizações prosperam, o comércio expandiu-se e a ligação entre a Índia e a Mesopotâmia estabeleceu-se; aumentou em quantidade e qualidade a circulação de bens nos quais se incluem plantas, frutos e a sua forma compacta, as sementes. Dizem os agricultores que a semente do damasqueiro não frutifica longe da árvore que lhe deu origem, isto significa que a planta necessita das mesmas condições a nível de solo e clima que a sua antecessora e que só ao longo de gerações se dão as mutações que permitem que a planta se vá adaptando a condições diversas. Uma planta que resiste a 30 graus negativos em Janeiro pode ser tão sensível à geada de Março que perde toda a sua frutificação.
Um damasqueiro pode durar 80 anos, o seu apogeu produtivo está entre os 7 e os 40anos, a madeira da raiz de onde se obtém a matéria-prima para o duduk tem de secar 35 anos. Só após esse tempo a madeira adquire a maturidade para a sua reverberação ser adequada ao som do instrumento.
O som de um conjunto de dois Duduk assume uma pungência extrema, pois que tradicionalmente um deles assume uma linha melódica continua, à semelhança de um bordão ou um baixo contínuo, mas apesar disso só com muita técnica se consegue retirar esses sons que ressoam no ventre e acalmam o coração.Contudo alguém como Djivan Gasparyan tornam a audição numa experiência particular e inesquecivel.
Melhor que as palavras é ouvir.
sábado, 12 de março de 2011
OS IMPOSTORES DA LUTA - DUETO DE EMBUSTEIROS QUE BREVEMENTE PODE ENCONTRAR NUMA MANIFESTAÇÃO PERTO DE SI.
Um farsante que dizia ser bruxo, ofereceu em tempo os seus serviços a um pequeno clube regional de futebol que de azar em azar andava arredado de qualquer espécie de triunfo. Este dito bruxo contou mais tarde o muito que se divertiu ao iludir e manipular dirigentes, jogadores e adeptos com as suas pagelanças e macaqueações. Maior foi ainda a sua folia quando achou insuficiente o que conseguia em dinheiro e em géneros da pobre gente e ao retirar-se acusando-os de pouca fé, viu as suas vítimas de joelhos no chão implorarem-lhe que não os abandonasse. - Estúpidos! - clamava o bruxo – Atrasados! – Por fim, para que não o aborrecessem mais, tentou dizer a verdade e revelar que os seus rituais e responsos eram todos a fingir, que os tinha andado a enganar, mas mesmo assim as suas vítimas continuaram pedindo o seu retorno.
Neste ano de 2011 de forma aparentemente inesperada, o festival da canção nacional para a Eurovisão foi ganho por um duo humorístico que costuma alinhar por uma cadeia de televisão privada, concorrente da televisão estatal que organizou o festival.
O festival da Eurovisão que sempre foi apontado como programa de interesse artístico menor, fora de moda e tendencioso, devido à forma como os vencedores são escolhidos pelos patrocinadores que detêm as companhias editoras e não só, não deve ser a nível nacional outra coisa do que o espelho da realidade internacional.
A vitória do duo através dos telefonemas dos espectadores deve ter sido tudo menos um acaso, a meu ver foi um cavalo de Tróia que entrou na televisão estatal.
O duo cómico pretende assumir visualmente um convencionado estereótipo que distintos fazedores de opinião acham ser a imagem do PREC (Período Revolucionário Em Curso), ou seja: Dois agitadores reivindicantes que encabeçam movimentos populares à imagem dos que existiram nos meados dos anos setenta. Um desses fazedores de opinião, apresentado como professor por dar notas com a mesma facilidade com que deita perdigotos a bombordo e a estibordo, afirmou que eles eram o PREC, para que não houvesse dúvida entre os mais jovens que não se lembram ou não viveram o dito período.
Um dos elementos do duo apresenta-se com uma boina basca preta, grandes óculos, e um violão onde toca em rasgado acordes repetitivos enquanto vai trauteando onomatopeias para arremedar um famoso cantor já falecido, muito importante em termos musicológicos e muito querido da chamada esquerda. O outro assume uma apresentação desleixada, com cabelo comprido engordurado, bigode desalinhado e barba de três dias, vestindo fatiota meia descomposta e muito justa ao corpo à maneira dos anos setenta do século passado; empunha um megafone onde vai papagueando uma lengalenga nasalada, pontuada por palavras que repete periodicamente: camaradas, povo, luta, …
A ousada aparição deste duo burlesco que se infiltra em manifestações e protestos autênticos, acontece sempre que as três cadeias nacionais de televisão estão gravando imagens. A sua inusitada presença pode apanhar desprevenido quem na rua mostra publicamente a sua indignação, mas uma observação mais atenta detecta que estes personagens não vieram para se juntar ao protesto mas sim para o caricaturar e fazer pouco de quem protesta. Por isso talvez não seja por distracção nem por inocência que os canais comprometidos com o poder económico e com a finança percam mais tempo a mostrar a manobra de diversão do duo em vez de esclarecer a razão do protesto que eles decidiram ridicularizar.
Nas eleições presidenciais brasileiras o palhaço Tiririca foi candidato à maneira do que Coluche fez em França; aqui em Portugal o candidato presidencial Coelho usou de mordaz ironia à semelhança destes, mas o alvo de todos eles era o poder corruptor e corrompido, não os mais fracos. Talvez seja sinal deste tempo, em que os valores parecem invertidos, em que os especuladores criam riqueza artificial à custa de fazer muitos pobres para enriquecimento de poucos ricos.
Ao ver estes dois impostores pantomineiros e a reacção tolerante dos manifestantes que interceptam, não posso deixar de me lembrar das facécias do bruxo. Lembro-me também do português que no Brasil ouvia anedotas sobre si e do alentejano que contava anedotas de alentejanos. Todos eles têm a grandeza de alma de não se importarem com o que é pequeno. Parecem mesmo legitimar que falsos bobos lhes façam vestir a farpela de bobo.
Porém a história ensina e avisa; tenham cuidado os trocistas e opressores que sem pudor têm o descaramento de troçar dos explorados. Quem tudo já perdeu nada tem a perder.
Neste ano de 2011 de forma aparentemente inesperada, o festival da canção nacional para a Eurovisão foi ganho por um duo humorístico que costuma alinhar por uma cadeia de televisão privada, concorrente da televisão estatal que organizou o festival.
O festival da Eurovisão que sempre foi apontado como programa de interesse artístico menor, fora de moda e tendencioso, devido à forma como os vencedores são escolhidos pelos patrocinadores que detêm as companhias editoras e não só, não deve ser a nível nacional outra coisa do que o espelho da realidade internacional.
A vitória do duo através dos telefonemas dos espectadores deve ter sido tudo menos um acaso, a meu ver foi um cavalo de Tróia que entrou na televisão estatal.
O duo cómico pretende assumir visualmente um convencionado estereótipo que distintos fazedores de opinião acham ser a imagem do PREC (Período Revolucionário Em Curso), ou seja: Dois agitadores reivindicantes que encabeçam movimentos populares à imagem dos que existiram nos meados dos anos setenta. Um desses fazedores de opinião, apresentado como professor por dar notas com a mesma facilidade com que deita perdigotos a bombordo e a estibordo, afirmou que eles eram o PREC, para que não houvesse dúvida entre os mais jovens que não se lembram ou não viveram o dito período.
Um dos elementos do duo apresenta-se com uma boina basca preta, grandes óculos, e um violão onde toca em rasgado acordes repetitivos enquanto vai trauteando onomatopeias para arremedar um famoso cantor já falecido, muito importante em termos musicológicos e muito querido da chamada esquerda. O outro assume uma apresentação desleixada, com cabelo comprido engordurado, bigode desalinhado e barba de três dias, vestindo fatiota meia descomposta e muito justa ao corpo à maneira dos anos setenta do século passado; empunha um megafone onde vai papagueando uma lengalenga nasalada, pontuada por palavras que repete periodicamente: camaradas, povo, luta, …
A ousada aparição deste duo burlesco que se infiltra em manifestações e protestos autênticos, acontece sempre que as três cadeias nacionais de televisão estão gravando imagens. A sua inusitada presença pode apanhar desprevenido quem na rua mostra publicamente a sua indignação, mas uma observação mais atenta detecta que estes personagens não vieram para se juntar ao protesto mas sim para o caricaturar e fazer pouco de quem protesta. Por isso talvez não seja por distracção nem por inocência que os canais comprometidos com o poder económico e com a finança percam mais tempo a mostrar a manobra de diversão do duo em vez de esclarecer a razão do protesto que eles decidiram ridicularizar.
Nas eleições presidenciais brasileiras o palhaço Tiririca foi candidato à maneira do que Coluche fez em França; aqui em Portugal o candidato presidencial Coelho usou de mordaz ironia à semelhança destes, mas o alvo de todos eles era o poder corruptor e corrompido, não os mais fracos. Talvez seja sinal deste tempo, em que os valores parecem invertidos, em que os especuladores criam riqueza artificial à custa de fazer muitos pobres para enriquecimento de poucos ricos.
Ao ver estes dois impostores pantomineiros e a reacção tolerante dos manifestantes que interceptam, não posso deixar de me lembrar das facécias do bruxo. Lembro-me também do português que no Brasil ouvia anedotas sobre si e do alentejano que contava anedotas de alentejanos. Todos eles têm a grandeza de alma de não se importarem com o que é pequeno. Parecem mesmo legitimar que falsos bobos lhes façam vestir a farpela de bobo.
Porém a história ensina e avisa; tenham cuidado os trocistas e opressores que sem pudor têm o descaramento de troçar dos explorados. Quem tudo já perdeu nada tem a perder.
segunda-feira, 7 de março de 2011
Carnaval -a carne vale.
Dão-nos os pais em fardo o que melhor ajuizaram ser nosso sustento futuro. Bem à maneira do deus que escreve nas linhas tortas agarramos nesse fardo esmagador e derramamos os grãos nessa ausência cava com forma de buraco redondo chamado mágoa e trituramos nossa carga alienando-a como um lastro. Aliviamos com o movimento perpétuo, fechado em ciclo, o círculo de pedra picada que temos na alma. O peso soterrante da nossa herança feito em pó, assim vai. Desprendemo-nos da farinha que vai ser pão quotidiano e bolo da festa de outros. A bênção com que nos amaldiçoaram alimenta a fome alheia. À margem olhamos a felicidade dos que se nutrem, conscientes de si e esquecidos de nós.
domingo, 6 de março de 2011
ISABELA FIGUEIREDO - CADERNO DE MEMÓRIAS COLONIAIS
Não sou dado a leituras por ofício, dever ou passatempo. Já passei o tempo de ler por atacado. Não leio nem ao metro nem ao peso. Leio quando sinto falta de saber alguma coisa, ou quando os amigos me dizem para ler o que entendem merecer ser lido. Mesmo assim não faço fretes e só leio o que não posso deixar de ler. Faulkner terá dito que o escritor devia cativar o leitor nas primeiras páginas e para isso tinha de o agarrar pelas tripas. Julgo pertencer a esse tipo renitente de leitor que precisa de ser assim agarrado para não abandonar o livro.

Alguns escritores possuem uma escrita que consegue agarrar as minhas tripas. Não entendo como fazem, a técnica literária que António Lobo Antunes diz estar exposta à vista de todos os aprendizes de escritor nos livros de Faulkner, é para mim transparente como ar fresco. Esses escritores, essa escrita, provocam algum tipo de amadurecimento transcendente do meu olhar, nesses escritores a paisagem é mais nítida, os personagens da narrativa despem e vestem variadas roupas de fantasia que habitualmente não consigo distinguir na realidade.
AQUI AO LADO TEXTOS COMO OS QUE QUE DERAM ORIGEM AO LIVRO VÃO SENDO PUBLICADOS NO BLOG DE ISABELA FIGUEIREDO:
NOVO MUNDOhttp://novomundoperfeito.blogspot.com/
Alguns escritores possuem uma escrita que consegue agarrar as minhas tripas. Não entendo como fazem, a técnica literária que António Lobo Antunes diz estar exposta à vista de todos os aprendizes de escritor nos livros de Faulkner, é para mim transparente como ar fresco. Esses escritores, essa escrita, provocam algum tipo de amadurecimento transcendente do meu olhar, nesses escritores a paisagem é mais nítida, os personagens da narrativa despem e vestem variadas roupas de fantasia que habitualmente não consigo distinguir na realidade.
AQUI AO LADO TEXTOS COMO OS QUE QUE DERAM ORIGEM AO LIVRO VÃO SENDO PUBLICADOS NO BLOG DE ISABELA FIGUEIREDO:
NOVO MUNDOhttp://novomundoperfeito.blogspot.com/
sábado, 5 de março de 2011
sexta-feira, 4 de março de 2011
terça-feira, 1 de março de 2011
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