Recentemente fui a uma adega. Havia em prova
três vinhos. Sobre aquele que nos tinham preparado para gostarmos discursou um
enólogo. Depois de dizer várias evidências banais no lingo dos enólogos e de
ter escolhido para aplaudir o menos bom dos três vinhos da mesa, (também do
melhor já não havia mais garrafas) saíu para esfumaçar um cigarrinho.
Então eu pensei cá para comigo e para com o
meu copinho de tinto bom: Enólogo que fuma é como perfumista com sinusite ou
cozinheira constipada.
À cozinheira a maleita logo passa. À perfumista resta a aposentação por doença profissional. Mas ao enólogo!?... Ao
enólogo que fume?... O enólogo que fume mesmo que deixe de fumar é tipo que
continuará aquém do vinho que se lhe apresentar pela frente. O enólogo que fuma dedicou-se ao vinho como se podia ter dedicado à salsicharia, para ele é tudo carne moída. O negócio dele
é vender, não importa o quê. É por isso que tantas castas portuguesas
únicas são ignoradas pelos enólogos que preferem as castas sonantes francesas. O seu ofício é
vender um tipo de vinho que agrade ao cliente de supermercado que tem dinheiro
para comprar vinho caro mas que não gosta de vinho.
A propósito disto no outro dia estavam a
passar na TV um programa em que um senhor e uma senhora se deslocavam de carro
entre vinhas, produtores de vinho, adegas e caves, provando vinhos, recolhendo
informação dos enólogos.
Ao senhor foi atribuído o papel de orador de
sapiência. À senhora foi atribuído o papel de commère e tudo isto culminou com
a prova de um espumante em que se convidava a senhora a distinguir entre 3
garrafas e identificar qual o doce, o meio-seco, e o bruto. Isto debaixo do
olhar examinador do enólogo e do olhar boçal e paternalista do compère.
Malfadada misoginia a que tanto obrigas. As mulheres estão preparadas, é da sua
fisiologia, com a competência de terem bebés, amamentarem e cuidarem de bebés por
isso a menos que estejam constipadas ou fumem uns cigarritos é delas a melhor
capacidade olfactiva e gustativa. Afinal a evolução dependeu delas fazerem a
escolha certa, de tomarem a decisão evitando o que era tóxico, saberem o que era
mau ou bom para alimentarem a sua prole. Por isso pedir a uma mulher: "Ó
gaja diz lá qual é qué doce qual é qué menos doce e qual é que não tem
açúcar?" Não é infantil! É estúpido! E é estúpido porque pretende a nossa
anuência em querermos ser estupidificados.
Reparei que tanto o senhor como a senhora
apareciam a conduzir a viatura enquanto se deslocavam entre destinos, fosse há
uns anos e seria impossível apresentar a senhora a conduzir, era sabido que as
senhoras não dirigiam automóveis, isso era coisa de homens.
Nesse mesmo momento televisivo a parelha de
"actores", com outro enólogo, ao ar livre no cenário de uma bela
vinha, provavam vinho. O compère passava mais o tempo a espetar o nariz no copo
do que a saboreá-lo e a bebê-lo o enólogo palrava enquanto à commère cabia o
papel passivo de ouvir. Mas o mais incompreensível para mim foi que se
servissem abundantemente e depois de um pequeno trago tudo o que restava no
copo fosse despejado como lixo para um recipiente. Para mim o vinho não deixa
de ser um alimento por isso é como se beliscassem um pão para o provarem e
depois o atirassem para o lixo. É claro que isto são reparos meus, reparos de
gente pobre diria alguém que encontrei um dia.
É curioso que nestes programas nunca os
protagonistas se atrevem a dizer o que seria normal: Gosto! Não gosto tanto!
Este arde-me nas entranhas este escorre como água.
Também não dizem que se deve provar o vinho
quando se abre a garrafa e depois de uma hora e depois de meio-dia e no outro
dia.
O vinho é um produto cultural, e em cultura a singularidade tende a ser compensadora. Ao contrário da força militar, a força cultural depende menos do número de meios envolvidos e da supremacia tecnológica. A cultura é como uma levedura, tem a capacidade de transformar a massa.
Falando de singularidades: Como Portugal, a Geórgia é uma singularidade. É bem possível
que da região da actual Geórgia, a outra Ibéria da Antiguidade, nos tenham
trazido castas de que hoje somos depositários. As rotas marítimas desse tempo são ainda mal conhecidas. Mas sabemos por exemplo que os barcos rabelos são
idênticos aos barcos que aparecem em vasos gregos para ilustrar episódios da
navegação de Ulisses.
Evidências arqueológicas recentes dataram a produção de vinho na
Geórgia há uns remotos 8000 anos. Em comum com a Geórgia temos uma variedade
assombrosa de castas: lá perto de 500 cá mais de 300. Isto foi possível devido
a um certo isolamento regional que a orografia e a falta de vias de comunicação
protegeram. Não existe em mais lado nenhum territórios tão pequenos com tão elevado número de castas, é uma
riqueza incalculável e pelos vistos imaterial, que estamos a menosprezar e a
deixar que seja perdida a troco do lucro financeiro imediato. Temos também em
comum com a Geórgia uma tradição antiga de guardar o vinho em grandes talhas. Esta tradição é anterior ao armazenamento do vinho em barricas
de madeira que foi introduzido quando se tornou necessário o transporte
marítimo de grandes quantidades de vinho a longa distância, por mares agitados,
em vasilhas mais robustas, mais leves e mais manobráveis que as ânforas. Lá como cá manteve-se a
tradição de construir grandes talhas. Estas grandes olas, construídas por oleiros
especialistas , cujas dimensões obrigavam que o barro fosse cozido no próprio
local da sua instalação, permitem que o vinho não tenha o gosto da madeira. No
nosso tempo os produtores tendem a guardar o vinho em barricas de madeira nova
para que rapidamente estas temperem o vinho e ele possa sair para o
mercado(híper) com o sabor que os consumidores estão sendo amestrados a gostar.
Os produtores que não têm capacidade logística ou financeira para ter pipas, compram aparas
de madeira e usam-nas para o mesmo efeito.
Na Geórgia como cá o vinho é uma
bebida social não se bebe para perder a consciência, bebe-se para ganhar
consciência: a individual; a dos companheiros, aqueles com quem partilhamos o pão;
a dos camaradas, aqueles com quem partilhamos a sesta antes de retomar o trabalho. Na Geórgia como cá mantém-se viva uma tradição semelhante de canto coral à volta do vinho e da refeição.
Não sei porque é que os produtores de vinho não estabelecem contactos com os seus congéneres georgianos
para trocarem saber e experiências das suas práticas, descobrirem o que é comum e bom. Talvez a distância geográfica e a língua sejam um problema. Não sei porque é que a Universidade e os especialistas académicos não sentem
curiosidade por estas questões do domínio da ampelografia e pela identificação
genética das castas. Muito havia de se descobrir sobre as migrações das videiras
pelo mundo antes da memória que a História guarda. Se calhar tudo isto já está a ser feito e é só ignorância minha.
Entretanto convém não esquecer:
O bom vinho é aquele que me sabe bem.
Nenhum vinho vale mais do que
um litro de bom azeite (neste momento varia entre 4 e 5 euros).
Outros conselhos
vindos do Inferno que está cheio deles:
Se gostares de vinho isso não impede que gostes de velharias, de antiguidades ou mesmo de jóias raras. Porém o preço elevado e a raridade não são condimentos que auxiliem o sabor de um vinho.
quarta-feira, 29 de julho de 2015
segunda-feira, 27 de julho de 2015
Conversas picantes.
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domingo, 26 de julho de 2015
Melina Mercouri - Crianças do porto do Pireu
Aπ' το παράθυρό μου στέλνω
ένα δύο και τρία και τέσσερα φιλιά
που φτάνουν στο λιμάνι
ένα και δύο και τρία και τέσσερα πουλιά
Πώς ήθελα να είχα ένα και δύο
και τρία και τέσσερα παιδιά
που σαν θα μεγαλώσουν όλα
θα γίνουν λεβέντες για χάρη του Πειραιά
Όσο κι αν ψάξω, δεν βρίσκω άλλο λιμάνι
τρελή να με 'χει κάνει, όσο τον Πειραιά
Που όταν βραδιάζει, τραγούδια μ' αραδιάζει
και τις πενιές του αλλάζει, γεμίζει από παιδιά
Aπό την πόρτα μου σαν βγω
δεν υπάρχει κανείς που να μην τον αγαπώ
και σαν το βράδυ κοιμηθώ, ξέρω πως
ξέρω πως, πως θα τον ονειρευτώ
Πετράδια βάζω στο λαιμό, και μια χά-
και μια χά-, και μια χάντρα φυλακτό
γιατί τα βράδια καρτερώ, στο λιμάνι σαν βγω
κάποιον άγνωστο να βρω
Όσο κι αν ψάξω...
ένα δύο και τρία και τέσσερα φιλιά
που φτάνουν στο λιμάνι
ένα και δύο και τρία και τέσσερα πουλιά
Πώς ήθελα να είχα ένα και δύο
και τρία και τέσσερα παιδιά
που σαν θα μεγαλώσουν όλα
θα γίνουν λεβέντες για χάρη του Πειραιά
Όσο κι αν ψάξω, δεν βρίσκω άλλο λιμάνι
τρελή να με 'χει κάνει, όσο τον Πειραιά
Που όταν βραδιάζει, τραγούδια μ' αραδιάζει
και τις πενιές του αλλάζει, γεμίζει από παιδιά
Aπό την πόρτα μου σαν βγω
δεν υπάρχει κανείς που να μην τον αγαπώ
και σαν το βράδυ κοιμηθώ, ξέρω πως
ξέρω πως, πως θα τον ονειρευτώ
Πετράδια βάζω στο λαιμό, και μια χά-
και μια χά-, και μια χάντρα φυλακτό
γιατί τα βράδια καρτερώ, στο λιμάνι σαν βγω
κάποιον άγνωστο να βρω
Όσο κι αν ψάξω...
De onde a minha janela alcança
envio um, dois, três, quatro beijos
até ao porto do Pireu, assim vão as horas
um, dois, três, quatro passarinhos a voar
Ó como gostava de ter
uma, duas, três, quatro crianças
que quando crescessem
fossem a valentia e a Graça do Pireu
Por muito que procure não encontro noutro porto
a folia que a noite do Pireu me dá
cheia de canções que retiram a pobreza
dos olhos vivos das crianças
Ao sair de casa sinto
que não há ninguém que não o ame
e à noite ao adormecer sonho
e sei que como no sonho
O fio que trago ao pescoço
uma conta é talismã de esperança
que um dia encontrarei meu amor desconhecido no porto do Pireu
Tradução livre da canção de Mános Hadjidákis
O porto do Pireu é o porto de Atenas. No séc. V a. C. foi construído e ligado à cidade por um recinto de muralhas de protecção que a norte e a sul cobriam uma distância de cerca de 12 km. O porto do Pireu era o maior do mediterrâneo e albergava a frota grega que dominava as rotas marítimas da antiguidade.
O seu declínio foi gradual até ao séc XIX, mas continua a ser o porto da Grécia, aquele que faz a ligação marítima entre as muitas ilhas gregas.
No imaginário grego ele é a ligação da Grécia com o Mundo, ao mesmo tempo um local de reunião e de despedida.
Os portugueses que sempre partiram das serras para os vales, do interior para o litoral, e de todo o lado para o mundo percebem bem o que é a nostalgia destes locais como o porto do Pireu, de tal forma que refinaram e alargaram o conceito numa palavra particular: Saudade!
sábado, 25 de julho de 2015
sexta-feira, 24 de julho de 2015
quinta-feira, 23 de julho de 2015
O silêncio
Apercebeu-se que ao ouvir, ou ao ver, boa arte isso provocava nele uma vontade insuprimível de expressão prática. Se não houvesse ninguém com quem falar, e raramente havia, ou ía desenhar ou ía escrever.
quarta-feira, 22 de julho de 2015
terça-feira, 14 de julho de 2015
Melina Mercouri- "le portugais"
Esquecemos o que fomos, ignoramos o que somos, não sabemos o que queremos ser.
Mikis Theodorakis & Melina Mercouri - O Dikastis (... "os que já me julgaram e tornaram a beber o meu sangue lembro-lhes que sou só um transeunte de passagem")
Nunca perdoaram aos gregos a sua alegria e a sua capacidade de luta.
segunda-feira, 13 de julho de 2015
Uma Taberna como uma Casa e esta Casa como uma Taberna.
Pelas tabernas passam todo o tipo de pessoas de bem. Pelo menos assim espera o taberneiro. Que venham e vão com a bênção de Dionysos.
O taberneiro Diogo Rosa: Arquitecto, Professor, Fotógrafo, Escultor, Curador... Numa Palavra o Homem da Rosa, pendurando alguns desenhos que fiz na sua casa entre inumeráveis petiscos com que os amigos forneceram a Taberna.
Das Tabernas que eu conheci, as que mais se demoraram na minha memória foram as que simultâneamente eram Carvoarias e Casas de Pasto. Algumas eram também Mercearias ou Vendas. Essas Vendas foram tão importantes que deram nome a localidades remotas que cresceram em seu redor: Venda da Esperança, Venda de Galizes, Venda das Raparigas... Eram lojas de pequena escala que anteciparam os super e os hipermercados e como eles já vendiam de tudo.
Este desenho foi feito em " Uma Taberna como uma Casa e esta Casa como uma Taberna", a pensar nesses locais de pausa, abrigo e convívio que eram e ainda são as derradeiras tabernas.
O desenho refere várias profissões e ocupações dos frequentadores da taberna. Quase todas elas são masculinas porque a taberna é um dos locais de frequência masculina. Não que fôsse local interdito às mulheres, era sim um local não aconselhavel à sua permanência se estivessem desacompanhadas. As mulheres solitárias não eram bem vistas sem a presença tutorial masculina do pai, do marido ou de um irmão mais velho, sendo a única excepção a que era feita à família do taberneiro. A reprovação social paternalista justificava-se com a intenção de proteger a honra da mulher.
Este outro ilustra um passarinheiro fantástico.
Os passarinheiros capturavam pássaros na natureza e à sua maneira cuidavam deles com desvêlo. Vinham depois à taberna colocar gaiolas com pássaros na esperança de estes poderem ser comprados pelos clientes da casa ou pelo próprio taberneiro. Era uso cobrirem as gaiolas com panos brancos que deixando passar o ar e a luz, impediam a visão das aves de uma gaiola para outra. Segundo os passarinheiros isso estimulava o canto das aves que tentavam cantar mais e mais forte que o rival que estava em outra gaiola.
No tempo antigo da Ditadura em que não havia Liberdade e tudo era proíbido, sujeito a multa ou até prisão (*) pairavam pelas tabernas uns sujeitos que liam jornais durante horas: Eram tipos simpáticos, folgazões falavam alto e bom som
atiçavam conversas, provocavam opiniões, criavam discussões. Eram colaboradores do regime, informadores, agentes da PIDE a polícia política à paisana, como então se dizia.
(*) (Saiu agora um livro que fala um pouco disso: "Proíbido" de António Costa Santos da editora Guerra e Paz)
O taberneiro Diogo Rosa: Arquitecto, Professor, Fotógrafo, Escultor, Curador... Numa Palavra o Homem da Rosa, pendurando alguns desenhos que fiz na sua casa entre inumeráveis petiscos com que os amigos forneceram a Taberna.
Das Tabernas que eu conheci, as que mais se demoraram na minha memória foram as que simultâneamente eram Carvoarias e Casas de Pasto. Algumas eram também Mercearias ou Vendas. Essas Vendas foram tão importantes que deram nome a localidades remotas que cresceram em seu redor: Venda da Esperança, Venda de Galizes, Venda das Raparigas... Eram lojas de pequena escala que anteciparam os super e os hipermercados e como eles já vendiam de tudo.
Este desenho foi feito em " Uma Taberna como uma Casa e esta Casa como uma Taberna", a pensar nesses locais de pausa, abrigo e convívio que eram e ainda são as derradeiras tabernas.
O desenho refere várias profissões e ocupações dos frequentadores da taberna. Quase todas elas são masculinas porque a taberna é um dos locais de frequência masculina. Não que fôsse local interdito às mulheres, era sim um local não aconselhavel à sua permanência se estivessem desacompanhadas. As mulheres solitárias não eram bem vistas sem a presença tutorial masculina do pai, do marido ou de um irmão mais velho, sendo a única excepção a que era feita à família do taberneiro. A reprovação social paternalista justificava-se com a intenção de proteger a honra da mulher.
Este outro ilustra um passarinheiro fantástico.
Os passarinheiros capturavam pássaros na natureza e à sua maneira cuidavam deles com desvêlo. Vinham depois à taberna colocar gaiolas com pássaros na esperança de estes poderem ser comprados pelos clientes da casa ou pelo próprio taberneiro. Era uso cobrirem as gaiolas com panos brancos que deixando passar o ar e a luz, impediam a visão das aves de uma gaiola para outra. Segundo os passarinheiros isso estimulava o canto das aves que tentavam cantar mais e mais forte que o rival que estava em outra gaiola.
No tempo antigo da Ditadura em que não havia Liberdade e tudo era proíbido, sujeito a multa ou até prisão (*) pairavam pelas tabernas uns sujeitos que liam jornais durante horas: Eram tipos simpáticos, folgazões falavam alto e bom som
atiçavam conversas, provocavam opiniões, criavam discussões. Eram colaboradores do regime, informadores, agentes da PIDE a polícia política à paisana, como então se dizia.
(*) (Saiu agora um livro que fala um pouco disso: "Proíbido" de António Costa Santos da editora Guerra e Paz)domingo, 12 de julho de 2015
Festa do Espírito Santo de Tomar ou Festa dos Tabuleiros.
As que erguem os Tabuleiros do Pão. As que carregam a Fraternidade do Espírito Santo.
Fotografia de Beatriz Cunha
Tomar e os seus Tabuleiros.
![]() |
| Adicionar legenda |
É uma festa do Espírito Santo ainda que agora lhe chamem dos tabuleiros.
É uma festa de rapaz encontra rapariga e por isso é uma festa de fertilidade.
É uma festa da abundância de alimento e da sua partilha.
No cerne é uma festa pagã com tantas camadas quantos os anéis de uma árvore milenar.
Pode-se dizer que a tradição se mantém. Mantém-se pela traição, pelo sincretismo do velho e do novo.
Amanhã será o dia de encerramento da festa e talvez o verdadeiro dia de festa:
O dia da partilha da carne sacrificial. A Pesa.
segunda-feira, 6 de julho de 2015
Ilya e Emilia Kabakov.
Eu gosto do Ilya e da Emilia Kabakov!
Talvez devesse hoje falar da Grécia ou do Magnífico Varoufakis.
Mas à Boa Maneira Portuguesa, agora tão caída no esquecimento, prefiro alertar para um perigo eminente e deixar uma centelha de esperança: o perigo de perdermos a água como direito universal; a esperança na arte e na educação que podem transformar a nossa maneira de entender a vida, de conviver com os outros nossos semelhantes e toda a Natureza, com mais harmonia e serenidade.
Talvez devesse hoje falar da Grécia ou do Magnífico Varoufakis.
Mas à Boa Maneira Portuguesa, agora tão caída no esquecimento, prefiro alertar para um perigo eminente e deixar uma centelha de esperança: o perigo de perdermos a água como direito universal; a esperança na arte e na educação que podem transformar a nossa maneira de entender a vida, de conviver com os outros nossos semelhantes e toda a Natureza, com mais harmonia e serenidade.
domingo, 5 de julho de 2015
Maria Farantouri - "Sto Perigiali"
A poesia de Seferis a música de Theodorakis na voz de Maria Farantouri já me tinham encantado há muitos anos. Esta canção de afirmação e resistência em que se termina dizendo que podemos tomar o destino nas mãos parece-me adequada a este tempo que vivemos.
sexta-feira, 3 de julho de 2015
terça-feira, 30 de junho de 2015
segunda-feira, 29 de junho de 2015
sábado, 27 de junho de 2015
sexta-feira, 26 de junho de 2015
Uma história para o Rodrigo.
Era uma vez uma Raposa, vermelha cor de morango, que passeava pelos quintais à procura de limoeiros.
É que a Raposa muito gostava de beber limonada.
Rodrigo que vivia com a bisavó num desses quintais que tinha limoeiros, acordou um dia desses que nascem fresquinhos de enregelar e depois se tornam quentes de rachar ao ouvir o restolhar de folhas...
quarta-feira, 24 de junho de 2015
Piri- Piri, malagueta, pimenta, ou mais exactamente, jindungo cahombo.
Trouxeram-me jindungo-de-cahombo de Angola.
texto: www.ecologicstation.com
Variedade
residente das províncias de Luanda e Benguela, cercanías do Vale do
Cávado, localizadas a noroeste e oeste de Angola, respectivamente. Muito
resistente, cresce a 90 cm de altura por 60 cm de largura. Tem preferência por climas quentes e húmidos, típico das florestas
tropicais, com solo profundo, solto e bem drenado e rico em matéria
orgânica, com pH entre 6,6 e 7,6, apesar de conviver com facilidade em
zonas menos favorecidas desde que as temperaturas se mantenham elevadas.
As flores, de pedicelo inclinado na antese, surgem em numero de 1 a 3 por nó, com corola amarelo-esverdeada sem manchas na base dos lobos das pétalas, e anteras de coloração azul !!!.
Frutos, pendentes, em formato arredondado ou ligeiramente oblongo, mas sempre irregulares, configurando lóbulos com dimensões de 2,5 X 2,3 cm. Surgem em quantidades moderadas, deixando a planta muito bonita. Com a superfície completamente irregular, em forma de folhos apresentam coloração verde escura (imaturo), que passa gradualmente ao laranja e vermelho intenso brilhante (maduro). São muito aromáticos, com o sabor típico das Habaneros misturado a um toque selvagem, identificado como cheirando a cabra, de onde vem o nome ("kahombo" = cabrito). Dado o seu cheiro característico, o jindungo-de-cahombo, reluta muita gente. Contudo é bastante saboroso e reflecte na culinária o seu profundo e exótico aroma, com o tal sabor selvagem que faz as delicias dos seus apreciadores e simultaneamente tão profundamente rejeitado pelos seus detractores.
As flores, de pedicelo inclinado na antese, surgem em numero de 1 a 3 por nó, com corola amarelo-esverdeada sem manchas na base dos lobos das pétalas, e anteras de coloração azul !!!.
Frutos, pendentes, em formato arredondado ou ligeiramente oblongo, mas sempre irregulares, configurando lóbulos com dimensões de 2,5 X 2,3 cm. Surgem em quantidades moderadas, deixando a planta muito bonita. Com a superfície completamente irregular, em forma de folhos apresentam coloração verde escura (imaturo), que passa gradualmente ao laranja e vermelho intenso brilhante (maduro). São muito aromáticos, com o sabor típico das Habaneros misturado a um toque selvagem, identificado como cheirando a cabra, de onde vem o nome ("kahombo" = cabrito). Dado o seu cheiro característico, o jindungo-de-cahombo, reluta muita gente. Contudo é bastante saboroso e reflecte na culinária o seu profundo e exótico aroma, com o tal sabor selvagem que faz as delicias dos seus apreciadores e simultaneamente tão profundamente rejeitado pelos seus detractores.
Cada fruto
contém uma média de 30 sementes de côr creme, que germinam num período
de 10—18 dias. A colheita, inicia-se 160 dias após a sementeira, para
frutos maduros.
Na sua
região, é usada fresca na preparação de molhos para temperar vários
tipos de pratos, nomeadamente a tão característica "muamba—de—galinha" à
Angolana. Já semeei em três sítios diferentes, e já dei a dois cultivadores meus conhecidos algumas malaguetas para que fizessem o mesmo.
A ideia é retribuir ao amigo que me ofereceu as malaguetas de jindungo cahombo um vaso com uma planta carregada de malaguetas.
Cefaleia de São João.
Não foram férias não!
Foi o computador que se constipou no Santo António.
Agora que chegou o São João parece que ainda anda meio tonto.
Ou ele, ou eu!
domingo, 14 de junho de 2015
sexta-feira, 12 de junho de 2015
quinta-feira, 11 de junho de 2015
quarta-feira, 10 de junho de 2015
domingo, 7 de junho de 2015
Céu de areia.
Ventos quentes do deserto sopram areias finas.
Erguem no ar poeiras de cores quentes: vermelhas e amarelas.
O ar ascendente turva o azul celeste
e as núvens confundem-se
e precipitam gotas alaranjadas de chuva:
São as lágrimas dos que partem e nunca chegam;
São lágrimas dos que ficam esperando,
de olhos sêcos.
Erguem no ar poeiras de cores quentes: vermelhas e amarelas.
O ar ascendente turva o azul celeste
e as núvens confundem-se
e precipitam gotas alaranjadas de chuva:
São as lágrimas dos que partem e nunca chegam;
São lágrimas dos que ficam esperando,
de olhos sêcos.
Feijões para que vos quero.
Uma italiana no Japão mostrava-se verdadeiramente surpreendida com a capacidade inventiva da culinária nipónica. O exemplo disso era um doce que ela nunca encontrara no seu país e que usava a associação de dois ingredientes de forma não intuitiva, exótica, quase bizarra. O açúcar e o feijão.
Pensei para comigo realmente quem se lembraria de fazer pastéis de feijão, ou pastéis de nata, ou queijadas ou... ?
Então e as outras variedades todas?
sexta-feira, 5 de junho de 2015
Sem tempo a perder.
O Planeta continuará! O Ambiente; esse mudará como já mudou várias vezes. Nós estamos a prazo. Poderemos permanecer mais ou menos tempo. Depois a memória de nós talvez só as pedras a guardem como nos fósseis dos dinossauros.
Os dinossauros extinguiram-se há cerca de 65 milhões de anos.
Habitaram este planeta durante cerca de 130 milhões de anos.
A espécie humana (hominídeos mais antigos) apareceu há cerca de 3 milhões de anos.
![]() |
Os dinossauros extinguiram-se há cerca de 65 milhões de anos.
Habitaram este planeta durante cerca de 130 milhões de anos.
A espécie humana (hominídeos mais antigos) apareceu há cerca de 3 milhões de anos.
quinta-feira, 4 de junho de 2015
terça-feira, 2 de junho de 2015
Só à cana.
O segundo período tinha terminado e
toda a classe encarava aliviada o último período por saber que seria menos
fustigada pelo Batista. Com efeito nas derradeiras semanas do período anterior
a cana em que Batista, o professor que gostava de bater, se apoiava à maneira de um
pastor se apoiar num cajado tinha sido destruída. Ele que dizia usar a cana como
ponteiro, mas que de facto a utilizava ora como vergasta, ora como vara de
picar bêstas, despedaçou-a até ela abrir em tiras. Tiras que ele tentava
reparar passando-lhes fita-cola, mas sem sucesso pois as pancadas que o Batista
ía desferindo nas nossas cabeças, nos nós dos dedos, ou onde nos apanhasse, rebentavam
a fita-cola e a cana abria de novo até parecer um azorrague que mesmo assim ele
usou até tudo se despedaçar.
Debalde nossa esperança! O Freitas trouxe
uma cana nova para o Batista.
-Mas
porquê? - Perguntávamos uns aos outros- será
que ele é parvo? – Parecia que ele era parvo! Logo no intervalo da manhã
assim que fomos para o recreio o Abílio que era forte agarrou o Freitas pelos
colarinhos do bibe contra a parede do corredor invectivando-o indignado:
- Ó Freitas, tu és
parvo ou quê? Então tu trouxeste-lhe uma cana para nos bater? E ainda por cima
uma Cana-da-Índia das que nunca mais partem?
-E fiz muito bem – respondeu-lhe o Freitas de Peniche- Assim
o Senhor Professor já não me bate, a mim, com a cana, porque fui eu que lha
trouxe!
O Freitas de Peniche tinha passado
para o outro lado. Tinha deixado de ser criança e tinha deixado de ser um de
nós.
Acabado o recreio assim
que fomos para a aula o Batista chama o Freitas de Peniche ao estrado; tinha
que cantar os principais rios de Angola: Onde nasciam, por onde passavam, onde
desaguavam. Desastre total; o Freitas de Peniche bem olhava para o mapa de
Angola mas àquela distância até as letras gordas de ANGOLA não passavam de minúsculas
letrinhas.
A primeira canada veio direita ao
pescoço deixando boquiaberto o Batista pela eficácia com que a sua nova arma tinha feito um vergão indisfarçável e boquiaberto também o Freitas de Peniche, incrédulo pela ingratidão
com que o Senhor Professor, seu mestre,
recompensava o gesto galante por quela prenda de sonho. Afinal desde o início
do ano escolar que o Senhor Professor sonhava
encontrar uma cana-da-Índia.
O Freitas passou a ser o Só à Cana; o nosso sacana.
segunda-feira, 1 de junho de 2015
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